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João de Sousa

Sábado, Novembro 27, 2021

Go Home América

Eduardo Águaboa
Escritor, Ensaísta, Comentador político especializado em ideias gerais

dark-street

 

Joana e Quim detiveram-se no Bar mais tempo do que inicialmente planearam, pois, «Os Azeitonas» apareceram por lá e deram o seu contributo para animar a noite.

Anda comigo ver os aviões, levantar voo (…)
Nem que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti…

A distracção de vez em quando faz das suas e às tantas, depois de muitos Martinis com azeitonas verdes, ei-los na rua, ei-los em “Nova Iorque.”

– Desejaria estar no teu lugar, Quim…és o Quim, não és?
– Que ideia tão estranha Joana…ah, sim e sou o Quim…

– Gostava de ser como tu, ter muitos amores, que me despertassem o mesmo interesse, e não apenas um.
– Estás enganada minha querida. Isso são apenas preocupações inteiramente diversas do que julgas. Amores…só tenho um: és tu. Já te tinha dito isso em “Lisboa”.

O sorriso dela e o equilíbrio manteve-se impassível bem encostada à parede.

– Não, Quim – retorquiu.
– Claro que és, que mosca te mordeu? Vou provar-to, verás. Deixa-me despir…

A mão dela deteve-o firmemente.

– Não Quim, agora não. Não creio que me desejes neste momento. Sabia-me bem mais uma bebida.
– Desejo sim…

– Não tens habilidade para me mentir. Não estás nos teus dias, Quim. Conheço-te muito bem, mais a mais agora que até te vejo a dobrar. Não mintas, portanto. Mais do que isso, não queiras estragar o que existe entre nós tentando satisfazer-me sem amor.
– Joana!!!

– Neste momento vives noutro mundo…um mundo novo…a tua América…que me prometeste.
– Bem, senti-me de facto entusiasmado por…e além disso…a viagem embora rápida foi…

– Não tentes desculpar-te. Estás fatigado, sim, mas não pelo trabalho, nem pela viagem (não estávamos num bar?), mas sim por causa da tua nova paixão.
– Joana, acredita-me…nada mais desejo do que deitar-me contigo, até aqui no meio da rua (estas vielas americanas são tão escuras) …mas talvez tenhas razão…estarei em melhores condições quando o meu cérebro…quando… «voltarmos a Lisboa».

Ela que, entretanto, se sentara no chão, ergueu-se.

– É melhor ires-te embora. Deves precisar de discutir esse milagre…com quem possa apreciá-lo tão bem como tu. Agora deves-me deixar sozinha. Nunca vim à América e quero ir ver logo pela manhã as lojas e comprar algumas coisas. Já não disponho de muito tempo até à hora do meu voo levantar.

Nota do Director

As opiniões expressas nos artigos de Opinião apenas vinculam os respectivos autores e não reflectem necessariamente os pontos de vista da Redacção ou do Jornal.

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