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Sábado, Julho 20, 2024

“A História de Nastagio degli Onesti”

Guilherme Antunes
Guilherme Antunes
Licenciado em História de Arte | UNL

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Já por várias vezes me apeteceu publicar esta história, mas como obriga a 4 trabalhos, tenho feito outras opções. Agora vai sair e recomendada, é claro.

Esta história baseia-se num quadro do “Decameron” de Boccaccio, sobre um jovem que não é correspondido no seu amor pela sua amada. Para a convencer, urde um plano terrível que garanta o êxito da empresa que concebe. Aconselha-se, a quem interessar, fazer uma pequena investigação para melhor compreensão do tema, que aqui tornaria o texto extenso.

Pretendo realçar do ponto de vista da pintura a delicadeza da paisagem irrealista, a sua serenidade. Repare-se nas árvores expostas quase como colunatas, com alguma geometrização. Eis o traço inconfundível do imortal Botticelli.

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Nota da Edição

Auto-retrato | pormenor do quadro "Adoração dos Reis Magos"
Auto-retrato | pormenor do quadro “Adoração dos Reis Magos”

Alessandro di Mariano Filipepi (1445 – 1510)
Sandro é o diminutivo de Alessandro, e Botticelli deriva da alcunha do seu irmão mais velho, Giovanni, conhecido como Il Botticello (o pequeno barril).

Entre 1467 e 1470, Botticelli foi aprendiz de Andréa del Verrocchio , na mesma época de Leonardo Da Vinci. Aos 25 anos abriu o seu próprio atelier e recebeu a encomenda de pintar “A Coragem”, para uma instituição judicial florentina.

Dedicou boa parte de sua carreira às grandes famílias dessa cidade-Estado da Toscana, especialmente os Medici, para os quais pintou retratos. Entre outras obras destacam-se “Retrato de Giuliano de Medici” (1475-1476) e “A adoração dos Magos” (1476-1477), obra que o colocou definitivamente sob a protecção dessa importante família, que protagonizava a história de Florença e da Itália na época.

Em 1481, Botticelli foi chamado a Roma pelo Papa Sisto 4º. para trabalhar, junto com Ghirlandaio, Luca Signorelli, Cosimo Rosselli e Perugino, na decoração da capela Sistina. São da sua autoria os frescos “As provações de Moisés, “O castigo dos Rebeldes” e a “Tentação de Cristo”.

As pinturas de Botticelli são marcadas por movimentos suaves e cores vivas. Pintou cenas mitológicas, como “A Primavera” (1477) e “O Nascimento da Vênus” (1483), uma das mais célebres obras do renascimento. Nesse mesmo ano, destaca-se a série de quatro quadros “Nastagio degli Onesti”, recriações das histórias do “Decameron”, de Boccaccio.

Botticelli reflectiu a tensão do período e a devoção religiosa em “Pietá” (década de 1490), “Crucificação Mística” (1497) e “Natividade Mística” (1501)

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