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João de Sousa

Quinta-feira, Outubro 21, 2021

Um «Terramoto» chamado Medina

João de Sousa
Jornalista, Director do Jornal Tornado

Desde Kruz Abecassis, do CDS, que Lisboa não enfrentava tal destruição. A dupla Fernando Medina/Arquitecto Salgado ameaçam, e já levam a cabo, fazer obra com impacto igual ao do incêndio que consumiu o Chiado, em 1988.

Dando andamento ao processo iniciado com a Lei do Arrendamento, de Assunção Cristas, habilmente aplicada pelos despejos austeritários de Passos Coelho, a dupla Medina/Salgado leva a cabo de forma sistemática a destruição de Lisboa. Não só em termos urbanísticos, como documentam eloquentemente as fotos abaixo, como em termos humanos, tendo logrado tirar de suas casas, cerca de 40.000 habitantes da cidade, e do mercado de arrendamento duradouro cerca de 40.000 fogos, para dar lugar ao Alojamento Local, e aos turistas.

Mas nem a esta política geradora de enorme bolha imobiliária, que vai rebentar não se sabendo apenas quando, este Presidente que elegemos para cuidar da cidade e dos seus moradores, é fiel. A ganância é muita e depois de atrair os turistas o melhor é dar cabo da relação da cidade com o rio, construindo mamarrachos com 11 andares de altura acima da linha de água, mesmo ao lado deste, que arruinam a vista de Miradouros como os que as fotos evidenciam, mesmo em frente ao Palácio das Necessidades, Ministério dos Negócios Estrangeiros. É uma hipérbole dentro de uma metáfora. As faces tisnadas de saloio deslumbrado, de Medina, falam por ele.

Ao mesmo tempo Medina trabalha também em prol dos operadores privados da Saúde ao permitir que a CUF construa um hospital com esta volumetria, nesta localização, claramente vocacionada para fins lúdicos que permitissem aos habitantes da cidade usufruir do seu rio.

Ao mesmo tempo, nos arrabaldes, vai construindo habitação social para albergar uns quantos pobres, decerto por razões estatísticas, que serão verdadeiros guetos, “favelas” lisboetas, dos moradores expulsos do centro para dar lugar aos condomínios de luxo dos vistos Gold. Isto é, para além daqueles, menos abastados, que tiveram mesmo de abandonar a cidade.

É um crime de lesa-cidade e como tal devia ser investigado pelo Ministério Público. Não é crível que tal monstro tenha sido ali criado e autorizado sem que dinheiro tenha mudado de mãos. O mesmo se diga do mercado de renovação para Alojamento Local. Especialistas garantiram ao Jornal Tornado que a maioria de casas renovadas à pressa para este efeito não terão a mínima capacidade de resistir a um sismo mais violento. Quando ocorrer essa catástrofe, que vai ocorrer não se sabendo apenas quando, fica aqui para memória futura que a responsabilidade, política, criminal e civil vai por inteiro para o actual executivo camarário. Logo contaremos os mortos.

Medina é outro dos artífices do resultado eleitoral futuro do Partido Socialista.

Lisboa, Terramoto de 1755

Lisboa, Terramoto Medina/Salgado 2018

Miradouro do Largo das Necessidades

Tomadas do miradouro frente à entrada principal do MNE, da esquerda para a direita.

 

Largo do Rilvas

Vista tomada do Largo do Rilvas. Entrada de serviço do MNE

 

Pátio do Restaurante da Casa de Goa

Tomada do pátio do Restaurante da Casa de Goa. Calçada do Livramento. Zona um pouco mais abaixo do Miradouro

 

24 de Julho

Tomada dos terrenos do lado direito da 24 de Julho, subindo um pouco pela Tv. do Baluarte

 

Tomada da 24 de Julho nos dois sentidos. Dir. Calvário, dir. Cais Sodré e Frente

 

 

 

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