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Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Ivermectina e negacionismo levam EUA a epicentro da pandemia de covid-19

Enquanto negacionistas insistem em remédios ineficazes, EUA estão prestes a jogar fora 13 milhões de doses de vacinas vencidas.

As mortes e casos diários de covid-19 nos Estados Unidos voltaram a patamares elevados após mais de cinco meses de queda. Os números atuais se aproximam do pior momento até então, a chamada segunda onda que devastou o país entre outubro e janeiro. Hoje, os Estados Unidos são o epicentro global da pandemia. Desde a semana passada, ocorrem dias com 2 mil mortes e 200 mil casos, em um país com ampla oferta de vacinas. Isso porque, grande parte da população não está se vacinando. No último mês, mais de 1 milhão de doses foram descartadas, enquanto outras 13 milhões estão próximas de perder a validade. Desse modo, apenas 48,02% dos cidadãos estão com esquema vacinal completo. Receberam uma dose 61,58%, mas o percentual de pessoas com duas doses não avança significativamente há semanas.

Curva de casos de covid-19 nos EUA desde o início do ano. Após queda relacionada à vacinação, negacionismo leva país a nova onda. (Microsoft Covid Observer)

Os norte-americanos iniciaram a vacinação de forma massiva meses antes do Brasil, em dezembro do ano passado, sendo o auge em abril, com 2 milhões de pessoas vacinadas por dia. Entretanto, desde junho esse número cai de modo significativo, sendo que hoje cerca de 300 mil doses são aplicadas diariamente. Pesa sobre o país uma campanha intensiva de desinformação, com mentiras e fake news sobre a segurança e a eficácia dos imunizantes.

Negacionismo mata

No Brasil, o negacionismo científico e disseminação de mentiras tem como figura central o presidente Jair Bolsonaro. Nos Estados Unidos, seu par ideológico Donald Trump, foi derrotado nas eleições do ano passado, mas a sua influência segue inequívoca neste sentido. A rejeição às vacinas, ou movimento antivax, como denominado no país, é maior nos estados em que o Partido Republicano, de Trump, comanda o governo.

De acordo com o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, 99% das mortes no último mês foram de não vacinados. A maioria das mortes está nesses estados, sobretudo no Sul, que agora enfrentam o colapso sanitário. Grandes cidades como Jacksonville (Flórida, 47,31% de vacinados) e Austin (Texas, 43,22%) passam por falta de leitos de UTI.

Entre os dez estados com maior índice de vacinação, sete são governados pelos Democratas, que atualmente estão no governo federal com Joe Biden. Já entre os dez menos vacinados, nove são comandados pelos republicanos. Destaque para Connecticut, do governador democrata Ned Lamont, com 60,33% dos cidadãos vacinados. No ponto oposto, Mississipi, Alabama, Wyoming, Idaho e Louisiana, todos comandados por republicanos.

Ivermectina

Um dos maiores ativistas norte-americanos contra o uso de máscaras, Caleb Wallace, de 30 anos, morador do Texas, morreu no sábado (28) de covid-19. O caso se repete entre negacionistas e preocupa autoridades locais. Outra tendência assustadora nos EUA é o uso de ivermectina para prevenir ou combater a covid-19. O medicamento é comprovadamente ineficaz contra a doença, mas adeptos da extrema direita, como Jair Bolsonaro no Brasil, alardearam a droga como salvação contra o coronavírus.

“Não use ivermectina contra a covid-19, pois você não é cavalo nem vaca”, alertou a agência reguladora de medicamentos dos EUA Food and Drug Association (FDA) na última semana. O aviso, entretanto, é ignorado, assim como a ciência, pelos radicais. “Prescripção de ivermectina tem relação com aumento de chamados por intoxicação nesta onda de covid-19. O CDC tenta afastar pacientes da droga”, relata o veículo especializado em medicina no país MedpageToday.

O uso do remédio receitado contra parasitas, muito para controle de pragas entre o gado, aumentou nos Estados Unidos durante esta nova onda de casos ligada à variante delta. Receitas de ivermectina contra a covid nos EUA cresceram rapidamente desde julho, passando de 88 mil por semana até 13 de agosto. “É muito acima do pico de 39 mil por semana registrado em janeiro, e 24 vezes superior ao nível pré-pandêmico de 3,6 mil receitas entre março de 2019 e março de 2020”, afirma o periódico.

Entre os efeitos do uso indiscriminado do medicamento, constam alterações e problemas mentais. “São exemplos de adultos que, na ideia de prevenir a covid-19, beberam ivermectina que deveria ser de uso injetável em gado. Pacientes apresentam confusão, tontura, alucinações, apnéia e tremores. Pessoas tendem a se recuperar após mais de uma semana de internação”, completa.


Fonte: Rede Brasil Atual | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

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