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Segunda-feira, Maio 23, 2022

João Gilberto | O Joãozinho da Patú chega ao Rio

José Alberto Pereira
José Alberto Pereira
Professor Universitário, Formador Consultor e Mestre em Gestão

Filho de Joviniano Domingos de Oliveira, próspero comerciante, e de Martinha do Prado Pereira de Oliveira, João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, baiano conhecido como Joãozinho da Patú, nasceu a 10 de junho de 1931 em Juazeiro, sertão da Bahia, nas margens do Rio São Francisco. Lá viveu até aos onze anos, quando foi estudar para Aracajú, no vizinho estado de Sergipe. Desde muito novo sempre mostrou ouvido privilegiado e um forte dom para a música, tocando na banda escolar. Aos quinze anos regressa a Juazeiro e passa a adolescência a ouvir Orlando Silva, Dorival Caymmi e Carmen Miranda, mas também Duke Ellington, Tommy Dorsey e Charles Trenet. Teve também contato com música em casa, já que o seu pai tocava cavaquinho e saxofone, além de ser um mecenas da banda de música local.

João Gilberto em foto da década de 1950

Nesses anos João formou vários conjuntos vocais, com os colegas de escola. Aos 14 anos, ganhou seu primeiro violão e pouco tempo depois formou um conjunto vocal chamado Enamorados do Ritmo. O seu maior ídolo era Orlando Silva, com quem se assemelhava a cantar. Aos dezasseis anos foi estudar para Salvador, mas, após três anos vividos na capital baiana, abandonou os estudos para se dedicar exclusivamente à música. Aos 18 anos iniciou a sua carreira artística na Rádio Sociedade da Bahia.

Em 1950, João parte para o Rio de Janeiro, convidado para integrar o conjunto vocal Garotos da Lua. No ano seguinte os Garotos da Lua gravaram dois discos de 78 rpm. No entanto, com um início de carreira turbulento marcado por atrasos, João acabou por ser despedido do grupo. De seguida, passa alguns anos no Rio, conhecendo gente e atuando na rádio. Em 1953 a sua primeira composição é gravada na voz de Marisa Vertullo Brandão, sua namorada da altura e artisticamente conhecida como Marisa Gata Mansa. João acompanha à guitarra o tema “Você esteve com meu bem”. Gravou também alguns jingles publicitários e tocou em festas de sociedade, mas o sucesso teimava em não chegar.

Em 1954, João conhece Carlos Machado que lhe abre a porta para o musical “Esta Vida é um Carnaval”, a estrear na boîte Casablanca. João contracena com Grande Otelo, Ataulfo Alves e a bateria da escola de samba Império Serrano, cantando coros e debutando no samba “Recordar é Viver”. O espetáculo é um sucesso, mas João fica longe, a tocar com o seu novo grupo, os Quitandinha Serenaders. Através destes conhece Luis Bonfá, Alberto Ruschel e Luís Telles, que se tornou seu grande amigo.

Em 1955, João vai com Luís Telles para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Lá conhece Armando Albuquerque, compositor, pianista, violinista, professor e musicólogo, com quem passou horas a estudar música, principalmente harmonia. Depois de oito meses em Porto Alegre, João muda-se para Diamantina, em Minas Gerais. Vai viver com a sua irmã, casada de fresco e com uma filha recém-nascida, e estuda, estuda muito, isolando-se para praticar o que aprendera com Armando Albuquerque.

João Gilberto, Rio de Janeiro, 1957

Foram mais sete meses de isolamento e entrega absoluta, durante os quais João percebe que, se cantar mais baixo, sem vibrato, pode adiantar ou atrasar o canto em relação ao ritmo, desde que a batida seja constante, criando assim seu próprio tempo. É desta catártica introspeção que nasce o seu perfil musical. Depois da estadia em Diamantina, João regressa a Juazeiro, onde passa dois meses com a família e compõe “Bim Bom”, confiante de que havia encontrado a batida que queria. No início de 1957, João Gilberto regressa ao Rio de Janeiro, desta vez para a consagração.

 

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Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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