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Terça-feira, Novembro 30, 2021

Ramos Horta eleito presidente da UMDP

M. Azancot de Menezes
PhD em Educação / Universidade de Lisboa. Timor-Leste

José Ramos Horta, ex-Presidente da República Democrática de Timor-Leste, e Prémio Nobel da Paz, foi eleito Presidente do Conselho Presidencial da União dos Movimentos Democráticos e Patrióticos (UMDP).

A 1ª Convenção Nacional da UMDP decorreu no dia 25 de Setembro, onde José Ramos Horta foi eleito, e o evento do passado dia 29 de Outubro realizou-se para o lançamento oficial da Direcção e dos seus Órgãos Sociais, na Sé Catedral de Díli, com a presença do Presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), José da Costa Belo, do Presidente da Autoridade da Região Administrativa Especial de Oécusse-Ambeno, José Luís Guterres, vários políticos, religiosos, académicos e líderes comunitários.

Nos termos do artigo 1 do Estatuto Orgânico da UMDP, a grande finalidade deste Movimento Cívico é, pela via constitucional, legal e pacífica:

Defender o Estado de Direito Democrático, a Constituição e consolidar a Democracia,  por forma a que seja entregue ao povo de Timor-Leste as  plenas condições de liberdade para que possa exercer o seu direito político, social, cultural e económico no processo da Construção do Estado e Reconstrução Nacional”.

(Artigo 1 do Estatuto Orgânico da UMDP)

O pensamento que se extrai do espírito e da letra da expressão “pela via constitucional, legal e pacífica”, associada ao conteúdo do Artigo 1 dos Estatutos da UMDP, rapidamente leva a concluir que houve um entendimento muito lúcido no sentido dos  líderes das sete organizações que integram a UMDP tomarem a (sábia) deliberação de convidar uma personalidade com determinadas características, necessárias para liderar o processo no quadro do objecto estratégico do Movimento.

Esta consciência, melhor dizendo, este bom discernimento, também é defendido por Avelino Coelho na medida em que no seu discurso proferido na Convenção Nacional realçou que “qualquer organização, movimento ou força social-política que agrega diversas tendências só poderá exercer em pleno os seus ideais e programas quando for liderado por uma liderança sábia e de grande influência no palco interno e externo”.

1ª Convenção Nacional da UMDP na Sé Catedral de Díli, em 29 de Outubro de 2021

As principais causas que motivaram o nascimento da UMDP também foram invocadas:

A UMDP não nasceu por acaso, ou por desígnios desmedidos. Ela é o produto incomensurável da consciência nacionalista e patriótica dos timorenses, das forças sociais organizadas que,  ao encararem as crises ocorridas nesta sociedade em marcha pela sua emancipação, crises estas com raízes no desrespeito pelo Estado de Direito Democrático, na prática de minimizar os valores e normas sublinhadas na nossa Constituição e nos actos de trespassar as melhores práticas de vida em democracia da sociedade política, se sentiram chamados para buscar uma forma concertada  de esforços para defender o Estado de Direito Democrático e consolidar a nosa Jovem democracia.

E foi igualmente referido o “nobre trabalho” que tem sido desenvolvido pela UMDP:

O nobre trabalho efectuado produziu uma ampla consciência nacional, a que eu diria uma consciência colectiva de gentes de boa vontade,  em assumir maiores responsabilidades na luta pela defesa do Estado de Direito Democrático, pela defesa da Constituição e pela salvaguarda da saúde da nossa jovem democracia. Esta consciência colectiva , com a sua própria marcha, encarnou-se no primeiro embrião dando-lhe o nome de União dos Movimentos Democráticos e Patrióticos  – UMDP – que , logo desde sempre, assumiu a posição de, pela via democrática, pela via Constitucional e Legal , defender o Estado de Direito Democrático, a Constituição e Democracia.

(Avelino Coelho, Presidente do PST)

A UMDP já tem assumido protagonismo público em diversos momentos, com intervenções sociais e políticas, contundentes, mas sempre pacíficas e, recentemente, teceu fortes críticas ao Presidente de Timor-Leste devido à sua passividade enquanto Chefe de Estado de Timor-Leste perante o impasse político existente desde 2017, tendo considerado que há “uma desmedida luta pelo poder político” e “uma errada interpretação das normas constitucionais” .

(Críticas ao Presidente de Timor-Leste devido à crescente pobreza e desigualdade)

Lista dos Membros dos Órgãos Sociais da UMDP

A Convenção Nacional aprovou por unanimidade a Resolução que elegeu os Membros dos Órgãos Sociais:

  • José Manuel Ramos Horta, Presidente do Conselho Presidencial da UMDP.
  • Ricardo Cardoso Nheu, Secretário-Geral do Conselho Presidencial da UMDP.
  • Normélio B. Dos Santos, Vice Secretário-Geral do Conselho Presidencial da UMDP.
  • João Gonçalves Mendes, Vice-Presidente do Conselho Presidencial da UMDP.
  • Nuno Manuel Corvelo de Andrade Sarmento/Laloran, Vice-Presidente do Conselho Presidencial da UMDP.
  • Estanislau Cláudio Ximenes/Atai, Vice-Presidente do Conselho Presidencial da UMDP.
  • Leandro da Sena, Vice-Presidente do Conselho Presidencial da UMDP.
  • Hugo Lourenço da Costa, Adjunto do Secretário-Geral.
  • João Travolta, Adjunto do Secretário-Geral.
  • Sancho Ximenes, Adjunto do Secretário-Geral.
  • Rui Lourenço da Costa/Quiwatu, Secretário Executivo;
  • Betty Fernandes, Adjunta do Secretário-Executivo.

UMDP assume-se como Movimento Cívico e de Consciência

A ideia central que transparece no discurso dos membros da UMDP e nos critérios para a escolha de José Ramos Horta, Prémio Nobel da Paz, baseia-se na consciência, segundo a qual, a UMDP “não advoga os meios violentos para defender os seus ideais, por ser um Movimento Cívico e de Consciência”.

A UMDP integra sete organizações:

  • Associação dos Combatentes da Brigada Negra (ACBN);
  • Movimento Académico Pró-Constituição (MAPC);
  • Movimento dos Camponeses de Timor-Leste (MPKATIL);
  • Liga Juventude Estudantil (L-JEP);
  • Movimento Brigada Xanana (MBX);
  • Círculo Revolucionário Nacionalista CRN-1) e
  • Movimento Nacional da Juventude Progressista (MNJP).

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