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João de Sousa

Sábado, Outubro 23, 2021

Legislativas: O “Quebra-Cabeças” dos “Cabeças de Lista”

A próxima semana vai ser de revelações em matéria de “cabeças de lista” e outras cabecinhas…António Costa e Rui Rio estão com o tempo a esgotar-se. Eles têm apenas escassos dias para resolver o que é sempre um autêntico “quebra-cabeças”: a escolha dos cabeças de lista dos círculos eleitorais. O assunto será este fim de semana matéria de primeira página (e aí será objecto de recados vários…) e de conversas de café. No início da próxima semana, Costa deverá anunciar as suas escolhas. E Rio terá também de o fazer.

Curiosamente, as coisas apresentam-se mais claras (mas não mais simples…) no PSD. Rio vai ter de renovar, de cima a baixo, o seu grupo parlamentar e há quem afirme a pés juntos que dois terços dos “cabeças de lista” (cdl) vão ter novas caras. As “legislativas” são assim um momento para dar uma vassourada nos resíduos do “passismo” e renovar o PSD. Ou seja, para Rio continuar a avançar no seu natural “take over” sobre o partido.

No PS, as coisas são mais simples (mas estão por enquanto menos claras…). Costa há muito que finalizou o seu “take over” mas tem ainda de arrumar (na reunião de hoje da Comissão Nacional) a questão dos “critérios” para a escolha dos “cabeças de lista” e meter na gaveta a “modernice” das “primárias”. Uma “modernice” que, em França, foi o maior responsável pela implosão do PSF, levando os socialistas a passarem, em 2 anos, de partido hegemónico a coisa residual…).

A razia de Rio nos “cdl” não terá equivalente no PS. Mas há figuras históricas que vão desaparecer, casos,por exemplo, de Fernando de Jesus, no Porto, e de João Soares, em Lisboa. Ambos por vontade própria.

Há também círculos eleitorais em que a escolha do “cdl” não está fácil. Casos, por exemplo, do Algarve (onde o algarvio Mário Centeno arrasa mas o “aparelho” socialista tem outra preferência mais “caseira”…) ou caso de Santarém, onde Costa gostaria de ver a sua amiga Maria do Céu Albuquerque (ex-presidente da Câmara de Abrantes e actual secretária de Estado do Desenvolvimento Regional) mas que vários “casos” dos seus tempos de autarca comprometem e fragilizam…

Esta campanha eleitoral vai decorrer numa perigosíssima conjuntura global que é uma enorme ameaça para uma pequena economia (estupidamente) aberta, “desarmada” e, portanto, desprotegida e à mercê de qualquer pequeno “espirro” do exterior. Os seus protagonistas, os “cdl” dos círculos eleitorais e outros dirigentes políticos desta campanha têm por isso (mesmo que nem o saibam…) uma responsabilidade acrescida perante o País que somos e perante a História. As suas propostas políticas e o sentido estratégico que elas façam (ou, mais facilmente, não façam…) será obviamente julgado.

Pelo que, sobre a matéria, tem sido dito até hoje pelo PR Marcelo, pelo Governo e pelas oposições, não há razões para entusiasmos. Todos continuarão a falar das habituais banalidades, como a de “exportar mais” (mas não de exportar melhor), de aumentar o peso das exportações no PIB (mas não de aumentar o preço da tonelada exportada nem de subir na cadeia de valor) e etc., etc. Oxalá nos enganemos. Para a semana, pelas caras apresentadas por Costa e Rio já veremos se apareceu alguma alma que inspire uma pontinha de optimismo…

Geopolítica, Inteligência e Estratégia são três das palavras cuja presença no discurso político dos próximos meses valerá a pena monitorizar e contabilizar. Já o nosso velho Camões (autor do primeiro tratado de Geopolítica global que dissimulou em magnífica poesia épica) avisava “Que um fraco Rei faz fraca a forte gente”… E, pelo uso das três referidas palavrinhas, se poderá aquilatar da nossa “classe reinante”.


Exclusivo Tornado / IntelNomics


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