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Sexta-feira, Julho 12, 2024

Livro Poemas & Prósias faz pensar sobre as poesias da vida e a vida das poesias

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Ao ler o livro Poemas & Prósias, de Antônio Carlos Queiroz, o ACQ, vêm à mente reflexões importantes sobre o sentido da vida e a necessidade da poesia e da arte para que ela possa ser melhor vivida. Mesmo que os trocadilhos sejam pobres.

Com uma capa, de Mariosan, na qual chama a atenção a gata preta, o convite à leitura se sobressai. Primeiro para entender o sentido – ou não – da capa. Depois se embebecer com os poemas com muita delicadeza, bom humor e conteúdo.

Afinal quem lê poesia em plena era cibernética? Qualquer pessoa que tenha sentimentos de humanidade. Pessoas que saibam contemplar o céu, as estrelas, o sol, o cotidiano, a lua, o ir e vir para o trabalho e do trabalho para casa, enfim tudo o que nos remonta à vida deste planeta que não tem nada de plano. Afinal,

“Os poetas desejam
criar mundos novos
sem se importar
com a interpretação”

Qual o sentido de tantas palavras ditas e não ditas – nas entrelinhas – dos grandes poetas de todos os tempos? Sim, escrever poemas não é para qualquer um. Como disse Umberto Eco: “todos os poetas escrevem poesia ruim. Os maus poetas publicam, os bons poetas jogam no lixo” (consta no livro).

ACQ, um jornalista poeta (ou é o contrário?), remete-nos ao raciocínio sobre o sentido de tantas palavras, como no colégio (atual ensino médio) um professor de Biologia, velhinho simpático, do qual infelizmente a memória perdeu o nome, contou um segredo: as “palavras significam” e por isso devem ser conscientemente usadas.

E nos poemas do ACQ, as tantas palavras que se conheciam e se conhecem tocam nossas mentes e nossos corações, como somente os bons poetas conseguem, para vislumbrar uma luz no fim, no meio e no começo do túnel desta louca viagem que é a vida.

Porque “o sol nasce para todos”. E, por isso, “somos parentes!” Afinal somos todos parentes na evolução da vida.

“E sobre a Ética do Spinoza
a luta contra o capitalismo
os filmes do Fellini
os quartetos do Beethoven
os poemas do Drummond
a edição genética
os textos do chatGPT
as teorias da matéria escura
os chiliques de Betelgeuse
e o colapso do Sol”

Com poemas inventivos, cada palavra bem colocada e o sentido dado, somos levados tanto ao deleite quanto a pensamentos. Como na canção de Lupicínio Rodrigues, “o pensamento parece uma coisa à toa, mas como a gente voa quando começa a pensar”.

E os poemas e as prósias de ACQ nos fazem voar nos pensamentos e sonhos e ir além. Para onde o sentido da vida não se dê pelo que se tem, mas pelo que se é ou deseja ser. O sentido presente nas entrelinhas das artes.

E segue a toada com as “esperas do passado com sabor de oportunidade perdida”, porque, sim, como diz Belchior, “na vida é muito pior” e, então, “A PM me deu novo nome, também proparoxítono. Até ontem eu era Fátima, agora sou Estatística”, em poesia do ACQ. Porque “se você é preto, pobre ou puto, cuidado cos guardas da esquina”. E bota cuidado nisso, como mostram todas as estatísticas, policiais ou não. Enfim, a luz está em nossos olhos, que brilham com a leitura deste livro de poesias do tempo da delicadeza com o acúmulo de tantas coisas já vividas e vistas na:

“Luz nos olhos da gata
cautelosa – cauteluz –
Rútila cor de água

No brilho da retina
engatilha o bote
a sílica felina”

 

Veja aqui o autor, ACQ, falando sobre o livro:


Texto em português do Brasil

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