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Terça-feira, Janeiro 31, 2023

Lixeira orbital… a Céu aberto

Nélson Abreu, em Los Angeles
Nélson Abreu, em Los Angeles
Engenheiro electrotécnico e educador sobre ciência e consciência. Descendente de Goa, nasceu em Portugal, e reside em Los Angeles.

Existe um risco crescente de colisão de equipamento funcional com lixo orbital. Em 2009, um antigo satélite de comunicação colidiu com um novo criando milhares de fragmentos menores. Nos próximos cinco a dez anos, por exemplo, empresas como SpaceX, LeoSat e OneWeb planeiam lançar mais de 15 mil satélites em órbita terrestre baixa (LEO), principalmente a uma altitude entre 800 e 1.200 km, para fornecer serviço global de Internet. Isso significa que sem a remoção de lixo espacial, a órbita da Terra pode se tornar inutilizável nas próximas décadas.

Centenas de milhares de pedaços de lixo espacial ainda orbitam a Terra. O Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA) diz que mais de 8 mil objectos foram lançados ao espaço, com 4.788 actualmente ainda em órbita ao redor da Terra. De foguetes a flocos de tinta, cada novo lançamento cria mais lixo espacial. O que está a ser feito a este propósito?

Para resolver o problema, a Electro-Optic Systems (EOS) e o Mount Stromlo Observatory pretendem construir um sistema de laser capaz de tirar da órbita, com segurança, pequenos pedaços de lixo espacial. A Astroscale, empresa sediada em Singapura também levantou fundos para trabalhar numa solução. O Dragon da SpaceX chegou à Estação Espacial Internacional (ISS) dia 4 de Abril. Entre os instrumentos científicos a bordo está um protótipo para colocar à prova um colector experimental de lixo espacial.

Em Fevereiro, o Space X Falcon 9 Heavy tornou-se o primeiro foguete reutilizável a ser lançado, o que significa que não se tornará mais um pedaço de lixo espacial. Os satélites também estão a tornar-se menores: não são apenas mais baratos e mais rápidos de construir, mas no final de suas vidas eles podem fragmentar-se facilmente na atmosfera.

E quanto ao risco de lixo espacial cair sobre a nossa cabeça? A estação espacial experimental chinesa Tiangong-1 (Palácio Celestial – 1) caiu na Terra no dia 1 de Abril. A maior parte dela queimou-se no sul do oceano Pacífico.

A meio caminho entre a Nova Zelândia e a América do Sul, no Oceano Pacífico, está um dos lugares mais inabitados da Terra. Nesta parte do oceano existem centenas de fragmentos, de foguetes e até a Estação Espacial Russa Mir. No entanto, equipamentos não controlados como o Tiangong-1 podem representar um risco. As chances de ser atingido por peças da Tiangong-1 foram estimadas em 1 milhão de vezes menos do que ganhar na lotaria.

A maior parte da superfície da Terra é água e a maior parte da terra é pouco povoada, mas há preocupações sobre uma queda descontrolada sobre uma grande cidade. Existem alguns objectos grandes em órbita baixa que os especialistas estão a monitorar. O próximo grande objecto de preocupação é o satélite Rossi X-ray Timing Explorer (RXTE) da NASA. A nave de 2,7 toneladas lançada em 1995 foi desactivada em 2012 e pode regressar novamente à Terra em meados de Abril. A maior parte deve queimar-se numa bola de fogo na reentrada, mas pequenos pedaços podem vir a atingir a superfície.

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