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Sábado, Setembro 18, 2021

Matosinhos: prestação de contas

Joaquim Jorge, no Porto
Biólogo, Fundador do Clube dos Pensadores

A política está infestada de partidarismo, este tende a colonizar a nossa forma de pensar e fazer um juízo razoável. Não nos podemos deixar conduzir a partir de critérios de grupo.

Uma das questões chave num processo eleitoral é saber porque é que Matosinhos vota sempre PS, independentemente do candidato? Neste caso a resposta conduz-nos a diversos motivos, que vão desde nunca ter existido uma alternativa a sério, ou vantagens de ter um subsídio, conseguir uma habitação, negócios, e estar nas boas graças do poder.

A rede clientelar ao longo destes 45 anos tornou os matosinhenses obedientes e sem poder critico, que vão encolhendo os ombros para poderem aguardar alguma recompensa. Recompensa que só alguns vão tendo e, pelo contrário, a grande maioria da população nunca irá usufruir do compadrio doentio e de benesses, que por vezes não passam de   migalhas do bolo orçamental.

Há milhares de matosinhenses “apolíticos” que se apercebem de enormes injustiças e de muitas coisas estranhas, mas limitam-se a encolher os ombros como se nada pudesse ser feito.

Pessoas como eu, que gostam de criticar e chamar à atenção do que, acham que não é correcto e está mal, levam-nos a ter mais inimigos do que amigos. Todavia, ao longo dos anos, muita gente que não me entendia e me chamava agressivo, excessivamente frontal, que há coisas que não se podem dizer, têm vindo a dar-me razão. O problema para quem escreve, opina, intervém publicamente, tem a ver entre uma linha de se incomodar e uma linha de não ligar e tudo aceitar. A tentação de nada fazer, por vezes, é mais forte e cómoda do que actuar e intervir.

A Câmara de Matosinhos tudo faz para que acreditemos nas suas boas intenções, especialmente perto de eleições.

Informar, denunciar, alertar, comunicar, noticiar, participar, revelar, demonstrar, mostrar, sugerir e acusar quando tenho provas evidentes. Mas, por vezes, sinto-me cansado de estar a pregar no deserto. Nada se modifica e ninguém faz o menor caso. Porém, não posso ser pretensioso ao ponto de acreditar, que o que faço possa mudar o curso dos acontecimentos. No fundo, sinto que não tenho nenhum papel (apesar de me dizerem que tenho). Daí achar que caio no ridículo por não me calar e conter, não tendo a mínima influência em nada.

Critico muitas vezes a Câmara de Matosinhos e nada muda. Deste modo, tenho que dar razão a quem acha que não vale a pena insistir e que não passo de um sonhador, que caio no ridículo e acusado de querer protagonismo.

Digam o que disserem, nada se modifica ou altera mesmo quando os cidadãos, ora escrevem queixas, ora reclamações. Na cabeça de quem governa esta câmara, está a sua vitória nas próximas eleições. Não importa nem conta não cumprir promessas eleitorais, rasgar compromissos assumidos, enganar e trair os cidadãos e causar danos irreparáveis nos cidadãos e no futuro.

Todavia pensando bem, não consigo conter-me e deixar de denunciar abusos de poder, injustiças, denunciar gente sem escrúpulos. É importante tratar de abrir os olhos a quem os tem fechados, procurar que as pessoas reparem no que se passa à sua volta e quem detém o poder, argumentando contra as arbitrariedades, denunciando práticas lesivas em democracia, protestando contra decisões tomadas, abuso dos direitos e liberdades e advertindo as formas menos lícitas de actuar e governar.

Os políticos e quem governa querem aplausos, vénias e reverência. A única prova que tenho que não é uma absoluta inutilidade intervir, apesar de aparentemente não fazerem caso e encolherem os ombros, perante as denúncias e por vezes revolta. Tenho a certeza de que gostariam que desaparecesse, mas, ao não conseguirem fazê-lo, não me querem como inimigo declarado.

Devemos e temos que ter a ousadia e a determinação de incomodar, chamando à atenção para fazer pensar quem nos lê, escuta e vê, de modo a que haja uma visão diferente do poder instalado. É importante assinalar os abusos, imbecilidades, cinismo, desfaçatez, as suas razões grotescas. Por fim, exigir que nos prestem contas e que expliquem as suas decisões.


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