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Quinta-feira, Julho 7, 2022

A Mesquita da Mouraria

Rui Amaral
Rui Amaral
Gestor de Empresas

Rui AmaralA CML quer expropriar três prédios na Rua do Bemformoso declarando-os de utilidade pública. O objectivo é a criação de uma praça, entre esta artéria e a Rua da Palma, edificando aí uma Mesquita. Com o nosso dinheiro.

Muito se disse na comunicação social sobre a justiça/injustiça desta iniciativa da CML e não é intenção desta peça elaborar mais sobre estas perspectivas.

Pretende-se abordar a questão da Mesquita, paga com o nosso dinheiro. E nesta perspectiva colocam-se diversas questões.

 

Um Estado laico deve pagar ou subsidiar a construção de templos religiosos?

Não se vê qualquer racional para defender uma subsidiação deste tipo. O facto de estarmos perante uma expropriação (polémica ao que parece) e de se querer aí construir uma Mesquita leva-nos a perguntar: o que estará por trás disto?

É escusado vir-se, no futuro, argumentar que a população quer a sua construção porque todos sabemos como se constroem essas vontades e isso nada tem a ver com a subsidiação.

A realidade é que o projecto não nasce de uma necessidade destes emigrantes e se nascesse que paguem a sua construção.

Estas questões não se colocariam se o objectivo fosse a valorização do espaço publico com a simples construção duma Praça.

 

É necessária, para a comunidade muçulmana, a construção desta Mesquita?

Lisboa tem duas grandes Mesquitas: uma em S. Sebastião, cuja construção foi subsidiada por países islâmicos e outra junto à Universidade Católica.

A primeira agrupa muçulmanos oriundos dos nossos territórios africanos, e é sunita. A segunda é ismaelita, é da Fundação Aga Khan e tem grande implantação entre os indianos portugueses que rumaram a Moçambique.

Ambas as comunidades estão, desde o início, integradas na nossa sociedade e não se constituíram em guetos.

Estudo prévio de arquitectura da Praça da Mouraria, da autoria de Inês Lobo
Estudo prévio de arquitectura da Praça da Mouraria, da autoria de Inês Lobo

Na Mouraria existem duas Mesquitas que servem a comunidade que ali vive, maioritariamente oriunda do Bangladesh. Uma delas em prédio habitacional.

É uma comunidade mal integrada, que fala mal ou não fala português e que maioritariamente se dedica ao comércio.

Os locais não se sentem à vontade para falar sobre a nova Mesquita mas os que acabam por falar não vêm necessidade nem justificação para a sua construção.

O sucesso dos seus comércios está certamente nos preços praticados que são possíveis dadas as inaceitáveis condições em que vivem. Superlotando habitações arrendadas, baixam suficientemente os custos das suas explorações familiares.

 

Haverá outras aplicações para o nosso dinheiro, mais urgentes e consentâneas, em termos sociais?

Uma população que vive em casas arrendadas, sobreocupadas e, consequentemente, em situações inaceitáveis merecia atenção, estudo e soluções. Em países como a Suécia ou a Suiça, para citar dois exemplos, era impossível uma dezena de pessoas habitarem duas assoalhadas. Ou haver um restaurante chinês em que os empregados vivem em camaratas no 1º piso deslocando-se exclusivamente entre o restaurante e a camarata.

Acabar-se com os restaurantes chineses clandestinos não seria uma acção mais interessante?

Também o nosso dinheiro seria mais bem aplicado no ensino da língua portuguesa a estas minorias e criando condições para evitar a constituição de guetos que é o que paulatinamente vem acontecendo nesta zona da nossa cidade. A Rua do Bemformoso é designada pelos chineses como a rua dos indianos.

A guetização é negativa mas a multiculturalidade que caracteriza a Mouraria é uma mais valia.

Está nas nossas mãos potenciar o que é positivo e eliminar o que é negativo. A CML e as Juntas podem ser os instrumentos destas transformações.

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