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Sábado, Dezembro 9, 2023

Miles Davis: So What | Inovador até ao fim

José Alberto Pereira
José Alberto Pereira
Professor Universitário, Formador Consultor e Mestre em Gestão

Em 1968 Miles casa com Betty Mabry e inicia-se no acid rock, ouvindo Sly and The Family Stone, James Brown e Jimi Hendrix. Estas novas influências materializam-se em 1969, quando Miles grava “In a Silent Way” e dá origem ao seu período elétrico. Para além do quinteto base participam no álbum Joe Zawinul, John McLaughlin e Chick Corea. “In a Silent Way” é a antecâmara para outra obra maior na carreira de Miles, gravada seis meses depois e denominada “Bitches Brew”. Trata-se do primeiro álbum de jazz-rock que foi gravado e nele participam Jack DeJohnette, que substituiu Tony Williams no quinteto, Airto Moreira e Bernie Maupin. Os temas são muito extensos, alguns com mais de vinte minutos, sendo tocados integralmente apenas em estúdio, sob a batuta do produtor Teo Macero. Ao vivo o quinteto toca versões parciais destes temas, já com o baixista inglês Dave Holland no lugar de Ron Carter. O período elétrico conduz gradualmente a música de Miles ao funk, facto a que não é estranho a passagem pelo quinteto de músicos como Billy Cobham, Gary Bartz, Keith Jarrett, Don Alias, Ndugu Leon ou James Mtume. O funk é a base do álbum “On the Corner”, de 1972, que gerou forte controvérsia na crítica.

Depois de “On the Corner” Miles forma novo grupo, que inclui sitar, tabla e percussão. Os temas continuam longos e baseados em jam sessions de estúdio, como ocorre em “Big Fun”, de 1974, ou em “Get Up With It”, de 1975. Depois destes álbuns e de várias gravações ao vivo, Miles retira-se quase integralmente durante seis anos, devido a problemas de saúde. Miles volta em 1981 com o álbum “The Man with the Horn” e um grupo que inclui, entre outros, o guitarrista Mike Stern, o saxofonista Bill Evans, o baterista Al Foster e o baixista Marcus Miller. A este grupo juntam-se em 1982 o percussionista Mino Cinelu e o guitarrista John Scofield. Com esta formação é lançado “Decoy” em 1984 e “You’re Under Arrest” em 1985. Em 1986 Miles lança “Tutu”, que dedica ao arcebispo sul-africano e no qual Marcus Miller se destaca. “Tutu” é inovador nos equipamentos de estúdio que utiliza, como sintetizadores, samplers e loops, e corresponde a uma nova face para a música de Miles. O álbum é muito bem aceite pelo público e pela crítica, alcançando um Grammy em 1987. Ainda em 1987 lança “Siesta”, banda sonora do filme homónimo de Mary Lambert.

Em 1989 Miles lança “Amandla”, álbum contemporâneo ao concerto do Coliseu. Em 1990 recebe o Grammy Lifetime Achievement pela sua carreira e em 1991 participa em “Dingo”, filme de Rolf de Heer que coloca Miles como estrela do jazz a tocar no deserto australiano. Miles morre de AVC em Santa Mónica, a 28 de setembro desse ano. Está sepultado no Woodlawn Cemetery, no Bronx.

Com uma obra de 130 álbuns editados, alguns deles seminais, com 9 Grammys ganhos entre muitas outras distinções, o carácter insubmisso e genial de Miles Davis faz dele uma das grandes referências da história do jazz em particular e da música em geral. A sua música foi uma provocação contínua às regras e ao mainstream, sendo ainda hoje fonte de inspiração para músicos de todo o mundo. Como ele próprio diria: So What?

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