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Terça-feira, Julho 5, 2022

Morreu Sidney Poitier, o actor negro que desafiou o racismo no cinema

M. Azancot de Menezes
M. Azancot de Menezes
PhD em Educação / Universidade de Lisboa. Timor-Leste

O Governo das Bahamas confirmou a sua morte. Sidney Poitier, o primeiro negro a ganhar um Óscar no cinema, o excelente actor que causou clamor e posições de destaque jamais imagináveis para actores negros, faleceu aos 94 anos de idade.

O primeiro filme de Poitier, “O Ódio é Cego”, realizou-se em 1950, onde interpretou o papel de um jovem médico que tratou um paciente racista. O actor, apesar de negro, obviamente pela sua qualidade profissional, personalidade e encanto, participou em mais de 40 filmes, todos eles com grande  impacto social, cultural e político.

O actor representou papéis diversos, como detective, cowboy, médico, entre outros, alguns deles geradores de polémica. O filme “Porgy and Bess”, por exemplo, um musical estreado na Broadway em 1933, irritou muitos críticos, principalmente pela natureza estereotipada dos personagens e a descrição da cultura negra com jogos de azar, violência e vícios.

No final da década de 60, representando um detective que combateu o preconceito na cidade do Mississippi, com o filme “No Calor da Noite”, ou no filme que tive o prazer de ver, intitulado, “Adivinhe Quem Vem para Jantar”, onde se observa a sua mestria na conquista dos pais da noiva, uma mulher branca com quem ele se apaixona, vencendo os tabus raciais, fizeram deste actor uma personalidade respeitada em todo o mundo.

Sidney Poitier, com o seu estilo de actuação e devido aos papéis que representou em oito clássicos do cinema contra o racismo, com muita determinação, tendo-se recusado sempre a assumir papéis que entendeu serem humilhantes, tornou-se admirado e abriu o caminho para que outros actores negros tivessem reconhecimento e destaque.

O cinema está de luto.

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