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Quinta-feira, Junho 24, 2021

Músicas: as bandeiras vermelha e verde-amarela com solidariedade, afeto e compaixão. Por que não?

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Esta seleção musical segue os critérios do momento. No mês de março o Partido Comunista do Brasil, o PCdoB, completou 99 anos de resistência e luta pelos interesses nacionais e da classe trabalhadora. Fundado em 1922, pouco antes da Semana de Arte Moderna, o PCdoB é homenageado com “A Bandeira do Meu Partido”, de Jorge Mautner.

Outra homenagem importante está aqui com a canção “Júlio, o Lancellotti”, de Ana Person. O padre Júlio Lancellotti tem destacada atuação à frente da Pastoral do Povo de Rua, em São Paulo. Um símbolo de amor ao próximo e contra a perversidade do capital.

Além dessas duas canções, estão outras duas para reforçar a necessidade de engajamento permanente para transformar o mundo num local bom de se viver, sem miséria, sem acumulação de riquezas, sem violência, sem ditadura. Um mundo de respeito às diferenças e a soma de esforços para um avanço civilizacional construindo um futuro de igualdade, sem medo de ser feliz. Aprecie sem nenhuma moderação.

Ana Person

Do interior de São Paulo e na estrada há muitos anos, a compositora e cantora de músicas infantis, Ana Person presta uma justa homenagem ao padre Júlio Lancellotti, responsável pela Pastoral do Povo da Rua na capital paulista, quando Lancellotti foi à rua dar marretadas em pedras colocadas sob viadutos para impedir que moradores de rua se abrigassem ali. Ela conta que em 2 de Fevereiro, ela viu “uma foto do Padre Júlio Lancellotti, o defensor dos pobres e excluídos, quebrando pedras que foram colocadas embaixo de um viaduto na Mooca, em São Paulo, como forma de manifestação contra a medida higienista da prefeitura”.

Para “a imagem das pedras embaixo do viaduto é impressionante, ficou na minha mente, impactou meu Ser e logo no dia seguinte eu transmutei a dor, a indignação compondo essa música e letra, pensando que as crianças poderiam ouvir, cantar e quem sabe fazer diferente no futuro do que nós, adultos estamos fazendo no presente”.

Júlio, o Lancellotti (2021), de Ana Person

Jorge Mautner

A família de Jorge Mautner fugiu do nazismo e veio parar no Brasil. Para o bem da MPB e da literatura. Esse artista carioca multimídia teve atuação importante no tropicalismo – movimento de contracultura dos anos 1960. Suas músicas foram gravadas Por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Science, só para ficar em alguns grandes nomes da MPB.

Ele mesmo conta que compôs “A Bandeira do Meu Partido” em 1958. Durante o 14º Congresso do PCdoB, em novembro de 2017, ele cedeu os direitos autorais dessa canção ao partido, que se transformou numa espécie de hino dos comunistas.

“A bandeira do meu partido
é vermelha de um sonho antigo
cor da hora que se levanta
levanta agora, levanta aurora!
Leva a esperança, minha bandeira
tu és criança a vida inteira
toda vermelha, sem uma listra
minha bandeira que é socialista!
Estandarte puro, da nova era
que todo mundo espera, espera
coração lindo, no céu flutuando
te amo sorrindo, te amo cantando!
Mas a bandeira do meu Partido
vem entrelaçada com outra bandeira
a mais bela, a primeira
verde-amarela, a bandeira brasileira”

 

A Bandeira do Meu Partido (1958), de Jorge Mautner

 

 

Cris Pereira

A sambista brasiliense, Cris Pereira compôs uma canção muito forte “Corpo Meu”, com interpretação de Fabiana Cozza, para a campanha “Nem Pense em Me Matar – Quem Mata uma Mulher Mata a Humanidade”; emocionante. Como ex-integrante do grupo Batucada de Bamba, Cris encanta com sua voz potente e canções marcadamente feministas e antirracistas desde 2005.  Um dos grandes talentos da música popular brasileira contemporânea.

“Houve um dia, que eu até sentia medo
Que você chegasse cedo
Pro meu corpo machucar.
Mas eu virei o tabuleiro
Este jogo, companheiro,
Eu não vou mais aceitar.
Nem pense em me matar”

 

O Corpo É Meu (2021), de Cris Pereira; canta Fabiana Cozza

 

 

Chico Buarque

Esta canção composta em 1970 é uma das músicas políticas de Chico Buarque de forte ataque à ditadura (1964-1985) com esperança de um futuro de liberdade e de vida. Chico Buarque dispensa maiores comentários, sua trajetória singular na cultura brasileira e mundial o coloca num pódio da arte brasileira.

“Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar”

 

Apesar de Você (1970), de Chico Buarque, canta Daniela Mercury


Texto em português do Brasil


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