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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

Nas ruas, a afirmação de uma luta com história

Rogério V. Pereira
Estudou Engenharia Química no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Começou a trabalhar como Técnico de Organização Industrial e terminou no topo da carreira, como sénior manager, nas áreas da consultoria em organização e gestão.

Somos a memória que temos, escrevo eu com uma frequência tal que já não sei se a expressão é minha ou se a devo a Saramago.

Se é verdadeira quando aplicada aos povos (e a nós próprios) não deixa de o ser se aplicada às organizações. O Movimento Democrático das Mulheres – MDM, não foge a tal regra.

O que foi o MDM ontem determina o que ele é hoje. A génese do Movimento, nas suas contradições e nas querelas que antecederam a sua constituição, marcam o que é, o que rejeita ser e afirma-se mais forte do que nunca.

Quando, em 1968, numa assembleia na Padaria do Povo em Lisboa foi criado o Movimento, este já herdava todo um passado que vem desde a Liga Republicana de Mulheres ultrapassando todas as contradições e divisões.

Da Liga, conta-se que a sua líder, Ana de Castro Osório, marcou a luta de então por posições contraditórias e elitistas, «quando defendia aguerridamente e justamente a educação para as mulheres mas condenava por exemplo a greve das conserveiras de Setúbal que lutavam pelo aumento de salários.»

Maria Lamas

Da cisão da Liga resultaram dois movimentos: Em 1916, a Associação Feminina da Propaganda Democrática, que teve duração efémera; em 1914, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP).

Desde então, este atravessa adversidades, duas guerras até que em 1945, Maria Lamas no cargo de sua Presidente relança o movimento no plano nacional chamando mulheres e jovens de vários estratos sociais. O CNMP, organizador de várias iniciativas de grande alcance envolvendo largas franjas de mulheres, faz temer o regime fascista que em 1947 determina o seu encerramento.

Em 1968, como referido, é criado o MDM. Este que esteve hoje na rua. Fiel à luta que marcou o seu passado e resistente às divisões de então. Com a mesma convicção na defesa dos valores de Abril e sem embarcar em ilusões de que o momento é para abrandar a luta. A chamada “geringonça” é uma esperança. Mas é tão só isso, uma esperança. O resto, tudo o que falta, só com luta será alcançado. E o Movimento sabe-o! E as mulheres hoje o demonstraram.

Imagem de destaque de André Levy
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