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Quinta-feira, Julho 7, 2022

Nascido há 60 anos, Michael Jackson representou o submundo e a fina nata da indústria pop

Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical e jornalista do site Radio Peão Brasil. Escreveu o livro "O mundo do trabalho no cinema", editou o livro de fotos "Arte de Rua" e, em 2017, a revista sobre os 100 anos da Greve Geral de 1917

Michael Jackson, que faria 60 anos ontem, 29 de agosto de 2018, representava, ao mesmo tempo, o submundo e a fina nata da indústria cultural. Sua habilidade em associar o mundano ao extraordinário fez dele rei da sua geração.

Na opinião do jornalista Ricardo Franca Cruz, editor da revista Rolling Stone Brasil, o cantor não era apenas a mais importante cara da cultura pop: Michael Jackson era a pura cultura pop.

Esta construção – do formato da cultura pop – se deu ao longo de uma carreira tumultuada, que começou aos cinco e terminou aos cinquenta anos de idade, quando o ídolo morreu, em junho de 2009.

Thriller

Michael Jackson saiu do anonimato à frente do grupo Jackson Five, ao lado de seus irmãos, na década de 1960. Mas foi sozinho que se consagrou.

O auge de seu sucesso se deu com o lançamento do álbum Thriller, em 1982, que mistura soul, funk e disco e pop. O disco, que ficou por 80 semanas no top 10 dos Estados Unidos, incluindo 37 semanas em primeiro lugar, contou com a participação de grandes nomes, como Paul McCartney (“The girl is mine“) e o guitarrista Eddie Van Halen (“Beat it“). Recebeu 27 discos de platina (27 milhões de cópias) nos EUA e foi o único álbum que liderou as vendas durante dois anos consecutivos (1983 e 1984).

O videoclipe da música tema, e homônima, do álbum, dirigido pelo cineasta John Landis (The Blues Brothes e Um Lobisomem Americano em Londres), foi reconhecido como inaugurador de um novo formato. A música também conta com a lendária participação do ator Vicent Price, que narra o final da música.

Sucessos memoráveis

Aquele estrondo nunca mais se repetiu nem na carreira de Jackson, nem de nenhum outro músico. Mas, embora apenas a genial Thriller, com seu vídeo mítico, já justifique a fama de Jackson, é um erro dizer que ela foi sua única grande obra. Ele também compôs sucessos memoriáveis, com fina qualidade musical e artística e com sua voz que desliza como seda.

Em 1985 ele co-produziu e co-escreveu a música We Are The World, que ajudou a estabelecer o padrão contemporâneo de militância cívica e cosmopolita dos artistas.

O cantor também se apresentou ao vivo no Brasil em 1993, voltando ao país em 1996 para gravar o clipe da canção They Don’t Care About Us (Eles não se preocupam com nós), no Rio de Janeiro e na Bahia, com o grupo Olodum.

Acusações

Escândalos e acusações envolveram o artista a partir de 1993. Ele teve de responder a longos processos e acusações de pedofilia. O último destes julgamentos terminou em junho de 2005 com sua absolvição de todas as dez denúncias.

Em março de 2009, depois de várias tentativas de recomeço, o cantor anunciou uma turnê de 50 apresentações em Londres, que se estenderiam até fevereiro de 2010. A expectativa do público era tão grande que os ingressos se esgotaram depois de algumas horas de serem postos à venda.

Mas os shows não ocorreram. No dia 25 de junho de 2009, Jackson sofreu uma parada cardíaca em sua casa, em Los Angeles, e morreu aos 50 anos de idade.

Dramas pessoais

Em 2000 Michael concedeu uma entrevista ao repórter britânico Martin Bashir e falou sobre a relação problemática com o pai, o ex metalúrgico, que se tornou empresário dos filhos, Joseph Jackson.

Em parte, a rigidez do trabalho que fazia desde muito criança explicavam porque ele se tornou um adulto com hábitos infantis, fato que tem na construção de seu propriedade, Neverland, um misto de rancho e parque de diversões, sua maior expressão.

Além disso, em uma longa e pública agonia, Michael Jackson se metamorfoseou. Afinou o nariz , alisou o cabelo, clareou a pele. Tornou-se um ser humano integralmente excêntrico.

Sua imagem cada vez mais estranha, entretanto, não o diminuiu perante a comunidade negra nos EUA – o superstarrepresentava uma cultura de raiz e nunca renegou sua origem.

A análise da obra de Michael Jackson vai longe. Ela é cheia de símbolos e contradições, e envolve toda uma geração formada no difícil contexto econômico das décadas de 1980 e 1990. Naquele período, com o advento do canal musical MTV e com o crescimento acelerado de novas tecnologias, o universo pop explodiu, ditando regras e se infiltrando em todos os poros da vida dos jovens. Jackson não é fruto deste processo, ele é precursor dele.

Os rebeldes, os marginalizados e  os contrarregras

Em suas músicas e videoclipes, ao contrário do mocinho branco, ocidental e redentor, que combate o “incômodo” à classe burguesa, ele encarna os rebeldes, os marginalizados,  os contrarregras. Basta ver em BAD e no icônico Thriller, onde, em vez de combater zumbis ele é o próprio zumbi.

Desde o ABC, dos irmãos Jacksons Five, até a preparação para a turnê This is It, em Londres, Michael Jackson teve uma carreira densa que fez escola e influenciou milhões de pessoas.

 

Assista o vídeo de Thriller

 

Texto em português do Brasil

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