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João de Sousa

Quarta-feira, Outubro 27, 2021

Natal

Maria do Céu Pires
Doutorada em Filosofia. Professora.

No ano 350 D.C. o Papa Júlio I proclamou a data de 25 de Dezembro como data oficial de celebração do nascimento de Jesus, substituindo a veneração ao deus sol. Assim, a Igreja católica incorporou nos seus cultos as antigas tradições de cultos pagãos, cristianizando-os.Todos eles remetem para as celebrações do solstício de inverno que tiveram uma importância decisiva nas culturas antigas como celebração do renascimento do sol. O fim do ano agrícola e religioso e as expectativas quanto às próximas colheitas marcam uma forte representatividade simbólica destas festividades, também associadas à fecundidade e, portanto, ao nascimento. Estes elementos estão presentes na mitologia nórdica e, de uma forma muito evidente na Saturnália festividade romana em homenagem ao deus Saturno e outras divindades ligadas ao sol.

A Saturnália incluía grandes banquetes e sacrifícios ao deus, visitas a amigos, troca de presentes e também a subversão da ordem social: durante os dias de festa todos os seres humanos, escravos e cidadãos ficavam em igualdade. De salientar também a tradição dos madeiros, grandes fogueiras acesas no centro da aldeia e, posteriormente, no adro da igreja. Tendo o fogo várias significações, uma delas é a sua ligação ao lar e, portanto, à família e às crianças.

Incorporando todos estes ingredientes, particularmente o que se refere à ideia de nascimento, a mais revolucionária de todas, o Natal cristão acrescentará outros elementos bem significativos de uma nova mensagem. Destaco alguns: a universalidade do amor e da solidariedade, a humildade e a esperança. Onde poderá haver mais força e beleza do que nesta imagem de um deus tornado humano/menino e que nasce entre pastoDeres? Não conheço maior lição de humildade do que esta! E nela, tudo está condensado: partilhamos uma comum pertença, a da humanidade, e uma esperança, a da estrela que ilumina corações.

Assim é tempo de lembrar que este tempo não é de andorinhas mas de pastores! Não é de cinismo político, vazio cultural e arrogância, não é de desigualdade mas de igualdade! É o tempo de lembrar que é preciso nascer de novo. Que é urgente voltar à gruta de Belém e entender a sua mensagem!

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