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Terça-feira, Julho 5, 2022

O afastamento do Poder

Beatriz Lamas Oliveira
Beatriz Lamas Oliveira
Médica Especialista em Saúde Publica e Medicina Tropical. Editora na "Escrivaninha". Autora e ilustradora.

De vez em quando parece haver alguma, talvez verdadeira, preocupação, nos meios do Poder, pelo afastamento e indiferença dos cidadãos face à política, traduzidos no abstencionismo e encolher de ombros.

De vez em quando parece haver alguma, talvez verdadeira, preocupação, nos meios do Poder, pelo afastamento e indiferença dos cidadãos face à política, traduzidos no abstencionismo e encolher de ombros, perante seja qual a catástrofe que aconteça. Atenção voltada para o futebol, isso sim! Para o futebol ou para a hepatite

De forma aparentemente aberrante, o cidadão, indiferente e apático, só de vez em quando e abruptamente buzina, chora, grita e canta o fado.

Porquê?

Como é que o poder político obtém informação sobre o “estado de espírito” das gentes lusitanas? Será por exemplo, através da ressonância provocada por artigos publicados nos meios de comunicação social? Essa ressonância parece confusa, desconexa e paradoxal? Desinteressante?

Ou essa informação filtrada consegue servir para sentir o pulso e auscultar a respiração da população?

Mas afinal os portugueses “deste país” são abúlicos ou não?

Como analisar e interpretar a realidade social?

Porque o risco, para o poder, de não ser capaz de interpretar a realidade social é a de se colocar fora dela. Ou seja, é o risco de se tornar esquizóide.

Um poder esquizóide retém informação, esconde-a, é tentado por práticas mágicas e ocultas a secretizar as suas decisões. Estes métodos geram instintiva desconfiança e afastam ainda mais a população. Um ciclo vicioso e perigoso.

Como saber o que pensam os Portugueses, eis a questão.

Através de inquéritos e sondagens? Na rua, pelo telefone, porta-a-porta? Ou exclusivamente nas calendarizadas eleições?

A forma como as perguntas são colocadas aos possíveis entrevistados enviesa as respostas? As crenças, atitudes, comportamentos de quem realiza inquéritos e sondagens influi na forma como são avaliados e interpretados?

Os relutados destas pesquisas de opinião são variáveis em função de quem as encomenda e porquê?

Há respostas para estas perguntas. Mas as respostas só se obtêm depois de pensar: que objectivo pretendo obter quando faço uma investigação?

Porque, se o objectivo último de conhecer a realidade social for manipulá-la mais e melhor, então não vale a pena tentar o trabalho de a conhecer. Mais vale ao poder inventá-la. Fica mais barato. E é definitivamente delirante.


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