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João de Sousa

Quinta-feira, Dezembro 9, 2021

O claudicar da educação

A educação é a componente mais complexa da estrutura social porque é nela que assenta o comportamento do indivíduo e, por via deste e do seu conjunto,  irradia diretrizes para toda a orgânica motora da evolução e organização das sociedades. Passadas, presentes e futuras. Por isso, o desafio que se coloca ao poder político e demais agentes envolvidos, professores e alunos, é a discussão do modelo de ensino e a educação no seu todo.

Desde o modelo corporativo, cooperativo, privado, público, ou misto,  todos eles defendem que a primazia referencial é sempre o interesse do aluno como pedra angular da sociedade do futuro.

O que vulgarmente não é referenciado são os interesses em disputa e dos quais o primado anunciado – os alunos – são sempre o elo mais fraco e por isso o mais prejudicado nesta contenda.

Não há, também por isso, um modelo consensual de que se conclua ser o mais eficaz nos propósitos a que todos eles se propõe. Embora se possa concluir que a maioria dos docentes defende a escola pública como o modelo que tem melhor condição para assegurar com qualidade, ao aluno, o futuro que merece.

As Associações de Pais tendencialmente divergem por extrato social e os alunos não tem opinião formada segundo auscultação.

Por inerência de conjuntura política, as questões que ultimamente se tem colocado no espectro político prenunciam opção política de Municipalização e privatização do ensino numa lógica neoliberal da sustentabilidade financeira do Estado na relação linear da conta global de receita/despesa no quadro do Orçamento Geral do Estado elaborado por conceito político conservador, de que resulta circunstância que quando incide sobre a sociedade causa efeitos transversais em que a classe social envolvida, e por isso visada, não é poupada. Antes pelo contrário. Acaba por ser a primeira vítima de um alvo que é bem mais lato do que aquilo que se possa imaginar. E não é possível imaginar, porque os efeitos colaterais são sempre incontabilizaveis. Acontecerá, a médio prazo, um significativo abaixamento dos níveis do saber e do conhecimento hoje existentes, empobrecendo a capacidade competitiva da geração afetada, em todos os domínios. Desde logo o acesso à qualificação que garanta condição de empregabilidade num mundo em permanente inovação técnica e tecnológica.

A primeira fase deste processo já faz história de luta por direitos fundamentais de classe social de onde se extrapolam sinais claros dos objetivos finais de opção política vincada, e vinculada, a que haja um retrocesso civilizacional alargado.

No presente, temos uma classe profissional, a dos professores, a ser o alvo preferencial das políticas neoliberais do atual governo e da maioria que o sustenta. O que não é nada de novo na sua estratégia de poder. O que é estranho, é a classe média não ter a noção dessa realidade e por isso, não ter acautelado, ao longo do processo formativo – no caso -, de forma a que a educação que alicerça a mente no presente, aloje raciocínio inadequado ao tempo! Porque a formação da mente não tem acompanhado a evolução dos meios.

Obviamente, de que a postura política do poder financeiro tem objetivos ancestrais que tem que ver com o nível de educação existente nas suas populações. Ou seja; Quanto mais inculto for um povo, mais fácil é de governar, e com maior facilidade aceitam tudo aquilo que lhes é imposto de forma a que os privilégios de classe superior e dominante sejam condição existencial.

A que acresce o percurso titubeante de uma esquerda política que interiorizou raciocínio de que as contradições sociais e do modelo político assentes em regras com base na procura e na oferta, a produção e o consumo, e o constante aumento da componente compulsiva introduzida pelos meios produtivos. Desta forma surge a necessidade de ajustamento que equilibre a correlação das forças em presença. Financeiras, econômicas, políticas, sociais.

Esta dinâmica de evolução das sociedades tem trazido alterações de conjuntura política e social em que a equidade distributiva dos recursos naturais existentes, face ao nível educativo necessário ao desbravar do conhecimento em todos os domínios que responda com eficácia a necessidades prementes da Humanidade, tem sido o aliado natural do pensamento político da esquerda que se baseia essencialmente nesta componente da existência e da vida.

Simplesmente, os tempos mudaram. Os níveis do conhecimento e do saber atingiram patamares que ultrapassam a existência física.

E, à esquerda, a História ficou sem pensadores políticos com alternativas de mudança.

Urge por isso, discutir com seriedade intelectual esta problemática, que sendo vital para a Humanidade, parece ser de somenos importância para o poder político em exercício.

Porque o modelo a implementar será o construtor da sociedade do futuro!

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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