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Domingo, Outubro 17, 2021

O Corno de África

Beatriz Lamas Oliveira
Médica Especialista em Saúde Publica e Medicina Tropical. Editora na "Escrivaninha". Autora e ilustradora.

Etiópia, Djibouti, Somália, Eritreia e um Prémio Nobel da Paz Africano

Quem é Abiy Ahmed, Primeiro Ministro da Etiópia e Nobel da Paz 2019

Filho de pai muçulmano e de mãe cristã ortodoxa. 43 anos.

Ex-oficial de inteligência do exército, desde que se tornou primeiro-ministro Abiy Ahmed, lançou um amplo programa de reformas políticas e económicas e trabalhou para intermediar acordos de paz na Eritreia, no Sudão do Sul, e um acordo de transição na República do Sudão.

Enquanto serviu na Força de Defesa Nacional da Etiópia, Abiy recebeu um diploma de bacharel em engenharia da computação pelo Microlink Information Technology College em Addis Abeba em 2001. Tem um curriculum académico impressionante e frequentou entre outras a Grenwitch University (Londres)

Em 2015, Abiy tornou-se uma das figuras pacificadoras centrais na luta violenta contra atividades ilegais de apropriação de terras na região de Oromia e, especialmente, em torno de Adis Abeba. Esse Plano Diretor de Adis Abeba, que estava no centro dos planos de apropriação de terras, tinha sido interrompido em 2016, mas as disputas continuaram por algum tempo, resultando em ferimentos e mortes. Foi essa luta contra a apropriação de terras que finalmente impulsionou a carreira política de Abiy, e o levou a ser o centro das atenções e permitiu que ele iniciasse uma clara carreira política.

Já em fins de Abril de 2018, o então recém eleito primeiro-ministro etíope , foi a Djibuti, na sua primeira viagem oficial, propor um novo mercado ao seu anfitrião, o presidente Ismaïl Omar Guelleh: participar na construção das infraestruturas portuária atual ou futura de Djibuti, em troca de participações na Ethiopian Airlines ou de parceria com operadores do setor de telecomunicações etíope.

O programa da visita foi intenso para Abiy Ahmed e para a forte delegação de funcionários que o acompanharam. Ambos os dirigentes decidiram”fortalecer a integração entre os dois países”.O porto de Djibouti, é hoje o único acesso marítimo da Etiópia com 105 milhões de habitantes.

Neste preciso momento e antecipando a abertura do sistema bancário etíope à concorrência estrangeira, finalmente ratificada este ano, o quinto maior banco do país, o Banco da Abissínia consolidou-se e melhorou sua rentabilidade. Aumentou sua participação de mercado, tornando-o um dos maiores bancos do continente BOA é o quinto maior banco da Etiópia. Um país de quase 105 milhões de pessoas cuja economia está entre as menos abertas do continente a investidores estrangeiros e com a utilização bancária limitada a apenas 35% da população adulta em 2017, segundo o Banco Mundial.

Saíram notícias questionando se Abiy Ahmed, da Etiópia, merece o Prémio Nobel da Paz.

Por mim congratulo-me. O primeiro-ministro etíope deve receber prémio na capital da Noruega.

Ao anunciar sua decisão em outubro, o Comité do Nobel da Noruega saudou o trabalho de Abiy nas reformas domésticas e esforços para alcançar a paz e a cooperação na região desde que assumiu o cargo em abril de 2018.

 

Etiópia

O Império Etíope ou Abissínia incluía os territórios da Etiópia e da Eritreia, existindo desde 1270 até 1974, quando a monarquia foi deposta por um golpe de estado. Foi na sua época o mais antigo estado do mundo, cuja independência resistiu com sucesso à tal Partilha de África pelas potências coloniais do século XIX. A Etiópia ficou com a Eritreia após o fim da Segunda Guerra Mundial, (período em que esteve ocupada pela Itália, uma das Forças do Eixo fascista) território que manteve até depois da dissolução da monarquia até à separação em 1993.

 

Quem é Ismaïl Omar Guelleh, Presidente do Djibouti

Ismaïl Omar Guelleh, 73 anos, presidente do Djibuti, está no cargo desde 1999. Ele é frequentemente referido na região por suas iniciais IOG. Guelleh foi eleito presidente em 1999 como sucessor escolhido pelo tio, Hassan Gouled Aptidon, que governava o Djibuti desde a independência em 1977.

Guelleh foi reeleito em 2005, 2011 e novamente em 2016. As eleições de 2011 foram boicotadas pela oposição e houve numerosas denúncias de irregularidades. Guelleh é considerado um ditador e seu governo é alvo de criticas pelos grupos de direitos humanos.

Depois da independência de Djibuti, foi chefe da polícia secreta e chefe do gabinete do governo de seu tio Hassan Gouled Aptidon. Teve treino no Serviço de Segurança Nacional da Somália e, em seguida, do Serviço Secreto Francês.

Djibuti

O Djibuti é um país localizado no Corno de África. (ver mapa) habitado por dois grupos étnicos, o somali, maioritário e o povo afar. 1 milhão de habitantes.

Nos últimos tempos, a China intensificou sua presença militar na África, com planos em andamento para garantir uma presença militar ainda maior em Djibuti, especificamente. A presença da China no Djibuti está ligada a portos estratégicos para garantir a segurança dos ativos chineses. A localização estratégica de Djibuti torna o país alvo privilegiado para uma maior presença militar. O país tem escassos recursos naturais.

Somália e Somalilândia

A situação política da Somália é confusa. Tem quase dez milhões de habitantes.

Vários senhores da guerra dominam diferentes zonas do país. Com o transcorrer da guerra civil, quatro estados autónomos surgiram na Somália após 1990, e destes apenas a Somalilândia, em 1991, proclamou a independência, os outros três reivindicam o estatuto da autonomia dentro de uma Somália unificada. Não é um estado reconhecido internacionalmente mas é um estado de facto.

A Somalilândia mantém uma existência estável, auxiliado pelo domínio de um governo forte e com a infraestrutura económica deixada por programas de auxílios militares ingleses, russos, e americanos.

Calcula-se que tenha uma população entre os dois milhões e meio e os três milhões e meio.

Desde o início da guerra civil, nos anos 90, que os somalis se tornaram famosos pela pirataria nas águas ao largo do Corno de África, sequestrando petroleiros e cargueiros navios e respetivas tripulações em alto mar, em troca de resgate, tornando a região uma ameaça à navegação internacional. As notícias sobre essa pirataria eram diárias.

Uma coligação internacional contra esta atividade pouco ortodoxa foi criada em 2018 sob a égide das Nações Unidas. A situação acalmou, mas os pescadores somalis, ex combatentes, transmutados em piratas ainda não se afastaram das águas do Golfo de Áden.

 

Eritreia

É outro dos países do Corno de África. Com 5 milhões de habitantes.

Após a decisão da A.G. das nações Unidas, em 1952, a Eritreia teve um governo com um parlamento local em formou uma federação a Etiópia durante 10 anos. Em 1962, o governo da Etiópia dissolveu o parlamento da Eritreia e anexou-a. Mas o povo Eritreu defendia a completa independência da Eritreia desde 1942, quando a Itália deixou de ser a potência colonial. A Frente de Libertação da Eritreia, fora fundada em 1960. Em 1991, após 30 anos de luta armada, a população do país votou pela independência da Etiópia num referendo supervisionado pela ONU, vencendo por uma grande maioria, fazendo com que a Eritreia declarasse oficialmente sua independência e ganhasse reconhecimento absoluto internacional em 24 de maio de 1993. Esta independência privou a Etiópia do acesso ao mar. E causou uma guerra sangrenta. Este conflito fez oitenta mil mortos.Terminado conflito em Junho de 2018 depois do Presidente, agora Nobel da Paz, ter decidido dar passos para a reconciliação entre os dois países.

 

Antecedentes Históricos

 

A Partilha de África foi a atomização da ganância europeia pelos ricos territórios africanos, o período de neo imperialismo, entre a década de 1880 e a I Guerra Mundial em 1914-1918.

França, Reino Unido, Itália, Bélgica, Alemanha,Portugal, Espanha tentaram apropriar-se dos territórios que lhes pareciam mais ricos e mais a talhe de foice.

Por volta de 1880 o”imperialismo informal” através da influência militar e do domínio económico transforma-se no desejo de domínio direto. De 1884 – 1885, na Conferência de Berlim, sentados à mesa o Reino Unido, A Alemanha e a França. Mesmo assim não foi possível clarificar os interesses de cada uma das três potências.

A ganância pelo continente africano foi mais um dos fatores na origem da I Guerra Mundial.

O atual Djibuti era a Somália Francesa. A Itália era dona da Eritreia e da Somália Italiana. A Somalilândia pertencia à Inglaterra.

Abiy Ahmed Primeiro Ministro da Etiópia e Nobel da Paz 2019 é recompensado “por seus esforços para alcançar a paz e pela cooperação internacional, especialmente por sua iniciativa decisiva para resolver o conflito de fronteira com a Eritreia”, disse o presidente do Comité do Nobel Norueguês.

 

Conclusão

Pode ser verdade que a África comece verdadeiramente a ser um continente cujos recursos beneficiem a sua população. E que o Nobel da Paz seja o símbolo dessa prosperidade.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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