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Sábado, Dezembro 4, 2021

O debate mais difícil para Marcelo

DebateMarceloNovoa (7)

Até agora, foi o debate mais duro da campanha aquele que colocou frente-a-frente, na SIC, Sampaio da Nóvoa e Marcelo Rebelo de Sousa.

Sampaio da Nóvoa esteve praticamente sempre ao ataque, confrontando o seu adversário com tomadas de posição enquanto comentador e actor político. A ponto de ter feito Marcelo Rebelo de Sousa perder o ar condescendente e tranquilo para contra-atacar, perguntando a Sampaio da Nóvoa onde é que tinha andado ao longo das últimas décadas e que posições políticas tinha tomado até agora.

Sampaio da Nóvoa fez questão de começar por colar Marcelo à governação de Passos Coelho e Paulo Portas, lembrando que, na campanha eleitoral, apoiou a coligação Portugal à Frente, considerando “a sua proposta como a mais segura, a mais sensata e a mais ponderada para o futuro de Portugal”. Ele, pelo contrário, sempre se manifestou contras as políticas seguidas por PSD e CDS, que “estão na raiz das fracturas e divisões que houve em Portugal”, tendo colocado “jovens contra idosos, empregados contra desempregados e funcionários públicos contra privados”.

Marcelo negou que tenha sido um acérrimo defensor da austeridade. Apoiou a parte que “era necessária para recuperar a credibilidade” mas discordou “do excesso”. Reclama ainda ter sido “o primeiro a falar da clivagem entre gerações” e de ter criticado sempre “a falta de perspectiva do crescimento e das reformas estruturais”.

Mas enquanto, ao longo dos últimos 40 anos, tomou posições, acusa o seu oponente de nada ter dito ou feito em alturas cruciais para o país, de ter um historial de “vazio, de ausência” e de, só há três ou quatro anos, ter aparecido “virgem”, a manifestar posições políticas. O facto de se apresentar como um homem do “tempo novo” não é, na sua opinião, adequado para um presidente que, para já, vai ter de conviver com o governo de António Costa, mas que, depois, pode ter de lidar com qualquer outro. Ora, ao colar-se à nova solução governativa, Sampaio da Nóvoa está “a alinhar com uma parte do país contra outra parte”, pondo em causa a formação de compromissos e consensos.

Acusações negadas pelo ex-reitor, que, apesar de se assumir como um homem de “causas”, também se vê como “uma pessoa equilibrada, moderada, capaz de falar com todos e de construir consensos”. Mas não perdeu muito tempo a justificar-se e voltou a partir ao ataque, lembrando actuações e declarações de Marcelo no domínio do Serviço Nacional de Saúde e da Educação.

O primeiro caso citado foi um decreto-lei aprovado por um governo de que Marcelo fazia parte, em 1982, através do qual se “tentou extinguir o Serviço Nacional de Saúde”. O visado retorquiu que o que estava em causa com essa iniciativa – que depois seria declarada inconstitucional – era simplesmente saber “se o sistema devia ser gratuito ou tendencialmente gratuito”.

A juntar a esta ‘prova’, Sampaio da Nóvoa apresentou declarações do seu adversário sobre a proposta de revisão constitucional do PSD, em 2010. Na altura, Marcelo qualificou como o texto apresentado como “bem feito, interessante e hábil a fórmula encontrada, nomeadamente na Saúde e Educação”. Marcelo nega que essas declarações signifiquem apoio, ao que Sampaio da Nóvoa responde que ele não pode “andar a jogar com as palavras o tempo todo e transformar-se em campeão do estado social quando, ao longo de décadas, em determinados momentos, foi tomando posições contra ele”.

E avançou para mais uma citação do seu adversário, a de que “privilegiar a escola pública em tempo de crise é errado”. Marcelo corrigiu-o, alegando que o que terá dito é que “em tempos de crise há a tentação de privilegiar a escola pública e há o risco de formação do monopólio da escola pública”.

Outro tema que os fez discordar de forma acalorada foi o dos gastos de campanha. Marcelo voltou a atacar os “gastos excessivos”, que não devem ser feitos em tempos de crise, e assumiu que, até agora, tem sido ele próprio a financiar a sua campanha, não aceitando donativos privados. Um discurso que Sampaio da Nóvoa qualificou como “anti-democrático”, pois “a democracia tem custos, a ditadura é que é muito mais barata”.

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