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João de Sousa

Quinta-feira, Maio 30, 2024

O equívoco das privatizações

Nenhum dos grandes países que atingiram um grau elevado de desevolvimento conseguiu chegar ao estágio em que estão sem proteger suas empresas nacionais, principalmente as estatais estratégicas.

Os Estados Unidos, a Inglaterra, Alemanha, França, até o Japão, mesmo sob domínio do governo estadunidense após a 2ª Guerra Mundial, não abriram mão de suas estatais.

Essa questão é de fácil compreensão: para garantir seu desenvolvimento industrial e tecnológico, se um país abrir descontroladamente suas portas para empresas multinacionais, estas entram e matam as empresas locais já que têm tecnologia e capital superior.

Mesmo a China, atualmente a segunda potência mundial, para enfrentar a disputa com os Estados Unidos e defender sua soberania, está comprando de volta e fortalecendo suas empresas estratégicas. 

No Brasil, a dupla de entreguistas Bolsonaro/ Guedes, prepara, e já dá sequência, a um dos maiores planos de privatização de todos os tempos. Algo mais grave até do que fez Fernando Henrique Cardoso e dando continuidade às privatizações do governo Temer que entregou os mais ricos poços de petróleo do pré-sal e outras empresas estatais. Bolsonaro já entrega os maiores aeroportos do país, sempre a preço de banana. 

Paulo Guedes, o chamado “super ministro” da economia, fala em privatizar muito em breve, mais de 130 empresas brasileiras não excluindo nem mesmo a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e até a Petrobras. Pretendem privatizar importantes setores dessas empresas estratégicas para o país e tornando-as muito frágeis para serem engolidas posteriormente. Já prepara o terreno, demitindo e extinguindo milhares de cargos. Tudo com objetivo de sucateá-las, tornando-as debilitadas e ineficientes, para obter apoio da população e mais baratas para os compradores estrangeiros.

A propaganda de ontem e de hoje é a mesma, e é enganosa. Afirma que só assim o Brasil poderá resolver o desemprego e voltar a crescer. Mas a realidade é bem diferente. Nos governos privatizantes de FHC e Temer foi justamente o período de maior desemprego, estagnação e aumento da dívida pública. Já nos governos Lula e Dilma, que não adotaram a mesma política nefasta e o resultado foi crescimento econômico e redução do desemprego. O Brasil saiu da 12ª posição na economia mundial e chegou a 6ª posição, crescendo até 7,5% em 2010.

A dívida pública no governo FHC passou de 30% para mais de 59,9% do PIB. Já nos governos Lula e Dilma caiu para 33,6%. O governo Temer o descontrole foi completo e agora já se aproxima de 80% do PIB.

Outro fato que os “privativistas vende pátria” deveriam saber é que as empresas que estão comprando as nossas, em sua maioria, são estatais. Italianas e chinesas compraram as empresas do ramo elétrico e portos, espanholas compraram agora principais aeroportos. Hoje quase nenhum pais do mundo está vendendo estatais, ao contrário procuram fortalece-las.

A privatização é uma das principais armas que os países centrais do capitalismo utilizam para inviabilizar países concorrentes e transformá-los em meros fornecedores de matéria prima, além de garantir o recebimento dos juros das dívidas. Quase todo o dinheiro da venda das nossas estatais são pagos com títulos da dívida, comprados por bagatelas ou utilizados para pagar credores. Sobra muito pouco para investimento. Por outro lado, por ter vendido empresas lucrativas, a receita nacional cai e daí o aumento do desemprego e a redução do crescimento. Justamente o contrário do que pregam como confirmaram os governos de FHC e Temer.

Outra prova são países que também entraram nesse “canto de sereia”, como a Grécia, Espanha, México e Argentina. Todos foram parar no FMI, com quebradeira de empresas, altas taxas de desemprego, inflação e empobrecimento do povo e do país. 

Só quem ganha com as privatizações, com essa política neoliberal do “livre” mercado são os bancos, os maiores credores da nossa dívida, os grandes investidores, as multinacionais que compram nossas empresas a preços aviltantes, e os países que nos exploram.


por Aluisio Arruda, Jornalista, arquiteto e urbanista | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


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