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João de Sousa

Segunda-feira, Outubro 25, 2021

O PSOE na esteira do PS e, vice-versa

O PSOE pode conquistar o seu eleitorado tradicional que sempre foi o eleitorado volátil do centro face ao modelo neoliberal que impõe austeridade do PP.

Os CIUDADANOS mantém a sua base social de apoio à direita por inexistência de força política renovadora nesse espaço.

O Unidos PODEMOS, tem a força do carisma que a Esquerda Unida perdeu e por ele foi capitalizada.

Temos assim uma esquerda fiel aos seus princípios a conquistar o centro pela via do PSOE e uma direita pulverizada entre o PP e os Ciudadanos.

Por tal, a probabilidade é a de que uma geringonça em Espanha reúna as condições necessárias para governar e ganhar as próximas eleições.

Em Portugal a situação é diferente porque não houve regeneração político partidária.

Os partidos são os mesmos e vai depender dos resultados eleitorais a possibilidade de uma nova geringonça, uma vez que o neoliberalismo não é solução política e muito menos económica. Mesmo com o PSD refrescado com o Rui Rio e o seu populismo.

Aquilo que pode acontecer é, se ganhar as eleições, mergulhar o País numa crise sem precedentes e sem solução possível a longo prazo .

O PS carece de mudança profunda de mentalidades na sua cúpula dirigente que se encontra anquilosada e, internamente, com forte tendência política conservadora e contra entendimento à esquerda.

A solução Pedro Nuno dos Santos é discutível e o António Costa está muito preso a tecnocratas como o referiu quando há dias se referiu ao MIT na senda da inovação tecnológica sabido que é serem as grandes multinacionais a deterem o centro nervoso da inovação e não os académicos.

Mas… adiante que isso é outra discussão.

Em Portugal a situação política carece de negociação que cada vez se torna mais difícil devido à radicalização de posições porque não se pode estar em nenhum cenário de negociação defendendo interesses antagónicos.

Por isso, se o PS não revigorar o seu espaço ideológico dificilmente se encontrará.

Não se encontrará enquanto Partido da esquerda democrática e muito menos se encontrará no quadro de um Partido que privilegia a defesa dos segmentos sociais vitimas de injustiças mas também das sevicias do modelo capitalista precisamente por ter no seu seio correntes de pensamento que se combatem objectivando o poder político pela via do poder económico, o que é um contra senso, e que assim, criam uma áurea de distanciamento da realidade que é o espaço laboral, permitindo assim que os Partidos à sua esquerda lhe ocupem o espaço de influência política.

O Centro diluiu-se com a anulação da classe média que dividiu as sociedades evoluídas em dois polos : os exploradores e os explorados. Sem hierarquia padronizada por valência de comando e salarial, num leque de capacitação permanente, o proletariado industrial e rural extinto, os novos métodos de organização laboral em incremento, os Partidos do Centro começam a ter sérias dificuldades em fazer valer ideais de coisa nenhuma.

Pedro Nuno dos Santos ainda não percebeu muito bem esta nova conjuntura social e por isso debita discursos sem profundidade ideológica enlevados de populismo de esquerda que não colhe no eleitorado do PCP nem no do BE e, tenho sérias dúvidas que penetre no espaço político da direita nacional.

Quando muito, conquista votos no PS, para objetivo interno o que não chega se pensa chegar a primeiro-ministro.

Mas, o mais grave, é que nem é isso o que está em causa: aquilo que está em causa é apontar soluções políticas de esquerda e de estratégia para o futuro a curto e médio prazo com incidência a longo prazo. Que é um discurso que nunca lhe ouvi.

António Costa, continua a mostrar “jogo de cintura” elevado o que lhe permitirá levar a legislatura até ao fim.

Se bem que, os seu principais problemas políticos estejam dentro do Partido e não fora dele. Porque fora do Partido a discussão é publica. Dentro do Partido, como se compreende, nem por isso.

A questão central assenta no trajeto  passado que não alicerçou raízes como se comprova pelo elevado número de greves. A maior mostra de que o distanciamento entre o PS e o mundo sindical é uma evidência. E não devia ser assim.

Também há indicadores de distanciamento em outras áreas como o são a justiça, a eficácia na resolução das situações de pobreza extrema e, o enfeudar a interesses que controlam a saúde e tudo o que é área social, assim como os fluxos financeiros comunitários de que não se tem visto referência de estratégia nacional alguma, entre outras situações que afastam o eleitor mas que sem outra alternativa lhe darão a vitória eleitoral nas próximas legislativas.

Se vai haver acordo com as esquerdas é coisa que o resultado eleitoral ditará em função da expressão eleitoral de representação que cada partido conseguir.

Sendo que, acordos ou negociação com a direita favorecem sempre a última e o acerto de contas com o eleitorado acontecerá nas próximas Eleições Autárquicas.

É aqui que pode aparecer o revés político nacional e o Partido Socialista reverter, na esteira daquilo que se passou com o PSOE, o PASOK, o PSF e demais partidos congéneres.

Foto: EFE

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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