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Quinta-feira, Julho 7, 2022

Os bondosos psicólogos da CIA

Beatriz Lamas Oliveira
Beatriz Lamas Oliveira
Médica Especialista em Saúde Publica e Medicina Tropical. Editora na "Escrivaninha". Autora e ilustradora.

James Mitchell, é um dos dois psicólogos que ajudaram a elaborar o programa de interrogatórios da CIA após os ataques terroristas de 2001.

“Desde há muitos anos que todos dizem coisas falsas e depreciativas sobre mim e o Dr. Bruce Jessen.“ queixou-se o psicólogo!

Um psicólogo que ajudou a delinear e executar as “técnicas de interrogatório duras” da CIA testemunhou pela primeira vez em tribunal agora em Janeiro de 2020.

Em questão está o julgamento de cinco homens acusados de planear os ataques do 11 de setembro.

“Desde o início do programa pensei que acabaria aqui”, disse James Mitchell a um tribunal sobre actividades em Guantánamo Bay onde veio pessoalmente embora tivesse a prerrogativa de poder testemunhar por ligação Skype.

“Fiz isso pelas vítimas e pelas famílias, não para si”, disse ele a James G. Connell III, advogado de Ammar al-Baluchi, um dos acusados.

Ambos os psicólogos tinham já testemunhado em depoimentos gravados para um outro caso, mas para o tribunal militar em Guantanamo é a primeira vez que são convocados como testemunhas.

Os dois tristes psicólogos receberam da CIA mais de 80 milhões de dólares para desenvolver técnicas de “interrogatório duro” ou seja técnicas de tortura.

Por causa de seu status como contratados, e não como funcionários do governo, o processo foi elaborado como sendo Jessen e Mitchell cidadãos particulares.

Estabelecidos em Spokane, Washington, os dois psicólogos foram processados pela American Civil Liberties Union em nome de dois ex-prisioneiros e a família de um detido que morreu de frio extremo a que foi submetido numa prisão secreta da CIA.

Khalid Sheikh Mohammed, paquistanês de 55 anos, que é acusado de ser um dos cérebros da organização do atentado terrorista de 11 de setembro pode observar ali a escassos metro, dentro do tribunal, os homens que o afogaram 183 vezes numa instalação secreta da CIA localizada na Polónia em 2003. A defesa quer anular as declarações feitas pelos réus do 11 de Setembro enquanto eles estavam detidos, quer em Guantánamo, quer na Polónia. As declarações dos acusados prestados após tortura não foram voluntárias mas sequência do terror a que foram submetidos. Terror supervisionado pelos manos psicólogos Mitchell e Jessen. A tortura destes suspeitos foi aprovada pela administração George Bush governo George W. Bush, e usadas de 2002 a 2008. Esses métodos foram excluídos do processo de interrogatório em 2009, depois do relatório de tortura do Senado entender que era uma violação da lei americana e internacional que, sobretudo, não conseguiu fornecer informações úteis para operações de contra terrorismo.

Quem é Ammar Al-Baluchi?

É um paquistanês de 42 anos preso há 15 anos e detido no campo de detenção de Guantanamo Bay. Acusado de “facilitar os ataques do 11 de setembro, por ser mensageiro de Osama bin Laden e ter conspirado para abater um avião cheio de explosivos no consulado dos EUA em Karachi.

Nasceu no Baluchistão, uma região dividida entre três países, incluindo Paquistão, Irão e Afeganistão. Foi formalmente acusado apenas em 2008 com mais quatro possíveis coautores.

“A única condenação americana de um conspirador do 11 de setembro até agora foi feita num tribunal federal da Virgínia, onde o francês, Zacarias Moussaoui, foi condenado à prisão perpétua em maio de 2006.

A América rainha dos direitos humanos.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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