Diário
Director

Independente
João de Sousa

Quinta-feira, Agosto 11, 2022

PPD/PSD. Congresso ou reunião?

Realizado o Congresso do PPD/PSD, onde a tónica dominante foi a da unidade e lealdade para com o seu novo líder eleito por esmagadora maioria em eleições diretas, assegurando assim a continuidade ascendente de interesses económicos e financeiros ao acomodar nas listas dos  seus Órgãos dirigentes as sensibilidades mais atreitas a criticas internas afetas a um histórico de má memória, tais foram as medidas gravosas para com o cidadão contribuinte, ao ponto de, no tempo, as exigências de austeridade sobre os baixos rendimentos impostas pelo FMI-Fundo Monetário Internacional, terem ficado aquém das politicas implementadas pelo governo liderado por Pedro Passos Coelho obliterando os ideais de Francisco Sá Carneiro e seus pares aquando da fundação do PPD/PSD, um partido político de raiz ideológica social democrata inquestionável, em favor de convicções neoliberais dominantes protagonizadas por Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho quando em exercício do cargo de Primeiro Ministro do Governo de Portugal.

Foram tempos difíceis nunca devidamente estudados pela massa critica do PPD/PSD a abordar com profundidade e a seriedade necessária em Congresso Nacional de forma a preparar o partido para os embates políticos presentes e futuros, para Portugal e para os portugueses, que sofreram um tremendo revés civilizacional; económico e social; cujas repercussões ainda hoje são sentidas e por essa via o partido tem sido penalizado em sede de Eleição Legislativa.

Sobrou assim, para os delegados eleitos pelos militantes a este Congresso Nacional do Partido Social Democrata, a frustração de não terem conseguido fazer vingar os objetivos a que se haviam proposto em Listas concorrentes:

  • Dar à sociedade um sinal claro sobre qual o modelo político e social a implementar no Pais;
  • Com que parceiros políticos tenciona o partido estabelecer eventuais alianças futuras;
  • Quais serão as preferências do partido no plano dos parceiros económicos e sociais de trajeto político enquanto oposição assim como se vierem a ser Governo;
  • Informar o eleitorado e demais população sobre quais são as suas verdadeiras intenções, os meios e as ferramentas que utilizará, conducentes a uma melhor qualidade de vida das populações nos grandes centros urbanos, mas também no interior cada vez mais desertificado, em todos os segmentos e valências sociais;
  • Explicar qual o projeto económico pretendido para a articulação do SNS com as entidades de saúde privadas ou o contrário;
  • Clarificar a sua opção política preferencial e medidas de fundo a tomar no tocante ao ensino: Escola Publica e Ensino Privado;
  • Dizer que ideias tem, em concreto, sobre quais são as opções políticas de âmbito social para um futuro ambientalmente sustentável;
  • Dizer sem quaisquer rebuços qual o ordenamento político do território que pretendem;
  • Clarificar quais são os entraves que a Constituição da República lhes coloca que justifique uma nova revisão;
  • Dizer, qual a solução que vão propor para a localização do novo aeroporto;
  • Dissecar a problemática inerente às consequências da escassez energética provocadas pela invasão Russa à Ucrânia apontando soluções Peninsulares para a Europa neste domínio em concreto;
  • Quais as soluções que propõem para travar a escalada da inflação;
  • Entre uma panóplia de assuntos intrínsecos à condição de vida do cidadão comum que gostariam de ter ouvido anunciadas e de que fossem porta-vozes autorizados juntos das populações que representaram, mas para quem as respostas que tem são escassas e, em variadíssimos domínios, nulas;

Os discursos foram muitos, mas propostas concretas não surgiram. Salvo em alguns apartes em conferências relâmpago à imprensa para que alguns dos intervenientes foram convidados e aonde acabaram respondendo a perguntas pertinentes, nuns casos, e, “empurrando” compromissos políticos para o discurso de encerramento do seu novo Líder, noutros casos.

Resulta deste Congresso, a meu ver, a procura disfarçada de um retorno a um dos períodos mais negros da nossa história coletiva em democracia onde, a repescagem de algumas das figuras desse tempo é por demais evidente.

Há também um discurso diverso no tocante à Regionalização ou Descentralização nos apartes acima citados.

Não é clara a orientação política do partido.

Se, se pautará pela social democracia, pelo liberalismo, ou pelo neoliberalismo.

Não foi anunciada qualquer estratégia de oposição para além da carpida falta de diálogo institucional, em privado, sobre assuntos do interesse público como o é a construção do novo aeroporto e, quiçá, em surdina, a revisão da Constituição da República. Também soa claro a intenção de subalternizar o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública e outras valências sociais do Estado.

Aquilo que fica claro é que será o contribuinte a arcar com o ónus dos financiamentos de suporte e outros possíveis encargos com negócios de privados conhecidos e, o noticiado presumível acordo de preços na área da saúde punido pela Autoridade da Concorrência.

“Em causa está a adoção de uma “prática concertada, restritiva da concorrência, na concertação de serviços de saúde hospitalares por parte do subsistema de saúde público ADSE”, indicou, em comunicado, a AdC.”

Os negócios apensos à localização do novo aeroporto também serão a seu tempo conhecidos embora sobre estas matérias nada tenha sido dito num Congresso que mais não foi do que uma reunião para homologação dos seus Órgãos.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -