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Terça-feira, Outubro 26, 2021

Presença portuguesa em Zabaltegi / Tabakalera

José M. Bastos
Crítico de cinema

Secção com grande historial no festival basco, ‘Zabaltegi’, há anos rebaptizada como ‘Zabaltegi /Tabakalera’ é uma mostra, com carácter competitivo, de características muito particulares.

68º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián

‘Zabaltegi /Tabakalera’

Secção com grande historial no festival basco, ‘Zabaltegi’ (Zona Aberta), há anos rebaptizada como ‘Zabaltegi /Tabakalera’ é uma mostra, com carácter competitivo, de características muito particulares.

Fazendo jus ao seu nome a programação é completamente aberta nela podendo ser encontradas obras de consagrados (como Philippe Garrel, Hong Sang-Soo e Tsang-Ming Liang) ou outros quase desconhecidos. Longas e curtas-metragens, ficções, documentários ou filmes de animação e até instalações audiovisuais formam um caleidoscópio que não é facilmente classificável.

Representação portuguesa

É em ‘Zabaltegi’ que está, este ano, a representação portuguesa. Duas longas metragens e uma curta.

De Catarina Vasconcelos, “A Metamorfose dos Pássaros”, primeira longa da sua autora, filme já premiado em Berlim, Vilnius e Taipé e prémio do público no recentíssimo IndieLisboa. Num trabalho que a autora classifica como um ´híbrido’ entre ficção e documentário é contada uma história decalcada da da sua própria família. Neste filme, um projecto obviamente muito pessoal, a realizadora é também intérprete, tal como a cineasta Cláudia Varejão. Seleccionado para duas dezenas de festivais “A Metamorfose dos Pássaros” chegou agora a San Sebastián.

A outra longa-metragem, “Simon Chama” é de Marta Sousa Ribeiro que também assina o argumento. Realizado durante cinco anos, entre 2015 e 2020, o filme acompanha a adolescência (e, naturalmente, o crescimento físico e emocional) do protagonista, Simon Langlois no papel de Simon, e as suas hesitações e formas de sentir após o divórcio dos pais.

Pedro Peralta escreveu e realizou “Noite Perpétua”, uma co-produção luso-francesa que já passou por mais de uma dezena de festivais. É uma nas nove curtas presentes na competição.  Diz a sinopse do filme: “Castuera, Espanha, Abril de 1939. Durante a noite dois Guardas Falangistas surgem à porta da casa onde Paz se encontra refugiada com a família. Solicitam a sua presença na esquadra. Paz compreende imediatamente a fatalidade desta visita noturna. Ao ver-se injustamente condenada, sem possibilidade de fuga, pede para amamentar, por uma última vez, a sua filha recém-nascida.

 

Outros filmes de ‘Zabaltegi’

Os outros filmes de ‘Zabaltegi’ são:

  • “Autoficción” de Laida Lertxundi (E.U.A./Espanha/ Nova Zelândia)
  • “Cold Meridian” de Peter Strickland (Hungria/Reino Unido)
  • “Correspondencia” de Carla Simón e Dominga Sotomayor (Espanha/Chile)
  • “The Woman who run” de Hong Sang-Soo (Coreia do Sul)
  • “Dustin” de Naïla  Guiguet (França)
  • “Fauna” de Nicolás Pereda (Canadá/México)
  • “Having a good time” de Bell Zhong (China)
  • “I am afraid to forget your face”  de Sameh Alaa (Egipto/ França/Bélgica/Qatar)
  • “Le Sel des Larmes” de Philippe Garrel (França/Suíça)
  • “Los Conductos” de Camilo Restrepo (França/Colômbia/Brasil)
  • “The Calming” de Song Fang (China)
  • “Days” de Tsang-Ming Liang (Taiwan)
  • “Stephanie” de Leonardo Van Dijl (Bélgica)
  • “The Trouble with being born” de Sandra Wollner (Áustria)
  • “Un Efecto Óptico” de Juan Cavestany (Espanha)
  • “Ya no duermo” de Marina Palacio (Espanha)
  • “Yellow Cat” de Adilkhan Yerhanovz (Cazaquistão/França)

Júri

O cantor e músico madrileno Pucho e o distribuidor cinematográfico e director do Festival de Cinema Asiático de Barcelona, Carlos Rodriguez Rios constituem o júri desta secção.

Pucho

Carlos Rodriguez Rios

 

“Perlak” – Festivais de Veneza, Berlim, Sundance… em San Sebastián

“Perlak” (em castelhano, “Perlas” e em português, “Pérolas”) é uma área do Festival de San Sebastián em que são apresentados filme premiados ou que de alguma forma se distinguiram noutros festivais. Em tempos de pandemia esta secção assume particular importância já que muitos dos habituais frequentadores deste tipo de manifestações não têm podido ver estes filmes nos ‘festivais de origem’.

De Cannes, que como se sabe foi cancelado, já falámos em texto anterior. Dezassete dos filmes do festival francês foram reaproveitados pelo ‘Zinemaldia’ não só para a secção oficial, mas para outras áreas do certame basco.

A Mostra de Veneza, que terminou há uma semana e meia, foi este ano contribuinte muito importante para a secção “Perlak”. E, tendo a programação sido estabelecida há muito tempo, deve ser relevado que quem a fez teve uma pontaria extraordinária. De facto, do festival italiano, vieram para San Sebastián os seguintes filmes:

 

Leão de Ouro para o melhor filme

“Nomadland” de Chloe Zhao  (Estados Unidos), a história de uma mulher que depois do colapso económico de uma cidade na zona rural de Nevada resolve experimentar uma vida à margem da sociedade convencional. Uma nómada moderna interpretada por Frances McDormand, actriz que se envolveu totalmente neste projecto.

 

Leão de Prata para a melhor realização

“Wife of a Spy” de Kiyoshi Kurosawa (Japão), uma história que começa, em 1940, na noite anterior à entrada do Japão na 2ª Guerra Mundial.

 

Grande Prémio do Júri

“Nuovo Orden” de Michel Franco (México), filme que conta como um luxuoso banquete de casamento se transforma, com a eclosão de uma revolta social e de um golpe de estado. Um retrato imaginário, mas quem sabe se algum dia possível,  de uma sociedade como a mexicana onde existem 60 milhões de pobres. Recorde-se que Michel Franco integra o Júri Oficial do Festival de San Sebastián.

De Susanna Nicchiarelli, “Miss Marx”, um filme italo-belga em que é abordada a vida de Eleanor, a filha mais nova de Karl Marx, uma das primeiras mulheres a baraçar os temas do feminismo e do socialismo e participante nas lutas pelos direitos das mulheres e pela abolição da mão-de-obra infantil.

 

Outros filmes da secção “Perlak”

Também preniado em Veneza, “The World to Come” de Mona Fastvold (Estados Unidos).

De Berlim o Grande Prénio do Júri, “Never Rarely Sometimes Always” de Eliza Hittman (Estados Unidos), obra também premiada em Sundance.

Também do Festival de Sundance “El Agente Topo” de Maite Alberdi (Chile), uma ficção-documentário que aborda num registo detectivesco as quetões da velhice, do isolamento, dos lares e dos maus tratos infligidos aos idosos, “Herself”, premiado no Festival de Dublin, de Phyllida Lloyd (Reino Unido/Irlanda) e “The Father” de Florian Zeller (Reino Unido), a versão cinematográfica da peça teatral do mesmo autor, com um excelente Anthony Hopkins no papel de um octogenário que, apesar de ir perdendo as suas faculdades insiste em viver só o que impede que a sua filha possa viver a sua vida.

E ainda, de Maïwenn, o filme francês “ADN”, com Louis Garrel, selecionado para o cancelado Festival de Cannes e estreado em 11 do corrente mês no Festival de Deauville e, “Moving On” do sul- coreano Yoon Dan-Bi, premiado no Festival de Roterdão.

“Perlak”, um festival de festivais!


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