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João de Sousa

Quinta-feira, Dezembro 9, 2021

As pressões dos lobbies e interesses

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O conhecido físico Stephen Hawking, acusou “Donald Trump é um demagogo que parece apelar para o mais baixo denominador comum”. Palavras de Stephen Hawking, o reputado académico e cientista no programa “Good Morning Britain” da cadeia televisiva ITV, citada pela CBS News. O autor de “Breve História do Tempo”, que sofre de esclerose lateral amiotrófica e só comunica através de um computador, diz não ter explicação para o sucesso do provável candidato republicano à Casa Branca.

Entretanto, Trump esteve num comício em Washington nesta segunda-feira e anunciou que vai revelar detalhes sobre as doações feitas a veteranos de guerra pela sua própria Fundação. Espera-se que o empresário diga quanto conseguiu angariar em Janeiro, num evento de recolha de fundos com veteranos, numa ocasião em que faltou a um debate de possíveis candidatos.

Na passada semana, Corey Lewandowski, o gestor de campanha de Trump, declarou à CBS que o candidato vai doar entre 5,5 e 6 milhões de dólares para grupos de veteranos. Dessa quantia, 4,5 milhões foram já “atribuídos”, sendo o restante distribuído por grupos no Memorial Day, efeméride que presta homenagem a todos os combatentes norte-americanos.

 

Sanders faz campanha na Califórnia e ironiza Trump e Clinton

Bernie Sanders fez campanha na cidade de Oakland, estado da Califórnia, esta segunda-feira, onde discursou perante doze mil apoiantes;  com ironia, afirmou: “os analistas, na sua infinita sabedoria, disseram que esta seria uma campanha fraca… um ano depois, nas primárias, ganhámos em 20 estados”. Apesar da margem muito confortável de Hillary Clinton, que tem já o apoio de 500 “super-delegados” para que seja a nomeada oficial do partido na corrida para presidente dos EUA, Sanders recusa-se a desistir. “Vamos à convenção com um grande impulso, e vamos sair com a nomeação”, frisou.

“O argumento que apresentarei perante a Convenção Nacional do Partido Democrático é que, virtualmente em cada urna de votos, fazemos melhor contra Donald Trump do que Clinton. Assim, se querem uma campanha que assegure que o desastre que é Trump não se torne presidente, nós somos essa campanha”, insistiu o senador do Vermont, citado pelo The Guardian.

O polémico empresário e candidato republicano foi alvo de críticas pelo político democrata noutro evento: ao ter dito que “não havia qualquer seca” em Fresno, região californiana atingida por uma seca. Sanders disse que “Trump veio à Califórnia dizer, com a sua profunda sabedoria, que não há seca”, chamando o polémico empresário “um dos maiores meteorologistas da nossa era”.

Hillary Clinton foi também alvo das críticas do senador do Vermont, a propósito da crise económica em Porto Rico: “tal como aconteceu muitas vezes antes, a Secretária Clinton mudou de opinião e está a aproximar-se de posições que eu tomei”, declarou num comunicado de imprensa, acrescentando que “o que ela diz apenas dias antes das eleições em Porto Rico é muito pouco e vem tarde demais”, ironizou.

 

Partido Democrata está a tentar levar Sanders a desistir da corrida, diz CNN

Dirigentes do Partido Democrata estarão a enveredar esforços para evitar um confronto entre Hillary Clinton e Bernie Sanders, na convenção do partido que vai nomear o candidato à Casa Branca; a estratégia é encorajar o senador do Vermont a desistir da corrida.

A CNN revelou esta sexta-feira que importantes figuras do partido discutiram, em Capitol Hill, Washington, métodos para persuadir Sanders a retirar-se sem que isso pareça uma pressão por parte das altas esferas do partido. A estação televisiva citou fontes próximas do senador Harry Reid, que já terá falado com o veterano político para o tentar convencer a retirar-se da disputa. A convicção destas individualidades de topo é a de que Sanders tem de ver o óbvio: que não tem possibilidades matemáticas de vencer a nomeação para disputar as eleições presidenciais e que seria mais útil se apelasse aos seus apoiantes para votarem em Clinton.

Sanders já declarou em público que vai até Filadélfia, o que levantou temores entre os seniores do partido, que querem evitar divisões até ao congresso nacional democrata em Julho. Caso o senador do Vermont mantenha a palavra e não desista da corrida a favor de Clinton, as opções serão propor processos de reforma (que incluem modificar o papel dos “super-delegados” na escolha do nomeado), conceder-lhe a primazia nos discursos da convenção democrata ou mesmo deixar cair Debbie Wasserman Schultz, líder do Comité Nacional Democrata e figura muito polémica entre os apoiantes do político.

 

Goldman Sachs e a campanha de Hillary Clinton

Na contagem decrescente para as primárias no estado da Califórnia, as supostas ligações entre a financeira Goldman Sachs e a candidata democrata Hillary Clinton continuam a marcar a campanha da ex-primeira-dama. A organização Democracy Now escreve que a corporação pagou a Clinton, em 2013, 675 mil dólares para esta fazer três discursos, e agora surgem dúvidas sobre as ligações entre a empresa e Marc Kezvinsky, genro da ex-senadora de Nova York. Mezvinsky trabalhou oito anos na Goldman Sachs, antes de formar um “hedge fund” com ajuda parcial do CEO desta, Lloyd Blankfein.

Lee Fang, repórter de investigação, tentou falar com Clinton num comício em São Francisco, não conseguindo uma palavra da candidata; também, Nick Merrill, porta-voz de campanha, não respondeu mas prometeu entrar em contacto com o repórter.

Lee Fang afirma que Marc Mezvinksky começou a recolher fundos para o seu “hedge fund” um ano depois do casamento com Chelsea Clinton, filha da ex-primeira dama; a Eaglevale Partners conseguiu angariar 400 milhões de dólares, mas o The Wall Street Journal e o New York Times relataram problemas com este fundo de investimento, o qual acabou por ser extinto em Maio deste ano.

“Estamos a pressionar a campanha para revelar na totalidade a relação entre a Goldman Sachs e a família Clinton. E isso inclui quanto dinheiro foi transferido da Goldman Sachs e seus executivos para as contas bancárias da família e seus negócios”, insistiu Fang.

O repórter lembra ainda que a financeira tem feito lobby directo no Departamento de Estado de Hillary Clinton e que “este é um muito poderoso banco de investimentos que historicamente teve muita influência em diversas administrações” da Casa Branca. Recordou a presidência de George Bush, que nomeou Hank Paulson (antigo CEO da Goldman Sachs) como seu secretário do Tesouro, e do “lobby agressivo” exercido sobre a administração de Barack Obama. “Claro que vamos esperar que a financeira tente ganhar influência junto de quem quer que ocupe a Casa Branca”, alertou o repórter.

 

Suspeitas de fraude na Trump University: Clinton não poupa críticas

Trump foi, mais uma vez, alvo dos ataques de Hillary Clinton. A candidata democrata mencionou as suspeitas que recaem sobre a Trump University, num comício na Rutgers University em Newark, Nova Jérsia. “Ele e os seus empregados aproveitaram-se de americanos vulneráveis, encorajando-os a gastarem até ao máximo os seus cartões de crédito, a levantarem as suas poupanças de reforma e a destruírem os seus futuros – tudo isto enquanto faziam promessas que sabiam ser falsas desde o começo”. E Clinton rematou de forma drástica: “isto é mais uma prova de que Donald Trump é uma fraude e está a tentar enganar a América da mesma forma que enganou todas aquelas pessoas na Trump University”, acusou.

O caso diz respeito à investigação, ordenada por um juiz federal, visando a Trump University. O magistrado descobriu um livro da instituição, instruindo a equipa para persuadir possíveis estudantes, através de vários métodos, levando-os, através da exploração das suas fraquezas, a assinar um contrato: este contrato oferecia um pacote de três dias de “Gold Elite” em troca do pagamento de quase 35 mil dólares.

A equipa do empresário tinha ordens para levar os potenciais clientes a levantarem as suas poupanças e a gastar o limite do cartão de crédito, por forma a pagar o mencionado pacote. Nos documentos descobertos, está uma mensagem sem data do próprio Trump, que diz: “só os que fazem algo ficam ricos. Sei que nestes três dias vão aprender tudo para fazer um milhão de dólares nos próximos doze meses”.

O magistrado revelou agora tais documentos, fundamentais para um processo movido contra a Trump University na Califórnia, apesar dos sistemáticos e públicos ataques do empresário que tentou que tais documentos se mantivessem secretos, avança o The Guardian. Trump chegou a atacar o magistrado (cujo nome é Gonzalo Curiel) alegando que era mexicano, porém, apesar da sua ascendência hispânica, o juiz nasceu no estado do Indiana. A revelação dos documentos, alega o magistrado, é baseada no interesse público.

Outras das críticas feitas pela antiga senadora de Nova York visaram as opiniões do empresário sobre política externa e segurança nacional; Clinton assegurou que defender a saída dos EUA da NATO, expandir o uso da tortura e banir muçulmanos de entrarem no território desqualifica Trump para ser comandante-em-chefe dos EUA.

“Esta eleição vai determinar em que direcção vai este país e não podia haver uma diferença mais profunda porque todos os dias aprendemos mais sobre ele ”, insistiu a candidata. O seu rival democrata, Bernie Sanders, também não escapou às críticas dos porta-vozes de Clinton. Donald Payne, congressista da Nova Jérsia, disse que “não precisamos de independentes a concorrer no Partido Democrata, precisamos de democratas”, citado pelo jornal The Guardian.

 

Torres de Trump investigadas

O Departamento de Edifícios de Nova York confirmou esta quarta-feira que está a investigar as Trump Towers, propriedade do candidato republicano à Casa Branca. Na base desta investigação, está a suspeita de que Donald Trump, terá quebrado um acordo, segundo o qual se comprometia a manter abertas ao público determinadas áreas dos edifícios; durante a campanha eleitoral, o candidato terá fechado o átrio para os seus comícios, violando assim o acordo em questão.

Jon Solvedere, porta-voz do departamento, confirmou à CNN que a unidade “está a investigar se o átrio foi fechado de forma inapropriada para o público”, sendo que a investigação começou depois de uma conferência de imprensa do candidato na Trump Tower. Até agora, não houve uma reacção por parte do empresário nem de representantes da sua campanha.

O acordo em questão previa que o átrio da Torre poderia ser fechado ao público até quatro vezes por ano, após pedido expresso por parte do proprietário. Solvedere declarou à CNN que o Departamento “não recebeu tais pedidos” pela equipa da campanha eleitoral do empresário, o qual não só tem usado o espaço para eventos de campanha como para conferências de imprensa e entrevistas.

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