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João de Sousa

Quarta-feira, Julho 28, 2021

Programa Cinema para uma Luta Antirracista

O Doclisboa e a SOS Racismo apresentam no Padrão dos Descobrimentos, de 19 a 25 de Julho, um ciclo de cinema e debates que propõem a reflexão sobre a identidade do sujeito racializado presente no olhar coletivo da nossa sociedade.

Programa Cinema para uma Luta Antirracista

Olhares sobre o Racismo

19 Julho / 18h00 

de Bruno Cabral, Eddie Pipocas e Dércio Ferreira
Portugal / 2020 / 30′

Um documentário produzido numa parceria conjunta entre a SOS Racismo e a BANTUMEN que condensa os contributos de várias figuras da mobilização social e política para a causa e reflete a interseccionalidade, a diversidade e a transversalidade das várias frentes do combate contra o racismo em Portugal. Com a presença de Dércio Ferreira

Racismo à Portuguesa

 20 Julho / 18h00 

“Racismo à Portuguesa” é uma série realizada por Joana Gorjão Henriques e Frederico Baptista que analisa as desigualdades raciais em Portugal, em diversas áreas, recolhendo testemunhos de quem se sente vítima de diversas formas de racismo.

A justiça em Portugal é “mais dura” para os negros

de Joana Gorjão Henriques e Frederico Baptista
Portugal / 2017 / 19′

José Semedo Fernandes recorda uma das muitas situações em que, à saída do Bairro de Santa Filomena, onde cresceu, foi mandado parar por um polícia. Nesse dia quis saber qual o fundamento que o tornava suspeito. O polícia respondeu-lhe de forma directa: “um preto é sempre um suspeito.” Agora advogado, José acredita que esta visão ainda perdura. É assim que explica os cartazes espalhados pela Amadora, onde as câmaras de videovigilância do concelho são anunciadas recorrendo a uma família branca e ao slogan “Olhamos por si”. “Uma pessoa branca que olhe para isto vai pensar que está a ser protegida de pessoas como eu”, acusa.

Neste primeiro trabalho da série Racismo à Portuguesa,  analisa-se o panorama do sistema judicial português, desde a atuação policial até às prisões, onde se verifica uma sobre representação dos cidadãos negros.

Há uma preferência “óbvia” dos senhorios em arrendarem casa a brancos

de Joana Gorjão Henriques e Frederico Baptista
Portugal / 2017 / 18′

O difícil acesso à habitação por parte de pessoas negras e imigrantes é uma realidade. A maioria, ao viver nesta situação, acaba por construir a sua própria casa em bairros clandestinos, muita vezes sem luz ou água canalizada.

Neste segundo trabalho da série Racismo à Portuguesa, analisa-se o acesso à habitação, desde a procura de casa à construção informal de bairros.

Mikambaru

21 Julho / 18h00

de Vanessa Fernandes
Portugal / 2016 / 31′

“Mikambaru” é uma palavra inventada pelo alter-ego de um dos personagens. O filme faz uma reflexão sobre a diáspora africana pós-colonialista, e a relação com o “Outro”. Questiona as fronteiras mentais que se vão alterando de geração em geração, através do poema “Construir” de Alda Espírito Santo. É um conto de fadas de estereótipos, arquétipos e figuras religiosas que contam a sua própria história. Com a presença de Vanessa Fernandes.

Treino Periférico

22 Julho / 18h00

de Welket Bungué
Portugal / 2020 / 20′

Dois artistas saem para treinar, não cabem nos padrões do seu bairro, da sua cidade, nem da sua cultura impostora. “Acredito que a vossa descrição tão sensível me remete à capacidade que temos, de nos desenvolvermos para nos mantermos vivos nesse território que nos foi “devolvido” pelos colonizadores…”, palavras do personagem Raça (Bruno Huca) ditas a Coragem (Isabél Zuaa). Este é um filme feito na periferia da “grande Lisboa” e discursa poética e assertivamente sobre ocupação territorial, pós-colonialismo e desigualdade social ainda vigente na cultura portuguesa. Com a presença de Lucila Clemente

Nôs Terra

23 Julho / 18h00  

de Ana Tica
Portugal / 2020 / 70′

Os pais vieram de uma antiga colónia portuguesa. Eles nasceram em Lisboa mas sentem-se mais cabo-verdianos. Saíra do bairro de infância para irem viver para o bairro social. Falam português mas também, desde muito cedo, aprenderam crioulo. Falam sobre a dualidade e a conflitualidade de pertencer a dois mundos que vivem de costas voltadas mas que, apesar de tudo, lhes pertencem como um só. “Nôs Terra” é um documentário centrado no processo de construção de um contra discurso protagonizado por jovens negros portugueses.

O Canto do Ossobó

24 Julho / 18h00

de Silas Tiny
Portugal / 2017 / 100′

“Rio do Ouro e Água-Izé foram das maiores roças de produção de cacau em São Tomé e Príncipe durante o período colonial português. Milhares foram marcados pelo trabalho forçado equiparado à escravatura. Regresso ao meu país, para encontrar os vestígios desse passado.” Silas Tiny

Era uma vez um arrastão

 25 Julho / 18h00 

de Diana Andringa, Mamadou Ba, Bruno Cabral, Joana Lucas, Jorge Costa, Pedro Rodrigues
Portugal / 2005 / 26′

10 de Junho, praia de Carcavelos. Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país o “arrastão”, um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal. O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e “gangs”, terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma “inventona”. O filme passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa.

Todos os filmes são legendados em português – Programa sujeito a alterações

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