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João de Sousa

Sábado, Setembro 18, 2021

Quarenta anos a votar cada vez menos

A Abstenção-ok

Mais de 43% de abstenção nas eleições de ontem. Nada diferente do que aconteceu nos últimos 40 anos.

Sempre a subir. A abstenção não para de aumentar desde as primeiras eleições livres em 1975. Há 40 anos, com 14 eleições realizadas, apenas em 1980 e em 2005 desceu, três pontos, e caiu para níveis próximos daqueles que se registaram em 1995.

Na votação para a Assembleia Constituinte (AC) houve uma afluência histórica dos portugueses às assembleias de voto, por todo o País. A partir daí, os resultados eleitorais, nas eleições, legislativas como nas autárquicas e sobretudo as últimas presidenciais, mostram o desinteresse e o afastamento da população em relação à política e à governação e às grandes decisões do País.

Abstenção nulos

Na votação de 1975, para a AC, a abstenção foi a mais baixa de sempre, mas logo em 1976, nas primeiras eleições legislativas, quase duplicou. Passou de 8,35% para 16,47.

Ao contrário, os votos nulos foram perdendo expressão. Dos 6,76% nas eleições para a AC, a percentagem passou para 1,42% em 2011, sendo as taxas mais altas registadas neste espaço de tempo 4,7% em 1976 e 2,01% em 1979. Fenómeno pouco expressivo, comparativamente com o da abstenção e que se atribui à inexperiência. Grande parte da população nunca tinha votado.

abstenção e PS

A abstenção, sim, foi-se declarando, segundo a interpretação dos resultados, como uma manifestação voluntária e que indica, sobretudo, o desinteresse, mas também poderá ter, entre ostros significados, o de protesto contra as políticas e os programas dos partidos, nos quais os cidadãos deixaram de sentir-se representados. Ao longo de todos estes anos, foi ganhando uma dimensão de tal forma elevada que em 1983 começou a aproximar-se da votação no PS. Tal como viria a acontecer com o PSD em 1995. Deste ano para a frente, a abstenção esteve sempre acima da votação no PSD, salvo em 2002, onde se verificaram valores muito aproximados.

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