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Terça-feira, Janeiro 18, 2022

Resistir no Irão

No Irão, as mulheres têm desempenhado um papel histórico e chave em avanços e desenvolvimentos importantes.

Karaj, IrãoA luta das mulheres iranianas remonta à Revolução Constitucional nos anos 20 do século passado. A “Aliança das mulheres invisíveis”, primeira instituição de mulheres no Irão, foi fundada em 1907. Sob a repressão imposta pela ditadura do Xá, especialmente durante a década de 1950, as mulheres iranianas entraram numa nova fase da sua luta aderindo a várias organizações de resistência. Essas mulheres incluíam Fateme Amini e Marzie Oskuie, presa e torturada pelo serviço de inteligência do Xá, a SAVAK. Fateme Amini foi assassinada sob tortura.

As mulheres também desempenharam um papel activo durante a revolução antimonárquica de 1979. Imediatamente após a revolução foi lançada, sob a bandeira do Islão, uma campanha de repressão maciça contra as mulheres.

O primeiro sinal destas medidas opressivas foi manifestado em regulamentos obrigatórios hijab, as mulheres da Organização Mujahedin do Povo do Irão (OMPI/MEK) estiveram na linha de frente, protestando contra os regulamentos hijab.

Quando as medidas repressivas contra as mulheres atingiram o clímax sob o regime fundamentalista, mulheres e especialmente os jovens, começaram a aderir e a apoiar, de forma expressiva, a OMPI. Puseram de lado todos os obstáculos e entraram na luta política e social de forma generalizada. Teerão presenciou, em 27 de Abril de 1981, o maior comício contra o governo, conhecido como a “manifestação das mães em protesto contra as medidas repressivas e a escalada de detenções”.

Em 20 de Junho de 1981, Khomeini ordenou que as suas forças abrissem fogo sobre os cerca de 500.000 manifestantes da PMOI. O regime deu início, naquela noite, às execuções em massa. Os orgãos de comunicação dominados pelo estado iniciaram, na manhã seguinte, a publicação de imagens de mulheres jovens executadas, apelando às famílias que fossem reconhecer e identificar os corpos.

Mulheres na prisão submetidas às mais terríveis torturas

Um significativo número das 120.000 execuções políticas no Irão eram mulheres. Este livro contém os nomes de 2.700 mulheres executadas.

No entanto, o recurso à repressão não conseguiu evitar a resistência das mulheres iranianas, tendo em conta que estas começaram a assumir um papel de liderança no movimento contra um regime misógino e fundamentalista.

As mulheres têm assumido responsabilidades assaz relevantes em todas as fileiras da resistência, incluindo o Exército de Libertação Nacional do Irão.

A evolução da resistência e perseverança das mulheres provocou um importante ponto de viragem na OMPI e na resistência iraniana, a aprtir do momento em que elas começaram a assumir papéis de liderança.

As mulheres correspondem a mais de 52% dos membros da Coligação Democrática, o Conselho Nacional da Resistência Iraniana.

Muitas mulheres têm sacrificado as suas vidas nesta luta desigual, contudo, recusam-se a ajoelhar-se, a sucumbir ou a render-se. Hoje, essas mulheres são os símbolos do povo e das mulheres do Irão na sua luta pela liberdade, democracia e igualdade.

A sua presença em todos os lugares é significativo, incluindo na revolta de 2009 em todo o país e no local onde Neda foi assassinada . Elas são referências para mulheres que estão actualmente nas prisões do regime, suportando duras pressões.
E, no entanto, continuam a resistir.

Parvaneh Farhangi, Economista, em Karaj, Irão

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