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Segunda-feira, Maio 23, 2022

RTP, SIC e TVI multadas (em cartão)

João Vasco AlmeidaBem feito. A Reguladora das TVs vai aplicar uma abissal dor multada de 40 mil euros às estações que estão sempre a pedir chamadinhas “dentro das possibilidades” para que o povo ganhe um popó e uns milhares. Segundo a agência Lusa, “Os programas em causa foram “Portugal no Coração” e “Aqui Portugal” (na RTP), “Queridas Manhãs”, “Boa Tarde” e “Portugal em Festa” (SIC) e “A tarde é sua” e “Somos Portugal” (TVI)”.

E são 40 mil euros de multa, upa, upa, que esta gente não anda a dormir. Tadinhas das TVs. Nos primeiros três meses de 2014 a SIC recebeu 11 milhões e 638 mil euros graças às chamadas dos telespectadores. Logo, pagando 40 mil, passa de € 11.638M para €11.598M. Incha! E a TVI? Ganhou 13 milhões de euros, o que a levará apenas a ganhar 13 milhões de euros. Já a RTP, sempre pobrecita, apenas sacou 4,4 milhões de euros, o que a leva agora a 4,4 milhões de euros de ganhos.

Topam? Grande Entidade Reguladora. Nada pára a força da lei nem o castigo profundo. É nestas coisas que se vê a força da democracia. Assim mal acomparado, um puto chora porque não quer comer e a ERC tira-lhe duas ervilhas do prato e faz um aviãozinho com o garfo, para que o rapazinho aprenda quem manda.

O espectáculo das meninas e meninos da TV a suplicarem telefonemas é decadente e justifica-se pela fome de receitas dos canais. O drama é que o povão liga na ilusão da raspadinha. Assim que a Cristina Ferreira aparece ao telefone a gritar como se tivesse sido assaltada, as pessoas exuberam cantantes, “ai dona Cristina nem posso acreditar…”. Pode, pode. Nesse momento já os espectadores enfiaram em chamadas no cofre da TV mais de dez vezes (que digo? dez? cem!) o prémio que vão levar “em cartão”.

1Nem sequer devemos ir à sociologia dos programas onde acontece esta venda acéfala. São uma misturada de música pimba, revista à portuguesa, rabos e pernas com fartura, um criminólogo e dois tarólogos, um ovniologista e venda de calcitrin em barda. Podiam chamar-se todos “Saquemo-vos”. Fariam corar a insípida beleza do Big Show Sic, essa doce tentativa (conseguida) de nos “normalizar” a favor do medíocre.

Júlio Isidro, o precursor dos grandes programas de tarde inteira, onde a galderice se enfiava num mini ou se resumia às larachas mais ou menos avançadas de Herman José, disse uma vez a uma menina que cantava no tal Big Show, era ele jurado de um concurso de canto: “A menina, felizmente, já veio duas vezes aqui ao programa, hoje: a primeira e a última”.

Talvez os portugueses que continuam a acreditar que o Futre sabe do que fala, quando fala de motores de arranque pudessem também ligar para a ERC duas vezes e aplaudir as multas. A ERC, se disponibilizasse uma linha de valor acrescentado para estas coisas, talvez nos poupasse os 4 230 802 de euros que tem de orçamento.

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