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Domingo, Novembro 28, 2021

San Sebastián – um Festival de Cinema à descoberta de novos autores

José M. Bastos
Crítico de cinema

A aposta na descoberta e revelação de novos autores é uma marca deste certame basco que começou na passada sexta-feira e vai decorrer até ao próximo sábado.

Uma marca com uma enorme tradição e que pode ser verificada não só na secção oficial, onde podem ser encontradas algumas primeiras obras e trabalhos de autores praticamente desconhecidos, mas também noutras secções da mostra mais declaradamente vocacionadas para a descoberta de novos valores.

“Nuevos Realizadores”

Este ano a secção “Nuevos Realizadores”, também competitiva, inclui 14 títulos que são avaliados por um júri presidido pelo produtor japonês Yuji Sadai e que inclui o britânico Mark Adams (director do Festival de Cinema de Edimburgo), a jornalista e escritora argentina Mariana Enríquez, a cineasta alemã Isabel Lamberti e a produtora e realizadora colombiana Laura Mora.

Oriundos de países muito diversos – Espanha, Noruega, China, Israel, Argentina, Coreia do Sul, Suíça /Bélgica, Bulgária / Qatar, Japão, EUA, França, Reino Unido, Tunísia e Lituânia / Letónia /Ucrânia,  os filmes presentes nesta secção procuram tratar com alguma originalidade ao nível da narrativa cinematográfica histórias de variadas latitudes. Retratos de História ou tradição ou temas das sociedades contemporâneas.

“Las Buenas Intenciones”, de Ana Garcia Blaya (Argentina)

“Le Rêve de Noura”, de Hinde Boujeemaa (Tunísia)

Amores e desamores, questões ambientais, incapacidades físicas, vidas em sociedades opressivas,  muitas e variadas são as temáticas dos filmes aqui apresentados alguns deles provenientes de programas de apoio à produção do próprio festival – Cine en Construcción, Glocal in Progress e Ikusmira Berriak.

Presença do cinema latino-americano

Embora haja em Espanha festivais que dedicam uma atenção exclusiva à divulgação e promoção do cinema ibérico e latino-americano (caso do Festival de Cinema Iberoamericano de Huelva) o Festival de San Sebastian ocupa um lugar muito especial neste campo. E isso deve-se não só à vertente de apoio à produção através dos programa ‘Cine en Construcción’ (partilhado com o Festival de Toulouse e que teve já cerca de quatro dezenas de edições) e do ‘Fórum de Co-produção Europa-América Latina’ mas também à secção ‘Horizontes Latinos’, espaço de eleição para a exibição de filmes de língua castelhana e portuguesa.

Muitos são os filmes que têm surgido nesta secção do Zinemaldia e que, mais tarde, se têm destacado em muitos dos mais importantes certames mundiais e até chegado aos ‘Oscares’ de Hollywood.

Na abertura desta secção o vencedor na secção de documentários do Festival de Cannes:  “La Cordillera de los Sueños”  do muito celebrado e já veterano cineasta chileno Patrício Guzman.

Retomando o processo criativo de trabalhos anteriores – o cruzamento de imagens e histórias da geografia chilena com a revisitação a alguns aspectos particularmente marcantes da sanguinária ditadura de Pinochet – e depois de em “Nostalgia da Luz” contrapor a beleza do céu, a observação dos astros e a solidão do deserto aos assassinatos perpetrados pelo regime militar e de em “O Botão de Nácar” nos mostrar o diálogo entre a importância dos oceanos, os primeiros indígenas da Patagónia, os primeiros colonos ingleses e os presos políticos da ditadura, desta feita a articulação que é proposta ao espectador é entre a Cordilheira dos Andes e a censura, a tortura e a repressão policial.

“La Cordillera de los Sueños”, de Patricio Guzmán

“La Llorona”, de Jayro Bustamante

Patrício Guzman mostra à saciedade como é possível fazer um cinema militante que, ao mesmo tempo, está impregnado de poesia e de beleza das imagens.

No encerramento de ‘Horizontes Latinos’ (e fora de competição) teremos “La Llorona” de Jayro Bustamente (Guatemala / França). O mesmo autor apresenta outro filme em competição: “Temblores”, co-produção Guatemala / França / Luxemburgo.

O Chile do início dos anos 70, portanto anterior ao golpe militar de Pinochet é o palco para a acção de dois filmes: “El Príncipe” de Sebastián Muñoz e “Araña” de Andrés Wood, este também com produção brasileira.

As tentativas dos milhares de ‘balseros’ que procuraram sair de Cuba no Verão de 1994 é o pano de fundo de “Agosto” de Armando Capó (Cuba / Costa Rica / França),  enquanto  “Nuestras Madres” de César Diaz (França / Bélgica / Guatemala) se situa na Guatemala de 2018 quando o país seguiu o julgamento dos soldados que deram origem à guerra civil naquele país. “La Ola Verde/ Que sea Ley “ de Juan Solanas (Argentina / Uruguai /  França)  descreve a luta pela legalização do aborto na Argentina.

“Agosto”, de Armando Capó

“La Ola Verde / Que sea Ley”, de Juamn Solanas

Completam a lista de filmes de ‘Horizontes Latinos’ ,  “La Bronca” de Diego Veja e Daniel Veja (Perú / Colômbia), “Chicuarotes” realizado pelo renomado actor mexicano Gael Garcia Bernal, “Los Tiburones” de Lucía Garibaldi (Uruguai / Argentina / Espanha), “Monos” de Alejandro Landes (Colômbia / Argentina / Holanda / Alemanha/ Suécia / Uruguai), “Los Sonánbulos” de Paula Hernández (Argentina /Uruguai), “De Nuevo Otra Vez” de Romina Paula (Argentina) e “Así Habló el Cambista” de Federico  Veiroj (Uruguai / Argentina / Alemanha).

Mosaico de cinematografias que apesar das dificuldades financeiras e políticas dos respectivos países revelam uma vitalidade surpreendente, este conjunto de filmes é avaliado por um júri constituído pela jovem cineasta catalã Meritxell Colell, pela actriz argentina Sofía Gala Castiglione e por Juan Antonio Vigar, director do Festival de Málaga.

Cinema que deixa ‘água na boca’

San sebastián é mundialmente reconhecida pela sua gastronomia e por ser uma cidade onde estão alguns dos melhores restaurantes da Europa. Por isso, nada mais natural do que a existência no festival de uma secção dedicada à culinária. Ela já existe há vários anos mas nesta 67ª edição tem uma expressão mais relevante do que em anos anteriores. Desta vez são 13 os títulos que a compõem.

A famosa carne argentina e a cozinha das grandes altitudes da Bolívia. A cozinha basca e a ‘paella’. O queijo Idiazabal e a pastelaria japonesa. A ‘excentricidade’ das iguarias da Coreia ou do Vietname ou a ‘nouvelle cuisine’ francesa. Estes são alguns dos ingredientes que poderão ser encontrados nestes filmes, um mais documentais outros com histórias ficcionadas que falam de produtores, criadores, cozinheiros ou apreciadores de boa comida.

“Le Chocolat de H”, de Takashi Watatanabe

“The Taste of Pho”, de Mariko Bobrik

São os seguintes os filmes presentes nesta secção:

  • “La Leyenda de Don Julio: Corazón & Hueso” de Alfred Oliveri (Argentina);
  • “Un Sabor de Cielo” de Michael Lei (EUA);
  • “Bittor Arginzoniz. Vivir en el Silencio” de Iñaki Arteta (Espanha);
  • “Cocinar Belleza” de Sergio Piera (Espanha);
  • “Gazta” de Mikel Urretabizkaia (Espanha);
  • “Le Chocolat de H” de Takashi Watatanabe (Japão);
  • “Restaurant from the sky” de Yoshihiro Fukagawa (Japão);
  • “The Taste of Pho” de Mariko Bobrik  (Polónia / Alemanha);
  • “The Wandering Chef” de Park Hye-Ryoung  (Coreia do Sul);
  • “Eres lo que Comes” de Igor Arabaolaza (Espanha);
  • “Huele a Ti” de Marc Vadillo e Marwan Sabri (Espanha);
  • “La Receta de la Vida” de Marta Lópes e Eduardo Peiró (Espanha);
  • “Nouvelle Cuisine” de José Manuel Prada (Reino Unido).

 


 

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