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Sábado, Novembro 27, 2021

Show Caravanas de Chico Buarque está disponível no YouTube

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Para compartilhar arte e cultura, sem sair de casa, a gravadora Biscoito Fino disponibiliza o espetáculo Caravanas ao Vivo, de Chico Buarque. Uma oportunidade singular para quem não teve como assistir a esse show durante a sua temporada. Agora você pode assistir ao show completo, mesmo em quarentena.

Aprecie Caravanas ao Vivo sem nenhuma moderação

Lançado em 2017, Caravanas é o 38º álbum de um dos maiores representantes da cultura brasileira de todos os tempos.

A música “As Caravanas”, que dá nome ao disco, retrata com ironia a hipocrisia e o conservadorismo da sociedade brasileira. “E essa zoeira dentro da prisão/Crioulos empilhados no porão/De caravelas no alto mar…/Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria/Filha do medo, a raiva é mãe da covardia/Ou doido sou eu que escuto vozes/Não há gente tão insana”, dizem versos da inovadora canção, porque “a culpa deve ser do sol”.

Desde 1991, quando lançou o romance Estorvo, o cantor, compositor e escritor carioca, que é do Brasil e do mundo, vem alterando seus lançamentos entre um livro e um álbum, num espaço de três a cinco anos entre um e outro.

Você também pode assistir em outras plataformas disponíveis

A temporada de Caravanas percorreu dez cidades brasileiras e Lisboa e Porto, de Portugal, em 2018, alternando as canções inéditas e grandes sucessos de Chico Buarque, atingindo um público superior a 200 mil pessoas.

Além da música que dá título ao disco, outras oito canções destacam o talento do autor. “Na Cantiga”, em parceria com Cristóvão Bastos, causou polêmica ao acusarem sua poesia de ser machista. Mas essa não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece com Chico Buarque.

“Mulheres de Atenas”, de 1976, parceria com o teatrólogo Augusto Boal (1931-2009), foi acusada de machista pelos versos “mirem-se no exemplo das mulheres de Atenas”. Uma linguagem usada justamente para denunciar o machismo que dominava e ainda domina a sociedade brasileira, como a dizer façam ao contrário disso.

Já “Geni e o Zepelim”, de 1979, obrigou o artista a desistir de cantá-la em público por muitos anos em protesto à reação do público que agredia mulheres de topless nas praias cantando os versos da canção: “Joga pedra na Geni/Joga pedra na Geni/Ela é feita pra apanhar/Ela é boa de cuspir/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni”. Quando a música deseja justamente o oposto. Mas o tempo deu cabo dessa ignorância e hoje “Geni e o Zepelim” é um dos hinos dos LGBTs brasileiros.

Acesse o canal de YouTube da Biscoito Fino e assista vários espetáculos 

Caravanas tem ainda parceria com seu neto Chico Brown em “Massarandupió” e participação especial de sua neta Clara Buarque, em “Dueto”, a única faixa não inédita desse álbum. Além das nove músicas do álbum Caravanas, estão no show clássicos como “Partido Alto”, “Iolanda”, “Todo Sentimento”, “As Vitrines”, “Retrato em Branco e Preto”, “Sabiá” e “A Volta do Malandro”, que pode ser a própria volta de Chico Buarque, que estava fora dos palcos desde 2012, retornando praticamente seis anos depois.

A Biscoito Fino disponibiliza também vários outros espetáculos em seu canal do YouTube, como o show de Maria Bethânia e Zeca Pagodinho, de Gal Costa, Elza Soares, Sérgio Ricardo e vários outros, vale a pena conferir a todos esses espetáculos.


Texto em português do Brasil


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