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Quinta-feira, Maio 30, 2024

Sting | Equilíbrio. Ativismo. Sucesso.

José Alberto Pereira
José Alberto Pereira
Professor Universitário, Formador Consultor e Mestre em Gestão

Sting passa os anos 90 a compor música de vários tipos, desde baladas a complexas peças instrumentais, progredindo na profundidade e diversidade da sua capacidade criativa. Como ator aparece em diversos filmes e programas de televisão. No cinema contribui com temas para diversos filmes (“The Three Musketeers”, “Lethal Weapon 3”, “Demolition Man”, “Leaving Las Vegas” e “Sabrina”, entre outros) e compõe várias bandas sonoras (“The Emperor’s New Groove”, “The Thomas Crown Affair” e “The Mighty”). Termina o século XX lançando “Brand New Day”, o seu grito de esperança para o novo milénio. O álbum é o seu best-seller e inclui o tema “Desert Rose”, gravado com o cantor argelino Cheb Mami.

O projeto mais intimista ligado a este disco é um concerto na Toscânia (onde o mesmo foi composto) destinado a fans e amigos de Sting. Estava prevista a transmissão via internet do concerto, mas a data escolhida acabou por se revelar trágica: 11 de Setembro de 2001. Após as primeiras notícias acerca do ataque às Torres Gémeas, Sting pede à audiência que decida se devem ou não continuar. O espetáculo prossegue e torna-se um marco de homenagem às vítimas do atentado (uma delas um amigo próximo do cantor), pontilhado por momentos de forte emoção, como a interpretação do tema “Fragile”. Deste espetáculo resulta o DVD “Sting in Tuscany … All This Time”, talvez o mais premiado do cantor.

Em 2003 lança “Sacred Love”, com as colaborações de Mary J. Blidge e Anoushka Shankar, influências da música de Bach e o tema “This War”, impiedoso acerca da intervenção militar norte-americana no Iraque. Em Outubro de 2004 lança-se na escrita e publica a sua autobiografia, “Broken Music”. Paralelamente Sting continua a compor música para filmes, ganhando com “Until” um Globo de Ouro. Em 2005 participa num concerto de apoio às vítimas do tsunami de 2004 e ainda no Live 8, a sequela do Live Aid igualmente destinado a lutar contra a fome em África. Em 2006 é doutorado Honoris Causa pela Universidade de Newcastle e surpreende toda a gente com o lançamento de “Songs From The Labyrinth”, álbum com temas do compositor inglês do século XVI John Dowland. O disco é um sucesso e atinge os primeiros lugares nos tops de música clássica em 2006 e 2007.

Em Fevereiro de 2007 Sting reúne os outros elementos dos Police e lança a “The Police Reunion Tour”, uma mega-digressão que percorre todo o mundo até Agosto de 2008, passando por Portugal para um concerto no Estádio Nacional e terminando no Madison Square Garden. Ainda em 2007 participa na ópera “Welcome To The Voice”, publicada pela Deutsche Grammophon. Já em 2008 colabora no álbum “Songs For Tibet”, para apoio ao Dalai Lama. Em 2009 é lançado “If On A Winter’s Night”, um conjunto de hinos e canções em torno do inverno, cuja primeira apresentação ao vivo decorreu no cenário grandioso da catedral de Durham.

Em 2010 participa no movimento mundial de apoio às vítimas do terramoto no Haiti e lança “Synphonicities” com um concerto ao vivo em Berlim. Com o recrudescer da crise mundial o seu ativismo está cada vez mais saliente na proteção da terra, dos mais fracos e dos que foram alvo das catástrofes naturais (como o Furacão Sandy). Em 2014 lança “The Last Ship”, um musical que estreou em Chicago e brilhou na Broadway. A 4 de novembro de 2016 é com um concerto de Sting que reabre o Bataclan, clube parisiense onde um ano antes o extremismo islâmico assassinou 87 pessoas. Em 2017 recebe o Polar Music Prize, talvez o mais prestigiado prémio para composição musical. Já em 2018 lança com o jamaicano Shaggy “44/876”, o seu primeiro dueto em disco.

No Outono de 2011 celebrou os seus 60 anos com um concerto em Nova Iorque e uma nova aplicação para iPad. Olhando para trás, o filho do leiteiro de Wallsend passou por 2 casamentos, tem 6 filhos, 7 residências espalhadas pelo mundo e uma fortuna avaliada em mais de 300 milhões de libras. Publicou mais de 30 álbuns em nome próprio, com mais de 200 milhões de discos vendidos e cerca de 50 prémios musicais recebidos. No cinema, teatro e televisão teve mais de 30 papéis (14 dos quais representando-se a si próprio, incluindo o jogo de vídeo “Guitar Hero World Tour”). Desportista apaixonado, corre 8 kms por dia, pratica yoga e adora xadrez (já jogou contra Gary Kasparov e … perdeu). Erudito, possui 2 doutoramentos Honoris Causa (o segundo concedido pela Berkeley School of Music) e é Comandante da Ordem do Império Britânico. Budista, macrobiótico e ecologista, é fundador da Rainforest Foundation e patrono de um vasto leque de instituições que apoiam a terra, as pessoas e a liberdade.

Criativo, hiperativo, imprevisível, apaixonado e multifacetado, Sting é um cidadão do mundo e um farol na bruma do cinzentismo que invadiu o mundo em que vivemos, mostrando a todos que a esperança de um mundo melhor não é utopia, se decidirmos lutar por ele no nosso dia-a-dia.

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Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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