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João de Sousa

Domingo, Julho 14, 2024

Subornos parlamentares do Qatar

Paulo Casaca, em Bruxelas
Paulo Casaca, em Bruxelas
Foi deputado no Parlamento Europeu de 1999 a 2009, na Assembleia da República em 1992-1993 e na Assembleia Regional dos Açores em 1990-1991. Foi professor convidado no ISEG 1995-1996, bem como no ISCAL. É autor de alguns livros em economia e relações internacionais.

A penetração da máquina islamista na Europa

‘Considerando que a investigação dos circuitos financeiros privados só é possível sob plena autoridade judicial, as autoridades políticas europeias não podem ser totalmente culpadas por não terem detectado o que esta operação judicial belga detectou, mas não têm qualquer desculpa por não terem compreendido a agenda islamista das organizações que financiaram e a que convidaram a construir as suas próprias políticas, supostamente defendendo os ‘direitos humanos’ e a ‘democracia’.’

A 9 de dezembro, véspera do Dia Internacional dos Direitos do Homem, a Procuradoria Federal da Bélgica tornou pública uma investigação judicial sobre o suborno de membros do Parlamento Europeu pelo Qatar, visando vários membros e funcionários do Parlamento Europeu, em particular a subcomissão do Parlamento para os Direitos Do Homem (também conhecida pela sigla DROI), em conexão com duas organizações de defesa dos direitos humanos sediadas em Bruxelas.

Enquanto as atenções da opinião pública se concentraram naturalmente na principal personalidade política detida e nas elevadas quantias de dinheiro encontradas na posse dos indivíduos indiciados, justifica-se um olhar mais atento à mensagem política trazida pelos indivíduos e organizações ligadas que as autoridades judiciais belgas acusam de “organização criminosa“.

O recente elogio do Qatar como líder dos direitos laborais chocou naturalmente a opinião pública, precisamente por ser proferido na altura em que se chamava a atenção às imensas tragédias humanas trazidas pelas construções relativas ao campeonato do mundo do futebol, incluindo mesmo as vindas do Parlamento Europeu.

No então, a montagem de toda uma “organização criminosa” seria desnecessária se o objectivo fosse apenas fazer um discurso de louvor por um alto funcionário europeu, aliás, como salienta este funcionário, bastante em consonância com outras posições de outros funcionários europeus.

Considerando que a investigação dos circuitos financeiros privados só é possível sob plena autoridade judicial, as autoridades políticas europeias não podem ser totalmente responsabilizadas por não terem vito o que esta operação judicial belga detectou, mas não têm qualquer desculpa por não terem compreendido a agenda islamista das organizações que financiaram e que convidaram a construir as suas próprias políticas, supostamente defendendo os ‘direitos humanos’ e a ‘democracia’.

O relatório especial do “Corriere de la Serra” sobre o Parlamento Europeu vai mais longe nas questões com significado político, nomeadamente na presença de um conhecido lobista do regime iraniano na manobra da DROI em prol da legislação pró-islamista.

Os relatórios do “Estado da Impunidade” apresentados na subcomissão do Parlamento Europeu sobre os Direitos do Homem apoiam plenamente a visão islamista ecuménica do Qatar, disfarçada em centenas de páginas que abordam questões apenas abordando marginalmente os direitos humanos ou expressando banalidades.

Só a máxima incompetência política ou desonestidade ética pode justificar a falta de compreensão do que significa ver a subcomissão do Parlamento Europeu para os Direitos Humanos apoiar uma visão em que a maior tragédia dos direitos humanos de 2021, a conquista do Afeganistão pelos talibãs, é escondida, e em que a morte do agente da Irmandade Muçulmana, Jamal Khashoggi, e do líder da mais importante rede terrorista mundial, Qassem Soleimani, são apresentadas  como as principais tragédias dos direitos humanos.

Como o SADF salientou recentemente, os oitenta milhões de euros de subvenções concedidas pelas instituições europeias a organizações abertamente ligadas à rede da Irmandade Muçulmana são apenas a ponta do icebergue.  O actual escândalo de suborno é a confirmação desse facto.

Ainda assim, como o SADF salientou na sua investigação sobre a rede de desinformação do ‘desinfoLab‘ – uma rede mascarada de ‘anti-russa’ e destinada a denegrir quem resiste à agenda islamista – os principais instrumentos islamistas de ingerência nas instituições europeias vêm do outro lado do Atlântico, onde a infiltração nos círculos oficiais é ainda maior do que na Europa, como mostra a recente investigação publicado por Cynthia Farhat.

Como provei abundantemente, o Qatar está também a utilizar as redes internacionais de ONG ambientais para eliminar agressivamente concorrentes políticos mais fracos no mercado do fornecimento de gás.

A Europa é confrontada com uma brutal agressão armada por parte da Rússia nas suas fronteiras orientais. A classe política alemã reconhece agora que as políticas europeias de apaziguamento foram uma das principais causas da agressão russa.  Infelizmente, só depois das ambições imperiais neossoviéticas causaram tremendas perdas de vidas e destruição!

Há agora duas coisas que os dirigentes políticos europeus devem reconhecer rapidamente se quiserem evitar a repetição do cenário de guerra. A primeira é que a ideologia jihadista tem objetivos imperiais globais semelhantes aos de outras ideologias totalitárias, como a soviética. A segunda é que tanto o sovietismo como o islamismo são capazes de se disfarçar e de utilizar toda uma vasta parafernália de desinformação e manipulação, incluindo disfarçar-se como “anti-russo” ou, em alternativa, como “salvador do Cristianismo contra o Islão”.

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