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Terça-feira, Outubro 4, 2022

Tom Jobim: Quero a vida sempre assim

José Alberto Pereira
José Alberto Pereira
Professor Universitário, Formador Consultor e Mestre em Gestão

Em 1976 conhece Ana Beatriz Lontra, com que virá a casar. Ela tem 19 anos e é linda. Jobim renasce e em 1978 vai morar para o Jardim Botânico, o éden no centro do Rio. Os amigos começam a morrer: Celso Frota Pessoa (seu padrasto) em 1979, Vinicius em 1980. Em 1983 compõe a banda sonora de Gabriela. A composição de bandas sonoras passa a ser uma das suas actividades mais intensas.

Em 1984 cria a Banda Nova com a sua família (a mulher e o filho), os filhos de Dorival Caymi e os Morelenbaum (Paula e Jacques). A Banda Nova é uma nova fase na sua carreira: um grupo grande, com 12 elementos, permite-lhe uma maior versatilidade na orquestração. No ano seguinte actua na abertura do Festival de Jazz de Montreaux. O mundo rende-se finalmente a Jobim.

Em 1986 casa-se com Ana Lontra. No ano seguinte edita Passarim, uma obra madura de um compositor consagrado, que inclui um dueto com Chico Buarque no tema Anos Dourados. Dois anos depois morre sua mãe, D. Nilza. Em 1992 vem à Península Ibérica e actua em Sevilha (no Auditório de la Cartuja) e em Lisboa (no Mosteiro dos Jerónimos). A arte de Tom Jobim requer espaços equiparados para a sua expressão. Em 1994 edita o seu último trabalho em vida, chamado António Brasileiro, e actua no Carnegie Hall com Pat Metheny e Herbie Hancock. Ainda nesse ano actua em Jerusalém e participa com o filho Paulo no disco Duets II, de Frank Sinatra.

Já doente de um cancro na bexiga, António Carlos Jobim morre de paragem cardíaca a 8 de Dezembro do mesmo ano, no Hospital Mount Sinai, em Nova Iorque, onde se estava a tratar. Antes de partir do Brasil para Nova Iorque, disse à sua esposa Ana Lontra: “Não tenhas medo. Se o Ary e o Villa-Lobos morreram, eu também posso morrer”. No dia em que Jobim morreu o Rio afogou-se em tristeza. As pessoas andavam soturnas pelas ruas, as notícias corriam sem sentido perante o espanto e a perda de todos. O Aeroporto Internacional do Rio, o célebre Galeão do Samba do Avião, passou a chamar-se Aeroporto Internacional António Carlos Jobim.

Rapidamente o seu nome, já tão respeitado, foi catapultado para o firmamento das grandes estrelas da música mundial. O ciclo de homenagens continua até hoje: discos, shows, documentários, livros, exposições, tudo serve para respeitar, lembrar, celebrar o legado de Tom Jobim. A sua família prossegue o seu percurso musical, com o Quarteto Jobim-Morelenbaum. As versões das suas músicas são quase infinitas e provêm de todos os quadrantes da música contemporânea. A saudade é imensa e, a cada vez que olhamos o Cristo Redentor, relembramos a lição que o maestro e a sua música nos deixou: Quero a vida sempre assim, com você perto de mim, até ao apagar da velha chama”.

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