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João de Sousa

Quinta-feira, Outubro 21, 2021

Trump, Israel e a senhora loira

NINM
Colaboração do Núcleo de Investigação Nelson Mandela – Estudos do Humanismo e de Reflexão para a Paz (integrado na área de Ciência das Religiões da U.L.H.T.)

Um ano passado, já poucos se lembrarão de todos os pormenores da tomada de posse de Donald Trump, marcada por aspetos que muitos então comentaram, tais como a atitude de enfado e a vários títulos surpreendente do filho mais novo, ou certas expressões quase assustadas e para alguns pouco sinceras da sua mulher, Melania, a quem a vida aparentemente acabara de dar uma prenda envenenada, essa, a de ser a primeira-dama de um País difícil.  Ambos, o filho mais novo e a mulher, foram praticamente retirados de cena. Melania ainda aparece em atos oficias, mas os dois são remetidos a um limbo defensivo, um muro que Trump ergueu para se defender (e não a eles, supõe-se).

Nessa mesma cerimónia de tomada de posse, poucos são os que se lembram que esteve presente de modo muito ativo uma senhora loira, com gestos e palavras animadas que proferiu em público: “Deus misericordioso, revele ao nosso presidente a capacidade de conhecer a vontade, a Sua vontade, a confiança para nos liderar e a compaixão para ceder perante os nossos melhores anjos”.

O 45º presidente dos Estados Unidos, olhou com ar complacente essa mulher loira, de casaco vermelho que conduziu a cerimónia. Paula White, a “pastora” pessoal de Donald Trump, o mesmo Trump que disse ao mundo que era um homem religioso, repetindo em atitudes e palavras o  que, em 2011, sublinhara num canal de televisão confessional: Sou um cristão protestante; sou um presbiteriano. E tenho uma boa relação com o cristianismo. Acho que a religião é uma coisa maravilhosa. Acredito que a minha é uma religião maravilhosa.”

Se Trump tem uma boa relação com o cristianismo, o cristianismo não tem uma boa relação com Trump e muitos crentes são cada vez mais críticos das atitudes insanas do presidente. Mas a verdade é que não nos cansamos de repetir que homens e religião não são um todo. A religião, por si só, nunca foi uma construção bélica, embora desde cedo tenha sido instrumentalizada como motivação de combates e querelas. A fé, escolha individual, e a crença, onde se estruturam e organizam os que têm fé, não podem ser confundidos com as atitudes individuais dos homens, em especial os que se batem pelo seu poder pessoa, as suas ambições, o seu desamor pelo próximo.

A atitude provocatória de Donald Trump ao deslocar a embaixada norte-americana dentro de Israel, é um ato político e que promove a instabilidade política no médio oriente – porque Jerusalém, a cidade agora em causa, é ponto de encontro do sagrado para três estruturas de crença: cristã, muçulmana e judaica. Trump sabe ao que vai, quando promove a discórdia. Como uma criança, faz a maldade e esconde-se, ansiando pela impunidade. Por falar em crianças, há um provérbio oriental que assenta nas atitudes de Trump: os meninos atiram as pedras à superfície do lago, mas são as rãs que aparecem mortas.

Como sublinhou o embaixador da Palestina, a mudança da embaixada destrói “pontes de paz”. Jerusalém é um dos principais diferendos que opõem israelitas e palestinianos, judeus e muçulmanos, desde 1947, quando a Assembleia Geral da ONU decidiu a partilha da Palestina, entre um Estado árabe e outro judeu, o Estado atual de Israel.

Em 1948, no fim da guerra israelo-árabe, junto à declaração da independência de Israel, Jerusalém foi dividida: a parte ocidental ficou sob controlo israelita e a parte oriental sob domínio da Jordânia.

As Nações Unidas nunca reconheceram Jerusalém como capital de Israel, nem a anexação, em 1967, de Jerusalém Oriental. O Mundo, na sua quase totalidade, seguiu esta orientação da ONU. Agora, são novos tempos a marcar o ritmo futuro. Cabe ao mundo a construção da Paz – e aos ambiciosos a sua destruição.

Qual será a opinião da senhora loira do casaco vermelho?

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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