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Terça-feira, Outubro 26, 2021

Um Corrupto não tem ideologia

Nelson Oliveira
Psicólogo clínico, Mestre em Gestão Autárquica e membro de várias instituições desportivas e humanitárias

Nelson Oliveira

Sobre este assunto há duas críticas fundamentais a serem feitas:

  • Numa investigação judicial desta envergadura, não podem restar mínimas dúvidas sobre a imparcialidade de quem investiga ou julga e a comunicação social não pode estar ao serviço da acusação ou da defesa.

Ambos os casos estão a acontecer no Brasil. Existem diversas provas de que a investigação e o juiz Sérgio Moro têm uma opinião culpabilizante dos investigados e não se coíbem de a transmitir publicamente, seja através de fotos nas redes sociais, em que pretendem a queda do Governo de Dilma, seja pela entrega descarada e execrável de escutas fulcrais no processo à Comunicação Social que serve de caixa-de-ressonância da acusação – a rede Globo começa já a ser ridicularizada, ao estilo Correio da Manhã, como principal promotora deste jogo mediático em que transmite uma culpa a alguém que ainda não foi julgado (no Brasil também existe o princípio in dubio pro reo).

  • Ao aceitar o cargo de Ministro da Casa Civil, Lula da Silva aniquilou toda a réstia de credibilidade e esperança naqueles que ainda acreditavam na sua “inocência”.

Os sucessivos governantes Brasileiros sempre experienciaram acusações ou suspeitas de corrupção, pedidos formais de impeachment, entre outras matérias que colocavam a sua seriedade e honestidade em causa. Contudo, neste caso há um dado novo – a “fuga” de Lula da Silva.

Uma fuga prá frente. Uma autêntica artimanha legal que lhe pode permitir fugir de Sérgio Moro e da sua investigação, alegadamente, inquinada e condenatória.

Mas é aqui que se joga a ética e a seriedade do Homem que outrora foi adorado no Brasil e que efectivamente retirou milhões de brasileiros da pobreza extrema, promovendo também a classe média.

Esta manobra de Dilma e consequente aceitação de Lula é um autêntico tiro no “porta-aviões” da credibilidade dos actuais líderes Brasileiros e do PT. Lula optou por não enfrentar a justiça de Sérgio Moro, recusando até desta forma, retirar proveitos de uma investigação demasiado inquinada (o que não quer dizer que esta investigação esteja ou não errada nas suas conclusões!). Lula aceitou esconder-se atrás do manto protector que Dilma lhe ofereceu, quiçá um favor a quem ajudou a própria Dilma a conquistar o poder.

corrupto

 

Mas o mais extraordinário de tudo isto é vermos as declarações de políticos Portugueses a este escândalo.

Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, diz que “o que está acontecer no Brasil é um golpe de Estado do século XXI”. Se concordo quando diz que é “grave um poder judicial com órgãos de comunicação social que está a agir fora do Estado de direito”, não deixa de ser também grave tentar desculpabilizar Lula da Silva e companhia por actos que, a serem verificados na justiça, se constituem como um crime que deveria merecer ampla crítica de todos os quadrantes políticos.

Um líder partidário, nunca poderá cair no ridículo de menosprezar um possível crime de corrupção, seja qual for a ideologia adjacente a essa pessoa. Será que se Lula da Silva fosse de direita, Catarina Martins não estaria a solicitar a sua detenção imediata? O que diz Catarina (e bem) do que se passa no regime Angolano?

O PCP também já fez saber que existe uma “acção montada contra Lula da Silva” e que “estão a ser lançadas as condições para a reversão dos avanços nas condições de vida do povo brasileiro alcançados nos últimos 13 anos” (in: Expresso).

De uma vez por todas, os partidos e os seus responsáveis têm que entender que um corrupto na política, é como a má moeda na Economia, interpretada na Lei de Gresham – “a má moeda tende em expulsar a boa moeda”.

Se partidarizamos o julgamento de um putativo caso de corrupção estaremos a fazer um péssimo serviço à democracia e aos partidos, cada vez mais descredibilizados na sociedade.

Por muito que Lula da Silva ou outro qualquer político na mesma situação, possa ter feito de positivo perante o povo que o elegeu, não se pode escamotear comportamentos pouco lícitos e estes tem que ser condenados.

Um corrupto não é de esquerda ou de direita. A corrupção não tem ideologia, credo ou raça – é sim um obstáculo à democracia e ao interesse público.

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