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Quarta-feira, Outubro 27, 2021

Um octógono irregular para conhecer e desconhecer Delmar Maia Gonçalves

O tema da mulher africana incendiou imediatamente a pequena plateia de não mais de dez pessoas que, nesse tempestuoso domingo de manhã, se aventurara entre ventos e enxurradas e conseguira chegar até à galeria Dubalacobaco a horas para o evento organizado pela AAMA – Associação de Amigos da Mulher Angolana.

O encontro: Dubalacobaco, 15 dezembro 2019

Conheci pessoalmente Delmar Maia Gonçalves na manhã de 15 de dezembro, nos corredores do 1st floor – Ethical Market, um dos espaços da Lx Factory (Lisboa), acompanhado de três pessoas muito queridas para mim. O confronto inesperado com um mundo pequeno e agradável deu o mote de alegria e descontração para a apresentação que se seguiu, pontualmente, às 11.30h. Iniciaram-se de imediato os preparativos, entre a montagem da mesa e a disposição dos inúmeros livros que o autor – que me tinha acompanhado, sem o saber, durante toda a semana – generosamente levou para dar a conhecer à pouco numerosa plateia. Livros seus, em parceria, mas também de outros autores moçambicanos e africanos, e outros artefactos curiosos de divulgação da cultura africana, como blocos e agendas, foram dispostos em cima da mesa, que seria um palco improvisado nos minutos seguintes. Embora lamentasse o pouco tempo útil de preparação do evento, em muito ajudada pelo envio de uma exaustiva nota biográfica, estava segura das questões que queria colocar.

Começámos com quatro temas, que depois se abriram e compõem agora este texto, escrito como um octógono irregular. Havia ainda um quinto tema, que era na verdade uma curiosidade que me tinha ficado dos tempos de estudante, acerca da especificidade das chamadas “donas dos prazos” da Zambézia. Esse tema trazia-me um forte palpite sobre quem era – intrinsecamente – Delmar Maia Gonçalves, mas aparecia como um aparte na minha lista de tópicos uma achega. Com surpresa, o tema da mulher africana incendiou imediatamente a pequena plateia de não mais de dez pessoas que, nesse tempestuoso domingo de manhã, se aventurara entre ventos e enxurradas e conseguira chegar até à galeria Dubalacobaco a horas para o evento organizado pela AAMA – Associação de Amigos da Mulher Angolana.

Rapidamente a palavra circulou e os dez minutos previstos para a minha apresentação, seguidos dos vinte minutos que o convidado tinha para responder, se esfumaram. Sheila Rocha, arriscando afastar os potenciais clientes que viam a porta da Dubalacobaco encostada para evitar o barulho que já começava a sentir-se, deu sinal para continuarmos. E ali, num público interessado e rodeado de obras de arte, falámos todos de poesia, de ficção, de política, de paz, de amor e da vida.

O evento foi dado por encerrado às 12.30h, mas a conversa continuou, com mais perguntas. Juntaram-se mais poetas, alguns conhecidos como Susana Roque Bravo e Luís Ochoa, outros mais escondidos, mas todos movidos pela mesma vontade poética, literária e artística. As conversas circularam ainda uma boa meia hora, enquanto, lentamente, libertávamos a galeria que tão gentil e calorosamente acolheu a iniciativa da AAMA. Ficaram prometidas mais conversas. Este tinha sido apenas um primeiro rastilho.

O autor: o consagrado, reconhecido, legitimado, galardoado

Delmar Maia Gonçalves nasceu na cidade de Quelimane, a 5 de julho de 1969. Já na Europa e na própria África sopravam os ventos de mudança que haveriam de conduzir a um novo destino de Moçambique como país independente do poder colonial português (1975), para logo se abater uma nova guerra que estalou logo de seguida e se arrastou durante a década de 1980. Terá sido algures neste mundo incerto e inseguro que Delmar, ainda muito jovem, se exilou em Portugal, onde reside ainda hoje. Ainda durante os estudos secundários, o seu talento para a escrita começou a ser notado e, consequentemente, mais e mais alentado. Encetam-se aqui uma longa lista de eventos, prémios e outras formas de reconhecimento que levaram o moçambicano a abraçar o seu destino de escrita em tenra idade. Os prémios e reconhecimentos têm para um escritor, ou para qualquer artista, não apenas o condão de elevar a sua autoestima, mas de firmar o seu destino. São um modo de dizer: Vais bem, continua, é por aí!

O arrolamento de publicações, prémios e outras formas de reconhecimento está disponível online e é amiúde incorporado nas lombadas dos seus já muitos livros, pelo que não me irei aqui alongar na sua explanação.

O personagem múltiplo ou a apresentação de si

A biografia de Delmar Maia Gonçalves pode ser consultada em inúmeros sites da internet, bem como nas mais de duas dezenas de livros publicados. Mas será que o ficamos a conhecer? Estas biografias nunca trazem exatamente a mesma informação, como se a vida se excedesse a uma nótula, ou se Delmar gostasse de sublinhar aspetos diferentes. Muitas vezes é escritor, professor, dirigente e membro de movimentos culturais. Frequentemente apresenta-se como membro fundador do Centro Cultural Luso Moçambicano, um importante órgão de apoio aos artistas, mais vezes ainda como presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora. Outras vezes, sem ambiguidade, é bibliotecário, ativista de organizações juvenis, autor premiado, pacifista em luta pelas plataformas inter-religiosas. E todos estes compromissos se misturam e mostram partes de uma vida dedicada. A lista das suas variações é longa. Começa aqui a suspeita de estarmos perante um autor que escreve com a matéria-prima da sua biografia e que soube fazer da sua vida o repositório primaz da sua execução escrita.

Delmar Maia Gonçalves joga com a sua vida e, como o fazem muitos outros artistas, circula pelo mundo literário com uma série de pseudónimos. Em diversas páginas biográficas indicam-se os mais habituais: Sultan El-Ahmed, Ibn Khan, Maya, Zacarias Faztudo e Malfez Razão.

Ao contemplar o conjunto de pseudónimos, fui acometida de uma suspeita que o encontro com o autor de todas as autorias me confirmou – algo surpreendido, sublinhe-se. Delmar é um escritor, um literato e um erudito, com boa-disposição. Isso explicaria a sonoridade e a brincadeira. Mas é também sério e atravessado por sentimentos fortes, até mesmo trágicos, em que se assume como um nostálgico, um guerreiro (por causas), um revolucionário. O que nos está a querer mostrar sem desvelar logo o véu da evidência? “Quanto mais me conhecerem mais terão para descobrir” – apresenta-se no seu blogue Sueños Del Mar, aberto em 2007. Será que quer mesmo dizer alguma coisa? Na dúvida pesquisei um pouco sobre as personagens históricas que estão por detrás destes nomes exóticos. E a resposta não se fez rogada. Por ordem cronológica, Delmar apresenta-se assim:

Zacarias Faztudo, um nome engraçado e divertido que encapela a vida de Zacarias, a conhecida personagem bíblica cujo nome significa “Memória do Senhor”. Foi o profeta judeu no exílio do Império Akhménida, a antiga Pérsia e atual Irão – nos dias de 2020 tão tristemente evocado – então governada por Dário I, e iniciou o seu movimento de resistência aos poderes da terra por volta do ano 520 a.C.

Ibn Khan faleceu em 1070 na atual Síria, numa emboscada perpetrada pelos seus próprios homens de confiança, no contexto da guerra pelo governo da cidade de Tiro. A carreira deste mercenário turco foi longa e bem-sucedida, contando-se nas suas glórias o comando em batalhas vitoriosas no histórico cerco de Alepo (1065), primeiramente ao serviço de Atiyya ibn Salih, que lhe demandou ajuda contra o sobrinho e usurpador Mahmud ibn Nasr. Mahmud acabou por vencer a guerra e contou-se para isso o apoio de Ibn Khan, que acabou por se juntar à sua causa e chegou a fazer frente ao antigo sultão, ainda em 1066, com novas tropas recrutadas por ele mesmo no atual Iraque. Uma história complicada de luta pelo poder em nome de dinastias e de causas, em que o principal permanece: mil anos depois, as mesmas batalhas sanguinárias nas mesmas cidades, onde já se perdeu o rasto de quem tem razão.

Sultan El-Ahmed (1590-1617) descendente de Suleiman o Magnífico, subiu ao trono do império otomano em 1603, para eternizar a sua existência como o construtor da Mesquita Azul (Istambul, Turquia), um dos mais belos símbolos religiosos e culturais do mundo. É menos conhecido por um facto absolutamente radical e extraordinário para o seu contexto: pela primeira vez, um sultão subia ao poder sem cumprir a tradição de matar o irmão.

Se Delmar Maia Gonçalves cogitou cada significado destes e outros pseudónimos, palmo a palmo, não sei. Que não é coincidência o perfil complexo destes personagens, disso não tenho dúvida: combativos, firmes, corajosos, apaixonados, dedicados a uma causa.

O missionário: o profeta?

Tal como os seus personagens e pseudónimos, também Delmar Maia Gonçalves tem uma causa, ou várias causas que redundam numa busca sempre orientada para a paz. A sua militância em organizações religiosas plataformas inter-religiosas tem vindo a cimentar esse propósito, como professor e ativista. Um dos galardões que se contam no seu currículo é justamente o papel de embaixador da paz na Interreligious and International Federation for World Peace (2003).

Ora, este papel é encarnado na poesia, na prosa e na ensaística, não como um mero tema, mas como um topos transversal. Frequentemente, na sua obra, surgem Mahatma Gandhi, o Papa, e outros líderes religiosos. A sua noção do divino funde-se, em certa medida, ao desejo absoluto de paz na terra, nesta vida material. Coloca assim estes líderes de mão dada com outros da esfera política, como Nelson Mandela ou Martin Luther King, numa missão unívoca.

Interrogo-me se para Delmar a poesia é uma arma, como afirma no poema “Arma secreta” e como esgrime o poeta português Manuel Alegre, mas a vida de missionário que abraçou carece certamente de muitas e boas palavras. Esta postura fez-me elucubrar sobre o que pensa do poder da palavra, já que, como afirmou de viva voz na Dubalacobaco, considera-se alguém que ganhou “poder pela voz”.

O cidadão do mundo é moçambicano

A ideia de que Delmar Maia Gonçalves, de voz suave e porte elegante, possa ganhar “poder pela voz” leva-nos para um horizonte muito amplo, que devolvem o escritor à terra que o viu nascer, Quelimane. A capital da Zambézia fica nas margens do rio dos Bons Sinais, que desagua logo adiante no oceano Índico. A evocação desta geografia originária permite a pergunta que nunca se fez: que fará Delmar em Lisboa, cinquenta anos depois?

A história que nos contou, em fragmentos, como todas as boas histórias que estão marcadas na pele de quem as experienciou, terá um dia de ser contada pelo próprio, em nome da beleza dos instantes, da reposição da verdade histórica e da memória para as gerações futuras. Porque o poeta carrega consigo uma parte da história do mundo, não só por a ter pensado, mas sobretudo pela intensidade com que a viveu. Enquanto isso não acontece, esses fragmentos vão dando corpo a uma memória nostálgica e combativa, desde os tempos de criança até à vida de exílio.

“Já fui criança”, começa a contar no poema “Nostalgia de Infância”. Volta muito a esse tempo, descrito em inúmeros outros poemas (por exemplo, “Nostalgia Africana”), evocando a escuta das histórias contadas pela avó e os ambientes de “uma grande e longínqua casa” (poema “Moçambique, minha Pátria e minha Mátria”). E essa vivência foi de tal ordem marcante que, ainda, nos seus sonhos nostálgicos revê “mofanas e adultos/ semi-nus e descalços/ percorrendo a Zalala” (poema “Sonhos Nostálgicos Moçambicanos”). Mas nem tudo são sonhos de nostalgia, mesmo aqueles de extensão tão longa que em muito ultrapassa a distância que vai do Zambeze ao Rovuma, pois marcam ousadamente uma forte convicção política, tal como como invoca, por exemplo, em “Junho Moçambicano”, onde canta a libertação e a vida nesse mês “libertário e libertador”.

Não é apenas saudade. A sua mensagem é a de que “a luta continua”. A guerra de independência dos moçambicanos está longe de ter sido terminada com a brecha aberta pelo 25 de abril de 1974 e o processo de separação do poder colonial. O seu país “mudou de dono, mas ficou tudo igual”.

Ainda há em Moçambique medo de falar, medo de escrever e medo de pensar. Muito medo na hora de deitar um voto numa urna. E esta é a vertente de Delmar Maia Gonçalves mais inflamada, aquela em que defende que o escritor é um ser “perigoso”, que “desmascara as situações” e é capaz de “exorcizar o medo”. A sua mensagem é clara: o escritor não é só quem usa as palavras sem medo, mas “quem escreve tem de passar essa coragem”.

O revolucionário ou o ‘mestiço de corpo inteiro’

Ser um mulato de Quelimane é o mesmo que ser qualquer outro mulato? Ou um descendente da Zambézia será sempre diferente? Nem toda a gente percebeu a minha pergunta, mas Delmar deu logo sinal de que lhe tocava no fundo da alma e lhe cutucava nos segredos do sangue. Abordei um aspeto histórico, mas que permanece atual e que resulta do facto de que gerações e gerações de indígenas ao lado de gerações e gerações de senhores coloniais desconseguiram em absoluto os princípios mais caros ao patriarcado e ao colonialismo na sua forma mais viral e entranhada no ser humano: a subjugação da mulher. Começou por rir, como quem tivesse sido apanhado em qualquer coisa muito boa que tinha vergonha de anunciar ao mundo, por não querer parecer superior. Finalmente, numa risada alegre e enigmática anunciou “A minha avó era dona de prazo.” Pois claro, pensei logo, só podia ser! E ficámos uns instantes a apreciar o que aquelas palavras enigmáticas queriam dizer, antes de se desfazer o segredo.

Após esses brevíssimos instantes, perante uma assembleia em assombro, explicou em detalhe o que um dia há de deixar por escrito, acerca do poder que a mulher teve e tem ainda na cultura zambeziana. Delmar Maia Gonçalves teve o privilégio de ser descendente de donas de prazos, um modo de vida que esteve ligado a um sistema de propriedade em que as mulheres eram as proprietárias de terras e as senhoras que comandavam os seus trabalhadores. Quando casavam, legalmente perdiam o direito a exercer este poder, mas, como se sabe e o descendente vivazmente testemunhou, na prática eram mesmo elas que mandavam. Inclusive, poderiam dispensar o marido, no caso de não cumprir as suas obrigações matrimoniais, sem que nada disso fosse imoral ou reprovável. Na segunda década do século XX, os olhos ainda se arregalam de ouvir tais coisas, e, todavia, nada mais simples nessa terra de onde vem Delmar.

A família é outro topos transversal à obra de Maia Gonçalves. Quando quer ser mais rebelde, faz figurar o seu tom de pele em destaque, como no poema “Mestiço”, em que vive a contradição de que para ser “Africano pleno” tem de “admitir ser” o que não é, e para “ser Europeu de corpo inteiro” tem de “fingir e procurar ser” o que obviamente não é, compelindo-o a um modo de vida em que é o que não é. No poema “Mestiço e Africano” procura uma síntese desse tema que inunda uma parte fundamental da sua obra: “Sou o que sou/ não o nego/ Sou o que sou/ Mesmo sendo/ o que não sou!”. Para trás ficaram, sem dúvida, esses tempos que inspiraram os inúmeros sonhos e estados melancólicos em que o poeta se fez homem, com a singularidade de quem carrega nos ‘d’ e mastiga os ‘r’ (poema “Singularidade Africana”). Esta é a nossa contemporaneidade.

Falou-nos com um carinho imenso do amor entre os seus pais, que apesar de um fosso entre culturas, linhagens, histórias e genéticas que Delmar materializa a preto e branco, no sangue vermelho de caucasiano e africano. Não parecia haver “diferença” entre eles. Esta não é a versão da história de muitos dos moçambicanos que são frutos de ligações forçadas entre portugueses e moçambicanas, como também denuncia na sua obra e apresenta em toda a sua nua complexidade, como acontece no poema “A História de Maria Preta Relembrada” – em que havia amor, mas um amor subjugado, desigual e violento. Mas o facto de existirem amores sinceros e verdadeiros não será uma bandeira maior?

Numa época em que todas as teorias racistas foram desmascaradas e em que se faz abertamente a apologia do transcultural e da hibridez de culturas, depois de falar com o autor, ainda me espanta que palavras como “preto”, “branco” ou “mulato” constem da nossa linguagem. Não somos todos pessoas? A nossa guerra talvez seja essa mesma.

O poeta, escritor e pensador desconseguindo-se

Não falámos de como escreve, cria e se desconsegue, na rotina dos dias, para manter a vida literária. Atirei essa deixa para conversas futuras a partir deste mote de Manoel de Barros, no poema “Didática da Invenção”, no qual o poeta brasileiro defende que “Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios”.

Diria, pelo que li e ouvi de Delmar Maia Gonçalves, que tem uma firme convicção de que essa prática de escrita decorre exatamente da capacidade de se desconseguir, sendo o que não é, e com a consciência de existir que a sua condição a preto e branco lhe traz de tão especial. Nessa luta com a experiência que a vida lhe trouxe, não se ficou pelas palavras fáceis, mas corajosamente permitiu-se as operações mais delicadas e fundamentais a um ser humano: estranhar-se, refazer-se, recompor-se, em suma, desconseguir-se.

O enigma ou as perguntas que ficam

O enigma moçambicano que Delmar Maia incorpora está espalhado pela sua obra. Nas leituras prévias, no encontro literário e na exploração que depois continuei, encontrei um sem-número de perguntas suscitadas pelas suas palavras. Partilho aquelas que, certamente, contribuirão para que o autor pense com uma consciência cada vez mais aguda.

Quando, no poema:

“Ah se seu pudesse
se eu pudesse medir a minha
indiferença”

Se queixa:

“daqueles que escrevem pedra
em vez de corpo”

Que são os mesmos que:

“parecem frios
e são o que parecem”

Referindo-se ao suposto vanguardismo poético, termina com os versos que me parecem extraordinariamente visionários:

“Mas estar aqui não é isso
E eu estou aqui”

O que será “estar aqui”? Esta pergunta, que foi inicialmente lançada em abstrato para o ser poético, é hoje feita ao cidadão do mundo Delmar Maia Gonçalves que afirmou publicamente, logo nas primeiras declarações da conversa, que “estar no exílio não foi uma opção”, e que, portanto, estava “sempre de passagem”, isto é, tanto poderia “estar em Portugal, como noutro lugar qualquer”. O que é estar aqui?

Ainda com relação ao tema da passagem, do exílio e, enfim, da travessia, sintetiza todo esse complexo emaranhado de problemas e sentimentos no poema “Náufrago Africano”, onde declama:

“Sou um náufrago
em busca
de um porto seguro!”.

Com certeza, Delmar, o poeta, o cidadão, o missionário, mas também todos nós. O que me intriga vem muito antes desse porto onde todos um dia quereremos chegar sãos e salvos, cada um na sua fantasia. O que me inquieta é, afinal, isto: Delmar, de onde naufragou?


por Ana Luísa Paz, Doutorada em Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, com a tese Ensino da Música em Portugal (1868-1930): Uma história de pedagogia e do imaginário musical (2014), Mestra em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É Professora Auxiliar no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e tem publicado sobre ensino artístico, numa perspetiva histórica, comparativa e crítica


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