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Sábado, Setembro 18, 2021

Um taxista português morto nos atentados

imagem dos atentados em França, onde morreu um taxista português

O número total de mortos é ainda provisório. Confirmados estão 127 mas poderão ser mais as vítimas dos atentados desta Sexta-Feira, 13, em Paris, França. Há um taxista português residente há vários anos em Paris na lista de mortos, uma informação já confirmada pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário. Há dezenas de feridos graves nos hospitais de Paris. A capital francesa continua em alerta máximo e todo o território francês está em estado de emergência com as fronteiras encerradas e controladas por militares. Os habitantes de Paris saíram às ruas numa reacção que visa mostrar que estão de luto mas de cabeça erguida.

Paris ainda cheira a morte. A noite de Sexta-Feira foi trágica. Várias explosões e tiroteios incluindo actos suicidas em bares, restaurantes, esplanadas e numa sala de espectáculos, todos próximos do estádio de futebol onde decorria o jogo amigável entre as selecções de França e da Alemanha. O alvo principal foi o espaço Le Bataclan, onde actuava a banda Eagles of Death Metal e onde os terroristas mataram a tiro mais de 70 espectadores. Os restantes foram assassinados nos outros atentados. O Estado Islâmico já reivindicou oficialmente os ataques e lançou a ameaça de que os próximos alvos são as cidades de Washington, Londres e Roma. O presidente sírio, Bashar al Assad, condenou suavemente os atentados em Paris. “O que a França sofreu de terror selvagem é o que o povo sírio vem passando há mais de cinco anos”, disse. Mas o presidente da Síria acusou as políticas internacionais de bombardeamentos contra o terrorismo “As políticas erróneas dos países ocidentais, incluindo a França, na região, têm contribuído para a propagação do terrorismo”, afirmou Assad.

França chora mortos sem medo e canta a hino nacional

Com o mundo solidário, os franceses acordaram este sábado de luto e em lágrimas, mas sem medo. Pela manhã, em diversos locais públicos cantaram a Marselhesa, hino nacional de França, trocaram abraços e colocam flores nos locais atacados. As conversas estão feridas pela tragédia, revoltadas pelos actos terroristas, chocadas pelos relatos dos sobreviventes que testemunharam os assassinatos.

“Horror, massacre, carnificina, sangue, corpos espalhados, mortos, pânico, terror, choque”. São algumas palavras de testemunhas dos atentados em Paris que aconteceram ao início da noite à hora do jogo França-Alemanha e ao qual assistia o presidente François Hollande que foi retirado sob protecção policial. Os sobreviventes afirmam que alguns dos atiradores proferiram frases em árabe como “Allah akbar” (Deus é grande) e descrevem que os atiradores actuaram de rosto destapado, agiram de forma fria e cruel executando as pessoas a tiro com metralhadoras automáticas.

No Le Bataclan, os terroristas fizeram dezenas de reféns durante três horas e no assalto policial foram abatidos três atiradores mas não são ainda precisas ainda informações sobre o número de terroristas que agiram dentro da sala de espectáculos, bares e restaurantes, que provocaram também centenas de feridos. Não há ainda muitas informações a nível das operações policiais, militares e dos serviços secretos franceses sobre as detenções ou suspeitos, sabendo-se apenas que foram detidos alguns indivíduos para interrogatórios. Foi lançada uma enorme operação nacional para tentar evitar novos ataques, dadas as fragilidades de segurança que subsistem em França e que ficaram provadas na noite desta Sexta-Feira 13.

Os atentados ocorreram em sete locais diferentes, em simultâneo, dando o alerta do pior ataque em França desde a Segunda Guerra Mundial. As forças de segurança e emergência médica avançaram para as zonas mas perante a gravidade da situação, foram mobilizados de imediato cerca de 1500 militares. Paris está em estado de alerta máximo e as autoridades apelam à população para evitarem sair de casa, o que não foi respeitado. Os habitantes de Paris saíram de casa numa reacção que visa mostrar que estão de cabeça erguida.

Especialistas em terrorismo consideram que a acção foi organizada e planeada para ser realizada com vários atentados em simultâneo muito próximo do estádio e futebol e que o facto de decorrer um jogo entre as duas potências europeias, França e Alemanha, foi uma escolha simbólica.

Cavaco Silva

Condenação e condolências de Portugal

Cavaco Silva informou no site da Presidência da República ter prestado solidariedade à França em mensagem enviada ao presidente François Hollande, em seu nome pessoal e do povo português. “Sentido pesar e da mais sincera solidariedade às famílias enlutadas e a todo o povo francês. “Peço-lhe que aceite, Senhor Presidente, a expressão da minha elevada consideração e estima pessoal”, conclui o chefe de Estado português.

Também o líder do governo, Passos Coelho enviou mensagem de condolências a Hollande, onde condenou o ataque terrorista. “Portugal repudia firme e veementemente toda a forma de terrorismo”, afirma Passos, oferecendo “apoio, solidariedade e colaboração do Estado português para fazer face a este flagelo que ameaça os nossos valores, as nossas convicções e as nossas sociedades”.

O líder do PS enviou mensagens a François Hollande e ao primeiro-ministro, Manuel Valls. “Manifesto a minha solidariedade com o povo francês e as suas autoridades perante os ataques terríveis desta noite”, escreveu António Costa.

Além destes também os candidatos presidenciais Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias manifestaram condenação dos atentados e solidariedade aos franceses.

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