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Terça-feira, Novembro 30, 2021

Vanessa Grazziotin: Opressão feminina é estruturante do capitalismo

“É preciso entender e preparar as mulheres para que compreendam que apenas uma luta emancipacionista é capaz de libertá-la dessa exploração e dessa opressão que a sociedade lhe impõe”, diz a ex-senadora.

O processo de realização do 15º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), cuja etapa final ocorreu em outubro, continua rendendo bons frutos. É a avaliação da secretária nacional da Mulher do partido, ex-senadora Vanessa Grazziotin, em entrevista ao Portal PCdoB.

Vanessa comemora uma maior participação feminina nos órgãos de direção do PCdoB. Segundo elaas direções partidárias em muitos estados e municípios atingiram 50% em equidade de gênero, inclusive no Amazonas. Estado em que ela atua. Vanessa faz avaliação positiva do trabalho da secretaria e reforça que opressão de gênero se combate com a luta emancipacionista.

Na opinião da dirigente, o PCdoB expressa na prática a luta pela emancipação das mulheres. “Acabamos de concluir a realização de um congresso extremamente vitorioso que contou com uma participação efetiva em todos os aspectos das nossas dirigentes e militantes”, disse Vanessa. Congresso que reelegeu a presidenta Luciana Santos para comandar o PCdoB nos próximos quatro anos.

A secretária nacional da Mulher destacou ainda que o Congresso partidário estabeleceu que 35% da composição das direções deve ser composta por mulheres, avançando no percentual anterior que estabelecia 30% de equidade de gênero. Atualmente, 59 mulheres foram eleitas para a composição do novo Comitê Central, a instância máxima de decisão do PCdoB e que é formado por 165 membros.

“O nosso estatuto fala na busca da equidade e a gente vai aumentando a cada congresso a participação das mulheres. Em vários estados e municípios, a direção tem 50% de homens e 50% de mulheres. Esse é um objetivo maior do nosso partido então a gente tem buscado desenvolver um processo permanente de comunicação e, principalmente de formação das mulheres, para que elas possam estar preparadas e assumir cargos importantes de direção no nosso partido”, completou Vanessa.

A política formativa tem ganhado ênfase no último período com a orientação de organização de cursos nacionais e locais. “Temos realizado cursos nacionais que vão desde o marxismo e o feminismo até a participação das mulheres na política passando pela questão da violência, de políticas públicas”, afirmou a secretária da mulher. De acordo com ela, esse caminho tem sido eficiente para garantir a presença das mulheres dentro do partido.

“Formação ideológica é muito importante. A gente não luta por aquilo que nós não temos convicção, que nós não dominamos”, ressaltou Vanessa. Na opinião da dirigente, a formação abre caminhos para que a mulher perceba que vive em uma sociedade baseada na exploração, na opressão, e que pelo simples fato de ser mulher ela sofre uma exploração a mais, que é a opressão de gênero”, complementou.

“A gente tem claro que a opressão de gênero é uma questão estruturante da sociedade capitalista. Por isso, é preciso entender e preparar as mulheres para que compreendam que apenas uma luta emancipacionista é capaz de libertá-la dessa exploração e dessa opressão que a sociedade lhe impõe. A própria emancipação das mulheres virá apenas com a emancipação da própria sociedade como um todo”, declarou Vanessa.

Pautado pela formulação do Feminismo Emancipacionista Popular, o PCdoB tem como desafio desenvolver essa linha de pensamento. “O feminismo emancipacionista popular na realidade não é algo novo pra nós. Talvez a forma de expressar seja mas não o conteúdo porque há mais de 30 anos quando nossas militantes começaram a ter mais liberdade para atuar nas entidades feministas muitas das entidades criadas em vários estados brasileiros elas tinham no seu nome a palavra popular”, esclareceu a dirigente.

“Precisamos envolver as mulheres pobres, aquelas que representam 40% da chefia dos lares e vivem nas periferias. São mães solas e que passam por muita dificuldade, que sofrem com a carestia, sofrem com a falta de democracia, com a falta de educação, com a falta de saúde. Então nós precisamos dialogar com as amplas parcelas da sociedade e não ficar apenas naquele nicho intelectualizado”, concluiu Vanessa.


por Railídia Carvalho, Jornalista e sambista  |  Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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