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João de Sousa

Segunda-feira, Julho 4, 2022

A concorrência

DESESPERADAMENTE CALMA

Ando a pensar na vida… outra vez, e, como sempre, às vezes também penso no vizinho bonitão…Às vezes somos privados de oportunidades e abusados por pessoas que se impõem aos nossos direitos, privando-nos do direito de escolha, é assim no amor, é assim nas relações de amizades e nos fornecedores de serviços.

Durante muito tempo vivemos (nós os Angolanos) nesta situação. Só comíamos o que nos colocavam na mesa e não tínhamos segunda opções ou seja nos era vedado o direito de escolher quem vai e o que vai nos servir… Monopolizam o mercado e vedam as entrada para a concorrência, o consumidor cria uma dependência tão grande a ponto de submeter-se às imposições do fornecedor. É criado um monstro em torno da importação que o consumidor chega a agradecer por ser maltratado. Algumas pessoas engordaram o poder de comprar e iam directamente à fonte e, de repente, todo p mundo estava a viajar para comprar o que quisesse… o antídoto para este fenómeno não tardou, impostos de importação altíssimos, proibições e restrições, dificuldade de aquisição de divisas.

A posição de interesses entre pessoas que têm um objectivo em comum. Quando existe a concorrência o cliente é o alvo, e a partir dai criam-se politicas para acarinhar e satisfazer o cliente, promoções, brindes e bonos.

O cliente torna-se num amigo que quer sempre voltar e sempre que volta traz mais alguém consigo.

No amor concorremos todos os dias com o tempo e monstros imaginários, o ciúme nos treina transformando-nos em fortes concorrentes, às vezes contra nós próprios. Saber que tem alguém que disputa o mesmo objectivo que nós procurando alcançar vantagem… nos faz reinventar a cada dia uma nova estratégia para regar, podar e enfeitar o canteiro da vida.

Os lucros… sim essa é a meta, somas avultadas e sensações inexplicáveis.

Será certo impor-se sobre a vontade de quem te escolheu para servi-lo ou acompanha-lo para uma vida? Para mim é humilhante quando vais a uma loja e encontras uma placa: NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÕES, esta é para mim a maior desconsideração ao consumidor, vender objectos sem colocar à disposição do cliente meios para possíveis consertos. Aqui tudo parece exclusivo e os consertos são feitos por ditos representantes que cobram preços exorbitantes que obrigam o cliente a preferir substituir o produto e não conserta-lo.

Quanto ao vizinho  bonitão… ele sabe que o mercado está muito concorrido. Ontem no meu aniversario fez-se presente com um presente muito lindo.

A autora escreve em PT Angola

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