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Terça-feira, Junho 22, 2021

A importância da filosofia da educação, ciência e regulamentação em Angola

Vítor Burity da Silva, Angola
Ph.D em Filosofia das Ciências Políticas. Doutor Honorário em Literatura e Filosofia. Professor Universitário Auxiliar. Investigador Auxiliar. Escritor.

Dissertação de Pós-Doutoramento de Victor Manuel Amaro Burity da Silva, 2021

Chacina. Talvez a expressão mais adequada ao ensino em Angola. Um país que não mata o saber porque não tem, mas inviabiliza quem quer saber porque não é capaz, ou simplesmente não quer. Angola, na retaguarda de qualquer outro país africano, um simples e mal licenciado é professor, alguém que apenas tem um diploma, que nada significa, sabendo nós da qualidade do ensino angolano, que vive orgulhosamente solitário nas suas desventuras de intelectuais de ar estafado, apenas os fatos que enfeitam de vaidade o orgulho abrupto de um licenciado sem reconhecimento em mais parte nenhuma do mundo.

Estudiosos quadrados que nem para quadros mal pintados servem e enchem se de um  orgulho ignóbil nesta redoma de fantasias espalhados pelas paredes da melancolia das pessoas que por ali vivem, um curso superior que serve apenas para  vender frangos no KFC, vaidosos e ostentando o seu diploma nas viagens tristes feitas pela cidade. Licenciatura em angola é uma falácia, uma tristeza.

Com o devido respeito, digo, muitos recorrem a Cuba, mas vão sem bases nem capacidades mínimas para um curso qualquer num país que vive, infelizmente, um atraso milenar, a quem ensina? Pois, não ensina, amealha valores monetários para que infelizes deste país consigam um diploma de licenciado, mestre ou doutor, mas de validade duvidosa, questionada, verdade, que terá Cuba para ensinar quando eles próprios não o conseguem?

Nesses países o ensino é negócio, virou mercantilismo puro onde quem possuir alguns dinheiros vai e é diplomado com excelência sem ter feito sequer nada, nada sabem de qualidade ou o que isso significa, vive-se de um orgulho nefasto e necrófilo onde só os abutres conseguem singrar. Comer o resto do pouco de poucos que são todos. Miseravelmente felizes nessa redoma de sonhos amassados e  amansados por ostentação, é disso que vivem.

Está provado que ninguém consegue ensinar tudo o que sabe, logo, num país com uma imensa quantidade de analfabetos puros e o resto analfabeto funcionais, que se aprende nestas escolas? Sou obrigado a dizer: Nada. Nada porque ninguém quer que se saiba, dividir para reinar, não formar quem ensina e quem ensina nem para si próprio sabe. As escolas públicas são uma pura vergonha!

As privadas um purgatório de cofres para amealhar, nada mais. Angola é o segundo país africano que menos aposta no ensino. Porque será?

Investigar e trabalhar para que se encontrem respostas, arranjar soluções, especialistas que entendam de educação, filosofia do ensino, agitar e abrir o leque das mais variadas tempestades encontradas quando ninguém mais ainda pensou nisso. Pretendo sim, trabalhar e investigar, melhorar a minha formação e credibilizar mais a minha opinião que cientificamente seja mais credível, destapar esta teia onde só a arrogância vive porque é lema cá, quem menos sabe mais vale, porque convém, teorias totalitárias e regimes duros, sujam a alma de inocentes que continuam caminhando sem sair do mesmo lugar, é como aprendem a saber e o resto é um leito de noite escura.

Teremos como melhorar? Acredito que sim, mas, para tal, muitas coisas terão de mudar, desde quem governa a quem é governado, devemos ter consciência para que nos entendamos e perceber a realidade, estudar é um trunfo para o bem saber e fazer. Um país que foge da globalização porque se acha já sabedor de tudo, um país relaxado num cómodo e ventilado estado de convencidos do todo em tudo, que se esbanja em fortunas secretas e ignora que, estudar é uma arma para o crescimento.

Sem ciência não há consciência, o saber é como um grupo de pombos esvoaçando simplesmente a descontraída vida dos inocentes, os pombos nada sabem da vida, nada sabem do que sabem, e talvez nem sonham, dormem pelos cantos de lugares encontrados ao acaso e ali ficam até despertem de sonos longos e anos perdidos a inventar misérias. Detesto ditaduras e abomino falta de consciência das  liberdades, e daí imensas vezes me pergunto: o que será de facto a liberdade? Democracia e liberdade são absolutamente diferentes, são, até o odor nos seus perdigotos se nota a diferença. Cabe a cada cidadão mostrar a sua dignidade ou indignação, embora limitados num estado que mata quem diz a verdade, um estado que absolutamente aniquila quem diz a verdade ou mostra o que sente perante injustiças dos que nos governam dizer, mas deverá ser esse o caminho, caso contrário, seremos todos cúmplices desta tão amarga realidade.

E continuo no percurso do que pretendo ao elaborar este documento, humanizar o ensino em Angola, temos ensino obrigatório, mas, sinceramente, com professores rurais, mais velhos e talvez só por isso, muito mal pagos, a ensinar nas escolas mais rurais havendo ainda assim noutros meios, como cidades nas escolas públicas. Onde tantas vezes me pergunto, ensino obrigatório sem livros, de baixo de árvores, nada aprendem mas continuam os estudos com aproveitamento e um dia chegam à universidade, onde tenho muitos alunos vindos desse sistema, que não possuem qualquer actividade cognitiva, nada entendem do conhecimento abstracto das perguntas, alunos que quase nada sabem nem entendem, licenciados um dia neste chacal vergonhoso que só desconsidera o país e o atira para os últimos lugares do ensino em África, imaginemos a nível mundial.

Tenho andado na estrada para fundamentar a minha opinião, recolher dador dados, informações, para dar continuidade ao meu propósito descrito e elaborado nesta tese, que, não só como um despertar de consciência, pretendo acima de tudo resultados. Mantar este mal eternamente e ficando au a olhar apenas, faz me sentir cúmplice do afirmo ser uma vergonha. Precisamos de quem agite tudo isto, para as mentes, pelo menos, se apercebam que nem todos por cá estamos a dormir na poltrona do poder, trabalhamos apenas para melhorar o que está mal.


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