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Terça-feira, Setembro 28, 2021

“A PGR mentiu eu não estou foragida” diz Isabel dos Santos

“A minha liberdade de expressão parece estar a incomodar politicamente e por isso desejam calar-me política e socialmente a todo o custo”. Nesta sua acusação, a empresária diz que declarar “a descoberta e a reposição da verdade neste processo é do maior interesse dela”.

Em nota, Isabel dos Santos diz “É falsa a afirmação que a Justiça angolana desconheça o meu paradeiro e que não me possa contactar“.

“Desde Janeiro de 2020, constituí advogados mandatados em Angola e Portugal, com procurações forenses apresentadas e aceites pelas Justiças, bem como me fiz presente em todos os autos e processos de cuja existência tive conhecimento (por diligência minha), tanto na justiça de Portugal como na de Angola”, esclarece.

Segundo a empresária, os advogados que a representam “encontram-se mandatados conforme manda a lei, têm praticado vários actos sucessivamente nos processos e estão em contacto com a Procuradoria-Geral de Angola, com o Tribunal de Luanda e com as Justiças de Portugal”.

A filha do Ex-Presidente José Eduardo dos Santos desmente a afirmação de que não é conhecido o seu paradeiro ou que não esteja contactável e dá exemplos: “… em 30 de Maio e a 6 de Junho de 2020 fui notificada pelo Tribunal de Luanda e recebi despachos-sentença, tendo apresentado recursos”.

A empresária, que se queixa de a PGR de Angola “querer criar um quadro artificial de justificação” para emissão de mandato internacional de detenção para a calar, diz que tem participado “regularmente em actos societários e reuniões diversas como aconteceu recentemente na Assembleia Geral do EuroBic realizada no passado mês de Abril, tal como em outras convocatórias”.

“A minha liberdade de expressão parece estar a incomodar politicamente e por isso desejam calar-me política e socialmente a todo o custo”. Nesta sua acusação, a empresária diz que declarar “a descoberta e a reposição da verdade neste processo é do maior interesse dela”.

“Sou, além dos meus colaboradores e suas famílias, a pessoa mais afectada com esta situação de injustiça fruto de uma perseguição política. O que pretendo ver resolvido o mais rapidamente possível são estes ataques à minha reputação e ao meu bom nome, como empresária e empreendedora africana, pelo que estou disponível, como sempre estive a colaborar com a Justiça e a prestar todos os esclarecimentos necessários para que prevaleça a verdade”, termina.

 

Morada de Isabel é desconhecida

Procurador Geral da República, Hélder Pitta Gós

Falando recentemente em conferência de imprensa, Procurador Geral da República, Hélder Pitta Gós reafirmou que o Estado continua a perseguir os seus objectivos neste processo. Até ao momento, nada aponta para a desistência da acção civil e criminal, frisou Hélder Pitta Grós.

“Quanto a um eventual processo de negociações só poderá avançar com o reconhecimento dos factos ilícitos. Isabel dos Santos não demonstrou um interesse concreto em admiti-los e começar as negociações”, disse.

Hélder Pitta Grós, na mesma conferência garantiu ainda que, até ao momento, apenas foi possível notificar Isabel dos Santos em Luanda, através dos locais conhecidos, mas “sem qualquer resposta”. O Procurador Geral da República explicou que foi solicitada a colaboração das autoridades portuguesas, mas que, actualmente, a PGR “não sabe qual é o local de residência ou profissional da empresária”, facto que “tem prejudicado” o andamento do processo.

Por isso, a emissão de um mandado de captura internacional “mantém-se em aberto”. “O mandado de captura também pode servir para obrigar o cidadão a apresentar-se à justiça, não significa que seja detido automaticamente. Todas as investigações seguem uma determinada estratégia. Se for necessário, será emitido um mandado de captura”, garantiu Hélder Pitta Grós.

Durante uma entrevista recente à rádio MFM (Rádio Local), o marido de Isabel dos Santos, o empresário congolês Sindika Dokolo, disse ser “do interesse de todos encontrar uma saída o mais rapidamente possível”, mostrando estar disponível para negociar com as autoridades angolanas.

 

João Lourenço limpa as mãos

A semana passada, o Presidente da República deixou claro que Isabel dos Santos terá de sentir a mão pesada da justiça.

Reagindo sobre a nacionalização da Efacec pelo Estado português está “disse que de alguma forma” resulta da com cooperação judiciária entre Angola e Portugal.

“É um trabalho que vem sendo feito entre a justiça angolana e a justiça portuguesa”, afirmou o chefe de Estado.

João Lourenço, que respondeu a algumas questões dos jornalistas à margem da inauguração do novo Instituto Geológico de Angola, localizado nas cercanias da centralidade do Kilamba, Luanda Sul, e questionado se o Estado angolano sairá em defesa de Isabel dos Santos se estiverem em causa os seus interesses no estrangeiro, realçou que “os Estados defendem sempre a justiça, independentemente dos rostos que estejam em causa”.

De lembrar que no início de todo este processo, em Portugal e em Angola, está a decisão tomada a meio de Dezembro de 2019 mas conhecido apenas em finais desse ano, pelo Tribunal Provincial de Luanda para o arresto preventivo das contas e bens de Isabel dos Santos pedido pelo Estado através da PGR, no sentido de reaver cerca de 1,1 mil milhões de dólares em dívida, que, mais tarde, já em Maio deste ano, a PGR angolana admitiu ter subido para cerca de 5 mil milhões USD.

Para além de Isabel dos Santos, esta acção envolveu ainda o seu marido, Sindika Dokolo, e Mário Filipe Moreira Leite da Silva, ex-PCA do BFA.

O caso Luanda Leaks, despoletado pelo Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação em Janeiro deste ano, através de mais de 700 mil ficheiros revelados pelo hacker português Rui Pinto, fez avançar de forma clara e em várias frentes as acções judiciais contra a empresária, com destaque para alegados documentos que mostram esquemas financeiros envolvendo Isabel dos Santos.


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