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João de Sousa

Quarta-feira, Outubro 5, 2022

América Latina, vítima dos golpes

Dos cinco continentes, a África e a América Latina são as maiores vítimas dos golpes. Na África, quase sempre é sob o comando de franceses, ingleses, japoneses. Na América Latina, é quase sempre pelos americanos, ou seja, ricos massacrando pobres. Aqui, o país mais violentado, com cerca de 193 golpes desde 1825, é a Bolívia. Mas a Venezuela já sofreu 12, o Brasil dez, a Argentina seis.

Nas recentes décadas, dos 20 países do nosso continente, 13 sucumbiram sob o domínio de ferozes ditaduras militares que no Brasil nos infelicitou por 21 anos, no Chile por 17, no Uruguai por 12 e na Argentina por sete anos. Na maioria desses golpes, a “justificativa” sempre foi “garantir” a democracia, a paz, o progresso, ou impedir o comunismo. Mas o resultado sempre foram barbaridades, como prisões de inocentes, torturas, mortes, banimentos, destruição de patrimônios públicos e privados além de incontroláveis ações terroristas.

Vimos isso de forma clara no Iraque (com a desculpa de destruir armas químicas que nunca existiram) e no Afeganistão, onde os americanos se aliaram ao Al Qaeda de Bin Laden, e na Síria, ao Estado Islâmico.

Aqui no Brasil, assim como na Argentina, no Uruguai, no Chile e outros países, os democratas, as pessoas esclarecidas e honestas, se lembram bem das barbaridades, dos desastres e dos prejuízos causados pelas ditaduras dos militares com apoio das elites, parte da classe média, da mídia e do judiciário.

No mais recente golpe, novamente na Bolívia, a “justificativa” foi “reparar” uma fraude eleitoral de uma eleição ganha no 1º turno – mas uma fraude até agora não comprovada. Mesmo após o eleito declarar que aceitaria nova eleição e até renunciar ao mandato de presidente ainda inconcluso, foi perseguido e, se encontrado, segundo denúncias, seria assassinado, como Pinochet fez com Salvador Allende no Chile.

Na Bolívia, onde até poucos dias reinava a tranquilidade e o progresso, sendo o país da América Latina que apresentava a maior taxa de crescimento do PIB – entre 5 a 4% –, tendo durante os governos Evo Morales, aumentado em nove vezes sua economia, onde a miséria extrema foi reduzida de 78% para 15% e a renda per capita saiu de US$ 900 para US$ 4 mil, hoje reinam o terror e a baderna.

Assim também foi no Brasil, em que, sob os governos Lula, o crescimento do PIB de 1,5% chegou a 7%. Após o golpe, nos governos Temer e agora Bolsonaro, passados quatro anos, o PIB brasileiro não atingiu sequer 1%. Hoje o Brasil enfrenta maior desemprego, mais violência, a perda de direitos trabalhistas, da previdência, das verbas para educação, saúde, e só aumenta o número de miseráveis.

Como se a desgraça fosse pouca, o atual governo promove a maior entrega das riquezas do Brasil em todos os tempos, como os ricos poços de petróleo do pré-sal, esfacela a Petrobras e praticamente todas as empresas do povo brasileiro.

Enfim, a cada dia fica mais claro que os golpes nunca foram para garantir a democracia, a paz ou o progresso – mas, sim, para nos dominar pela força, para nos explorar ainda mais e assaltar nossas riquezas. O objetivo é destruir as possibilidades de crescimento dos países vítimas, torná-los meros fornecedores de matéria-prima e mão de obra barata, para garantir o domínio – no caso, dos EUA – sobre a América Latina e do seu cruel, injusto e moribundo regime capitalista.

 


por Aluisio Arruda, Jornalista, arquiteto e urbanista  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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