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Quarta-feira, Maio 29, 2024

António Areosa Feio

Helena Pato
Helena Pato
Antifascistas da Resistência

N. 1922

Destacado militante antifascista, comunista desde o princípio da Ditadura, a sua vida entrelaça-se com a luta do povo português pelo fim do fascismo.

Biografia

António Barreto Areosa Feio nasceu em Vila Nova de Gaia, a 4 de Agosto de 1922, filho de Eduardo Rodrigues Areosa Feio e de Maria Eugénia Barreto Areosa Feio. Ainda criança vem com os pais para Lisboa e inicia o ensino liceal no Liceu Camões. Entretanto seu pai, militar e ex-professor do Colégio Militar, que fora transferido de Peniche – onde cumpria pena de residência fixa – para Sines, consegue fundar um colégio na vizinha vila de Santiago do Cacém e António vai frequentar esse colégio. Muito jovem, aos doze, treze anos, começa a tomar consciência política e, em Sines, tem como amigos alguns comunistas mais velhos, mas que irão ser, então, seus companheiros e influenciar as suas escolhas ideológicas. Iniciou os estudos de Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, mas concluiu no Porto a licenciatura, na Faculdade de Engenharia do Porto, devido às suas actividades políticas.

Foi dirigente associativo da sua escola e, ainda muito jovem, em 1945, já integrava a Comissão distrital do MUD. Participou na fundação do MUD-Juvenil, de cuja Comissão Central iria fazer parte, em 1947 e 1948, entre outros com Júlio Pomar, Mário Soares, Octávio Pato, Óscar dos Reis, Rui Grácio, António Abreu e Salgado Zenha. Em Fevereiro de 1948 integrou a Comissão de Emergência do MUD, com Câmara Reis, Irene Lisboa e Francisco Keil do Amaral, constituída para assegurar os trabalhos daquele Movimento, face à prisão dos membros da Comissão Central pela PIDE.

Em 1949 fez parte da Comissão Central do MND[1].

Preso por pertencer ao Partido Comunista

Preso pela primeira vez em 1946, acusado de pertencer ao Partido Comunista desde fins de 1942, foi julgado no Tribunal Plenário de Lisboa e condenado a 18 meses de prisão. Preso de novo em 1949, é condenado e, em fins de Junho de 1953, sai em regime de liberdade condicional, por três anos. Depois de libertado manteve a actividade política: fez parte da Comissão Nacional para a Defesa da Paz (1950) e pertenceu às comissões eleitorais das candidaturas à Presidência da República de Norton de Matos (1949), Ruy Luís Gomes (1951), Arlindo Vicente (1958) e Humberto Delgado (1958).

Em 1959, assinou, com outros oposicionistas, um documento, datado de 18 de Março, em que se pedia a Salazar que, por ocasião da sua última lição em Coimbra, se verificasse «também o seu afastamento da vida política». De novo preso em 1963, é outra vez julgado no Tribunal Plenário de Lisboa, sendo então condenado a 24 meses de prisão, que cumpriu integralmente.

Comissão executiva para as Comemorações do Cinquentenário da República, num almoço que decorreu no restaurante Colombo. De pé: Areosa Feio, Armando Adão e Silva, Nuno Rodrigues dos Santos, Carlos Pereira, Homem Figueiredo, José Rodrigues dos Santos, Piteira Santos, Rui Cabeçadas, Joaquim Bastos. Sentados: Mário Soares, Acácio Gouveia, Mário de Azevedo Gomes, Mayer Garção, Armando Castanheira. (1960-10-23)

Antes e depois de 74

Nas eleições de 1969 foi candidato por Beja nas listas da CDE e, nas eleições de 1973, candidato da Oposição por Évora.

Em 1971 foi um dos subscritores do panfleto «Ao Povo de Lisboa», que denunciava a situação dos presos políticos[2]. Nesse mesmo ano, foi co-autor e signatário de uma representação enviada a Marcello Caetano acerca do recenseamento eleitoral. (Os signatários constituíram-se depois em Comissão Democrática de Recenseamento). Em Maio de 1972 foi também um dos subscritores de um manifesto intitulado «A Situação Política Portuguesa e o Fracasso do Reformismo», apreendido pela DGS e, por isso, foi interrogado pela polícia política.

Em 1973, fez parte da Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro, e apresentou uma tese intitulada «Significado do III Congresso da Oposição Democrática».

Depois do 25 de Abril, foi presidente do Fundo de Fomento da Habitação, chefe de gabinete dos secretários de Estado da Habitação e Turismo, no III e no V governos provisórios, respectivamente Nuno Portas e Fernando Vicente; e, no IV Governo Provisório, desempenhou as mesmas funções junto do secretário de Estado da Administração Local, Celso Pinto de Almeida. Dedicou-se depois ao movimento sindical, primeiro no Sindicato dos Trabalhadores de Hotelaria, depois na União dos Sindicatos de Lisboa e no Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores.

[1]No rescaldo da intensa campanha e das movimentações populares, que haviam constituído a candidatura em torno de Norton de Matos em 1949, o MND assumiu-se como o seu legítimo continuador na denúncia do carácter criminoso e terrorista do regime fascista; e como uma plataforma de luta antifascista que buscou a construção da unidade antifascista na esteira do trabalho desenrolado nos anos anteriores. Desde o início da sua constituição, o MND viu-se forçado a conviver com a intensa repressão que o fascismo lhe ditou.

[2]Transcrição do panfleto «Ao Povo de Lisboa», datado de Setembro de 1971, subscrito por Areosa Feio e onde um grupo de antifascistas denuncia a situação dos presos políticos. (Doc. partilhado por João Esteves).

Dados biográficos:

Agradecemos a Maria Helena Rocha Soares a fotografia e a colaboração que nos foi prestada.

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