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João de Sousa

Terça-feira, Novembro 30, 2021

Aos 44 anos o album Never Mind the Bollocks é um marco da música e da juventude operária

Os punks, jovens proletários, canalizaram em sua aparência e em suas atitudes, a revolta contra o capitalismo inglês que marginalizou em massa famílias de operários como eles, em um processo de fechamento de grandes fábricas. Com isso eles refletiram a falta de perspectiva para a juventude dentro daquele sistema.

No dia 28 de outubro de 2021 completa-se 44 anos do lançamento do primeiro álbum da banda Sex Pistols, “Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols”. A banda durou pouco tempo, se dissolveu em 1978. Eles, entretanto, exerceram grande influência na música e no comportamento da juventude, sobretudo da juventude operária, nas gerações subsequentes.

Anarchy in the UK, o maior sucesso do album, tornou-se hino dos punks, traduzindo em sua letra os ideais do movimento. A desconstrução dos acordes e dos versos harmônicos de estilos musicais tradicionais expressam a ideia de destruição. Mas a que se refere esta destruição?

Refere-se ao tradicionalismo da sociedade inglesa, com sua monarquia anacrônica e seu capitalismo excludente. Rebeldia em estado puro o movimento punk nasceu na década de 1970 no bojo das contradições da relação capital versus trabalho, em um contexto de precarização e desemprego na Inglaterra, berço do mundo industrial.

Os punks, jovens proletários, canalizaram em sua aparência e em suas atitudes, a revolta contra o capitalismo inglês que marginalizou em massa famílias de operários como eles, em um processo de fechamento de grandes fábricas. Com isso eles refletiram a falta de perspectiva para a juventude dentro daquele sistema.

Revelado na cultura, sobretudo na música e na moda, o punk, mais do que um modismo, se consolidou como uma expressão política com densa carga ideológica que resgata ideais anarquistas do início do século 20 através de lemas como: “faça você mesmo” e “do caos se faz a ordem”. Não à toa a música se chama “Anarquia no Reino Unido”. Ideologia controversa e polêmica, mas que colocou no centro do debate uma situação social que atingia a juventude.

Anarchy In The U.K.

Composição: Glen Matlock / Johnny Rotten / Paul Cook / Steve Jones/1975
Intérprete: Sex Pistols

Right! NOW! Ha ha ha ha ha
I am an Antichrist
I am an anarchist
Don’t know what I want but
I know how to get it
I wanna destroy the passer by ‘cos I
I wanna be anarchy!
No dog’s body
Anarchy for the U.K
It’s coming sometime and maybe
I give a wrong time stop a traffic line
Your future dream is a shopping scheme ‘cos I
I wanna be anarchy!
In the city
How many ways to get what you want
I use the best I use the rest
I use the enemy I use anarchy ‘cos I
I wanna be anarchy!
The only way to be
Is this the MPLA
Or is this the UDA
Or is this the IRA
I thought it was the UK or just
Another country
Another council tenancy
I wanna be anarchy
And I wanna be anarchy
Oh what a name
I wanna be an anarchist
Get pissed! Destroy!

 

Anarquia no Reio Unido

Composição: Glen Matlock / Johnny Rotten / Paul Cook / Steve Jones/1975
Intérprete: Sex Pistols

 

Agora mesmo! ha ha ha ha ha
Eu sou um anticristo
Eu sou um anarquista
Não sei o que eu quero
Mas sei como conseguir
Eu quero destruir transeuntes
Eu quero ser a Anarquia
Ninguém, cachorrada!
Anarquia para o Reino Unido
Virá em algum momento e talvez
Dei o tempo errado, parei o fluxo de trânsito
Seu sonho futuro é um esquema comercial, porque eu
Eu quero ser a Anarquia
na cidade!
Quantas formas existem para conseguir o que se quer?
Eu uso o melhor, eu uso o resto
Eu uso o inimigo, eu uso a Anarquia, porque eu
Eu quero ser a Anarquia
É a única maneira de ser
Isso é a M. P. L. A
ou é o U. D. A
ou é o I. R. A. ?
Eu pensei que fosse o Reino Unido ou apenas
um outro país
Outra propriedade do Conselho
Eu quero ser a Anarquia
E eu quero ser a Anarquia
Oh, Que nome
Eu quero ser um Anarquista
Ficar bravo, destruir!


Fonte: Centro de Memória Sindical | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

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