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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021

Ateus e crentes juntos para garantir água, vida e direitos para todas as pessoas

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

A arte tem a capacidade de manter a sanidade das pessoas. A música atinge o fundo da alma quando versa sobre as questões fundamentais do desejo, do sonho, da utopia, como também das dores, dos sofrimentos, enfim de tudo o que importa na vida.

A música popular brasileira que conta traz todos esses ingredientes, assim como canções de outros países. A seleção desta edição começa com o “Ateu Comovido”, de Alceu Valença e finda com o “Samba da Legalidade”, de Carlos Lyra e Zé Kéti, passando por Ed Sheeran, Daniela Millaleo e a banda Mulamba. Confira e diga se não vale a pena ouvir e refletir sobre a vida e o que estamos deixando fazer com o planeta.

Alceu Valença

Presença obrigatória no acervo de quem acompanha a música popular brasileira, o pernambucano Alceu Valença está na estrada há muitos anos com muitas canções coladas no imaginário popular, tocadas por músicos de rua em todo o país e presença garantida nas viagens de metrô em São Paulo, antes da quarentena e após deverá estar também.

Aqui uma canção dele pouco executada. Para quem é ateu, graças a Deus, “Ateu Comovido” é um verdadeiro álibi. Porque a fé de um ateu pode ser na terra, no trabalho, nos sindicatos, na humanidade, na ciência.

“Ateu comovido
Em busca de fé

Fé em Deus, fé na terra, nos astros
Nos riachos, nas matas, nos lagos
No trabalho, fé nos sindicatos
Fé nos búzios, nas conchas do mar”

 

Ateu Comovido (1990), de Alceu Valença

 

 

Daniela Millaleo

Daniela Millaleo é uma jovem cantora chilena do povo Mapuche, que atualmente resiste à invasão de suas terras no Chile e parte do sul argentino, assim como os povos indígenas do Brasil.

Suas canções, em geral, tratam das lutas de seu povo por manter seu território, sua cultura e sua vida. Também defende a preservação ambiental como forma de salvar o planeta e melhorar a vida de todo mundo. Vale a pena prestar atenção ao que ela canta.

“Tem gente que ri, tem gente que chora
Tem gente que vive buscando a glória
Tem gente que morre pedindo o justo
E tem gente que vive à custa do injusto

Prefiro morrer por quem ficou calado
Uma mão sinistra que paga o Estado
Ao urubu assassino que mata minha terra
E o homem que vence fazendo a guerra”

 

Trafun (2013), de Daniela Millaleo

 

 

Banda Mulamba

De Curitiba para o Brasil, a banda Mulamba é composta por mulheres e fala sobre os temas contemporâneos e das lutas da classe trabalhadora na resistência à ofensiva do capital para dominar o mundo em defesa de seus interesses nefastos à vida, à justiça e ao bem estar.

Seu som mistura rock com MPB. “Enxergamos a música como um mecanismo universal que tem o poder de difundir uma bagagem informativa relacionada a qualquer tema que necessita de voz, espaço e respeito”, diz Fer Koppe, uma das integrantes da banda. Vale conferir o talento dessa banda curitibana. Veja se a poesia de “Lama” te lembra alguma coisa.

“Era só mais um peixe
Era só mais um rio
Água deu lugar pra lama
Tá tudo vazio
Perder de tudo é duro
É chão, é arribação
Cavar tudo de novo”

 

Lama (2018), de Amanda Pacífico

 

 

Ed Sheeran

Um dos principais nomes pops do momento, o britânico Ed Sheeran mostra um talento singular para falar dos temas mais candentes da atualidade. Óbvio que cantar em inglês lhe facilita a vida para chegar aos ouvidos de todo mundo, mas isso não diminui o valor de sua obra. Um cantor e compositor para ser ouvido.

“Pessoas bonitas
Conversível, roupas de grife
Primeira fila em desfiles de moda
O que você faria e quem você conheceria
Dentro do mundo das pessoas bonitas?
Champanhe e rolinhos de notas de dinheiro
Pré-núpcias e lares desfeitos
Cercado, mas ainda sozinho
Vamos embora da festa”

 

Pessoas Bonitas (2019), de Ed Sheeran

 

 

Zé Kéti

O cantor e compositor carioca José Flores de Jesus, Zé Kéti (1921-1999) é presença marcante na história da música popular brasileira. Muito próximo do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes, compôs o “Samba da Legalidade”, com Carlos Lyra em defesa do mandato de João Goulart (1919-1976), quando havia resistência da elite em permitir que o então vice-presidente assumisse a vaga de Jânio Quadros (1917-1992), que havia renunciado. A canção foi gravada por Nara Leão (1942-1989), em 1965. Nara se transformou numa das mais importantes vozes da MPB.

É de Zé Kéti, a canção “Opinião”, em parceria com João do Vale (1934-1996), que deu nome ao importante espetáculo de resistência à ditadura instalada após o golpe de Estado em 1964.

Samba da Legalidade (1961), de Carlos Lyra e Zé Kéti: canta Nara Leão


Texto em português do Brasil


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