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Terça-feira, Outubro 26, 2021

Canções de lésbicas assumidas para ajudar na visibilização de suas vidas

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Neste sábado (29) é marcado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, por isso foram selecionadas seiso cações de cantoras e compositoras assumidamente lésbicas.

Elas cantam as dificuldades que enfrentam num mundo dominado pelo machismo, mas também cantam a vontade de superar as barreiras do preconceito e levar a vida com dignidade.

Luana Flores

A primeira música é “Guerreira de Lança”, da paraibana Luana Flores. Ela traz um som mesclado de uma pessoa criada na cidade com a cultura do sertão, como diz em sua poesia. Mistura o som eletrônico com as músicas de raiz de seu estado, com forte influência do manguebeat.

“A minha provocação é essa, dar uma roupagem futurista às tradições orais do Nordeste, desde as benzedeiras até o aboio, e transportar nossas tradições para uma música no futuro”, disse ela em uma entrevista. Ela conseguiu com maestria.

“Eu sou mulher paraibana sapatão
Criada na cidade com a cultura do sertão
Desde Menina pelejando ser pra existir
Raízes firmes e fortes que não me deixam cair
Mulher guerreira, rendeira, peleja, bruxa, benzedeira
Filha de Ester Maria Otília Silva Sertaneja
É o feminino cangaço moendo milho pra comer
É a minha história que não pode se perder

Eu não vou mais recuar
Qualquer um é o meu lugar”

 

Guerreira de Lança (2019), de Luana Flores

 

 

Marcia Castro

Outra nordestina se destaca com sua arte voltada para a igualdade de direitos entre todas as pessoas. A compositora e cantora baiana Marcia Castro, radicada em São Paulo, mistura as raízes da cultura de seu estado com MPB e rock, principalmente. Vale prestar atenção ao seu trabalho.

“o que me move
é o que me falta
o que não mais espanta
é o que me mata
o que me assusta
é o que me alcança
o que me impede
de entrar
na dança”

 

O Que Me Move (2014), de Marcia Castro

 

 

Bel Baroni

A carioca Bel Baroni iniciou carreira na banda Mohandas e a partir de 2015 iniciou carreira solo. Tem um som marcante com poesias fortes para trilhar caminho próprio caminho na MPB, com pitadas de jazz, funk e outros sons nacionais.

“Eu pulava ou corria e na dúvida me pendurei
Talvez não tenha mais o tato, mas…
Mas tudo some mesmo
Banquete fake

No fundo do meu olho
No fundo da minha testa
Eu podia ser você“

 

Banquete Fake (2019), de Bel Baroni

 

 

Marina Lima

Desde 1977 na estrada como profissional, a carioca Marina Lima nunca saiu de cena. Com um talento como poucas, sua obra é marcada pela mistura de sons e a poesia voltada para questões sociais e existenciais.

“Mesmo que falte água no Estado
Eu vou achar de beber
Grãos, shots, ervas, o diabo
E nós vamos sobreviver

É só olhar
O que já construímos aqui
Na força, na fé e na luz”

 

Novas Famílias (2018), de Marina Lima

 

 

Tegan and Sara

Tegan and Sara é uma dupla pop canadense, composta por gêmeas, lésbicas assumidas. Estão na estrada desde 1999 cantando a necessidade de haver mais respeito e menos preconceito no mundo.

“Não, não estou pronta para um grande passo ruim na direção deles.
Não, eu não estou pronta para o lixo do centro, evitam a coleta.
Quatro quadras, corra e se esconda, não ande sozinha à noite.
Arquitetura da cidade, a cidade muda antes que morram.
Quatro quadras, devo mencionar em uma música
Se eu quero conviver com a mudança,
Quem não quer mudar isso?”

 

Hell (Inferno; 2009), de Tegan and Sara

 

 

Maria Gadú

A paulista Maria Gadú, radicada no Rio de Janeiro, é ativista na defesa dos direitos dos povos indígenas. Ela canta o que é preciso para melhorar a vida de todo mundo. Presença obrigatória para quem gosta de música de qualidade.

“Quanto tempo leva pra aprender
Que uma flor tem vida ao nascer
Essa flor brilhando à luz do sol
Pescador entre o mar e o anzol”

 

Shimbalaiê (2009), de Maria Gadú


Texto em português do Brasil


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