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Domingo, Fevereiro 25, 2024

Baltasar Garzon: “impeachment” é farsa

Juiz Baltasar Garzón
Juiz Baltasar Garzón

Em Espanha, o juiz Baltasar Garzon é a adesão mais recente  da relação de juristas de prestígio reconhecido que têm críticas à Operação Lava Jato — e também denunciam o afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Para Garzon, o “processo de impeachment de Dilma é uma farsa, com uma finalidade política evidente”, afirma em entrevista exclusiva ao Brasil 247, apresentando argumentos que poderá conhecer em detalhe.

Baltasar Garzon reconhece méritos indiscutíveis nas investigações da Lava Jato, mas faz uma crítica directa: “num país onde todos os partidos estão envolvidos em esquemas de corrupção, você não pode optar por um investigar apenas um deles, o Partido dos Trabalhadores. Ou investiga e pune todos os implicados, ou fará um trabalho que não tem a ver com Justiça mas com política.”

“É uma demonstração de falta de ética e falta de escrúpulos. Parlamentares investigados, considerados réus pela Justiça, não poderiam acusar nem condenar.”

Garzon tornou-se conhecido à escala mundial a partir de 1998, quando deu voz de prisão ao ditador chileno Augusto Pinochet, que se encontrava em tratamento médico numa clínica em Londres.

Outras iniciativas que lhe deram visibilidade:  acção judicial contra o Secretário de Estado Henry Kissinger, em função do apoio do governo norte-americano a Operação Condor, dedicada a localizar e eliminar membros de organizações de esquerda na América do Sul; acções para libertar cinco prisioneiros detidos em Guantânamo. Ficou célebre em Espanha, por dois casos de impacto: a investigação do caso Gurtel, envolvendo um grandioso esquema de corrupção do Partido Popular, que acusou duas centenas de pessoas; em 1993, investigou crimes de terrorismo de Estado, condenando um antigo ministro do interior, ligado ao PSOE.

Em 2012, numa investigação sobre crimes que remontavam à ditadura de Franco, que dividiu o sistema judicial espanhol e a imprensa internacional, mesmo tendo recebido apoio de entidades como a Amnistia Internacional e do jornal New York Times, Baltasar Garzon foi proibido de exercer no país e desde então é assessor no Tribunal Internacional de Justiça de Haia.

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